Published by Mynd8 under license from Billboard Media, LLC, a subsidiary of Penske Media Corporation.
Publicado pela Mynd8 sob licença da Billboard Media, LLC, uma subsidiária da Penske Media Corporation.
Todos os direitos reservados. By Zwei Arts.

Buchecha avalia futuro do funk e relembra Claudinho: ‘Perdi um irmão de alma’

Funkeiro do Rio lançou seu primeiro álbum de inéditas em 12 anos

Buchecha (Reprodução/@buchecha)

Buchecha (Reprodução/@buchecha)

Poucos dias após lançar “Liberta, DJ – Vol. 1”, seu primeiro álbum de inéditas em 12 anos, Buchecha revisitou a própria trajetória e as transformações do funk em entrevista publicada pela Quem nesta quinta-feira (24).

Aos 52 anos e com mais de três décadas de carreira, o cantor vê no retorno ao estúdio uma oportunidade de aproximar o funk melody que marcou seu repertório das gerações que hoje ocupam o gênero.

Lançado em 18 de setembro, “Liberta, DJ – Vol. 1” abre um projeto dividido em duas partes. O primeiro volume tem oito músicas e participações de MC Maneirinho, Xamuel, Ceejay, MC GW, Puterrier e PK. O disco sucede “Adesivo”, de 2014, último álbum solo completo de inéditas do cantor.

Buchecha conta que passou os últimos anos lançando singles enquanto avaliava qual caminho seguir em um novo álbum. A retomada veio ao perceber um interesse renovado pelo funk dos anos 1990 e pela vertente melódica que ajudou a projetar nacionalmente ao lado de seu grande parceiro Claudinho, que morreu em 2002, vítima de um acidente automobilístico.

“Não perdi apenas um colega de profissão — isso é muito mais fácil de substituir —, perdi um irmão de alma e esse lugar é insubstituível”, afirma.

Claudinho permanece no trabalho de Buchecha

A discussão sobre passado e presente inevitavelmente passa pelo amigo. A dupla Claudinho e Buchecha surgiu nos bailes de São Gonçalo e ganhou projeção nacional nos anos 1990 com músicas como “Conquista”, “Só Love”, “Nosso Sonho” e “Quero Te Encontrar”.

Buchecha atribui parte daquela expansão à disposição dos dois para modificar o formato dos shows e experimentar soluções que não eram comuns no funk daquela fase.

Segundo o cantor, uma dessas decisões foi acrescentar banda ao vivo às apresentações, mantendo o DJ. Para ele, esse movimento ajudou Claudinho e Buchecha a atravessar a barreira de um gênero que ainda era visto principalmente como uma manifestação carioca.

“Eu e o Claudinho conseguimos furar uma bolha absurda naquela época, porque o funk era muito regional”, explicou.

A parceria terminou em julho de 2002, no fatídico acidente após uma apresentação em Lorena, no interior de São Paulo. Mais de duas décadas depois, Buchecha afirmou que a ausência continua atravessando seu processo criativo.

A lembrança aparece especialmente quando o cantor revisita o repertório da dupla. Ele cita “Fico Assim Sem Você”, música do último álbum gravado pelos dois, como uma das canções capazes de transportá-lo de volta ao início da amizade, quando ainda eram adolescentes tentando abrir espaço nos bailes.

Essa memória também voltou ao centro de sua carreira com “Nosso Sonho”, cinebiografia lançada em 2023 e dirigida por Eduardo Albergaria. Buchecha considera que o longa apresentou Claudinho e Buchecha a uma geração que não viveu o auge da dupla e levou novos ouvintes ao catálogo.

Como se manter relevante após três décadas

Se a nostalgia ajuda a explicar parte do interesse por sua obra, Buchecha rejeita a ideia de que uma carreira longa possa depender apenas do repertório antigo. Ele relaciona a permanência à capacidade de compreender novas plataformas, aceitar mudanças na indústria e ouvir profissionais mais jovens ao seu redor.

“Tenho que estar aberto a aprender a lidar com as novas formas de trabalho, com as mídias sociais. Preciso ter o leme desse barco, mas não tenho esse ego de não ouvir”, diz.

A relação com gerações mais novas também aparece dentro de casa. Ceejay, seu filho mais velho, participa de “Incandescente”, uma das faixas do novo álbum. Fora dos palcos, o cantor descreve uma rotina distante da imagem expansiva das apresentações: prefere ficar com a família, assistir a séries e animes e seguir compondo para outros artistas.