Brega funk divide parlamentares em Pernambuco com propostas opostas
Projetos de lei apresentados revelam a disputa ideológica em 2025

O MC e influencer Anderson Neiff, um dos maiores nomes da vertente pernambucana do funk (Divulgação)
O brega funk, nascido nas periferias de Recife e Olinda a partir da mistura entre o brega e o funk carioca, está no centro de um debate político em Pernambuco. Em 2025, a Assembleia Legislativa do estado discutiu ao menos quatro projetos de lei que envolvem o movimento cultural, evidenciando como a cena musical ultrapassa a esfera artística e entra no campo das disputas ideológicas. As informações são do Nexo Jornal.
Relembre a reportagem “Filho Pródigo” da Billboard Brasil sobre a disputa do brega funk
De um lado, a deputada Rosa Amorim (PT) propôs iniciativas que valorizam o gênero. Um dos projetos prevê a criação do Dia Estadual do Brega Funk, em 21 de março, em homenagem ao cantor Mc Elloco, morto em 2024 e considerado um dos responsáveis por levar o ritmo ao reconhecimento nacional. Outro PL da parlamentar busca instituir um programa de prevenção à censura cultural no estado.
Na outra ponta, deputados da direita e extrema-direita apresentaram medidas restritivas. Renato Antunes (PL) protocolou proposta que proíbe músicas ou coreografias com conteúdo sexual ou apologia ao crime em escolas estaduais, sob pena de multa. Já o pastor Júnior Tércio (PP) defendeu o veto a “eventos irregulares”, como bailes e pancadões, sem autorização formal do poder público. Ambos os textos ainda não avançaram.
Pesquisadores e artistas apontam que essas tentativas de regulação atingem práticas essenciais ao movimento, como o passinho e os encontros comunitários em bairros periféricos. O professor Thiago Soares, da Universidade Federal de Pernambuco, avalia que o brega funk é alvo de uma “agenda moral” que reforça estigmas históricos associados à cultura popular negra e periférica.
Mesmo sob críticas e limitações, o brega funk segue como espaço de resistência e lazer para a juventude recifense. DJs como Kananda P.X ressaltam que o gênero, ainda carente de políticas públicas, garante alternativas de sustento e identidade cultural. Para ela, “o potencial do brega funk é desperdiçado”, já que a maior parte da produção surge de iniciativas independentes em estúdios caseiros.
Apesar da pressão conservadora, festas e encontros ligados ao brega funk continuam ocupando ruas, praças e palcos formais, consolidando o gênero como uma das expressões mais vibrantes da música brasileira contemporânea.
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