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Giovanna Lancellotti será Carmen Miranda em cinebiografia de R$ 61 milhões

Longa será dirigido por Esmir Filho, de ‘Homem com H’, e terá gravações nos EUA

Giovanna Lancellotti será Carmen Miranda em cinebiografia (Reprodução)

Giovanna Lancellotti será Carmen Miranda em cinebiografia (Reprodução)

Giovanna Lancellotti vai interpretar Carmen Miranda (1909-1955) em uma cinebiografia que começa a ser filmada no segundo semestre de 2027. Intitulado “Carmen”, o longa terá direção de Esmir Filho, responsável por “Homem com H”, e gravações no Brasil e nos Estados Unidos.

O projeto tem orçamento de R$ 61 milhões e está entre as produções de maior orçamento do cinema brasileiro. Segundo a produtora Tatiana Issa, 80% do valor já foi captado por meio de mecanismos brasileiros de incentivo. Revelado em primeira mão pela Variety, o filme será apresentado nesta quarta-feira (7) no RioMarket, área de negócios do Festival do Rio.

Além de viver Carmen Miranda, Lancellotti integra a produção por meio da GL Filmes. O projeto também reúne a Ananã Produções, de Julio Uchôa, a Producing Partners, comandada por Issa e Guto Barra, e a H2O Films. Mariana Bardan e Eduardo Melo assinam o roteiro.

A previsão é que “Carmen” chegue aos cinemas brasileiros no segundo semestre de 2028. Os produtores também trabalham com lançamento nos Estados Unidos, Europa e Ásia.

Preparação para viver Carmen Miranda começou em 2021

Lancellotti se prepara para interpretar Carmen Miranda desde 2021. A atriz fez aulas de canto com o preparador vocal e diretor de performance Felipe Habib e passou por preparação corporal e coreográfica com Márcia Rubin e Vanessa Garcia.

“Comecei a mergulhar na história de Carmen Miranda em 2021. Decorei as músicas e passei a cantarolá-las todos os dias”, disse Lancellotti à Variety. “Carmen criou uma identidade que, 70 anos depois de sua morte, ainda está presente na música, nas artes e na moda.”

O elenco também terá atores de língua inglesa para interpretar personagens ligados à fase americana da cantora, entre eles Darryl F. Zanuck, então chefe de produção da 20th Century Fox, o produtor da Broadway Lee Shubert e David Sebastian, único marido de Carmen Miranda.

As filmagens estão previstas para Nova York, Rio de Janeiro e Maricá. Na cidade americana serão recriadas a chegada de Carmen aos Estados Unidos e sua passagem pela Broadway. Maricá será usada para representar Los Angeles e é uma das investidoras do projeto. Segundo Issa, o cenário construído para reproduzir a casa da artista na Califórnia deverá, depois das filmagens, abrigar um museu dedicado a Carmen Miranda.

De ‘Homem com H’ a ‘Carmen’

Homem com H é a cinebiografia de Ney Matogrosso (divulgação)
Homem com H é a cinebiografia de Ney Matogrosso (divulgação)

Esmir Filho chega ao projeto depois de dirigir “Homem com H”, cinebiografia de Ney Matogrosso lançada em 2025 e protagonizada por Jesuíta Barbosa. O longa levou mais de 600 mil espectadores aos cinemas e ultrapassou R$ 13 milhões em bilheteria antes de chegar ao streaming.

Agora, o diretor se volta para uma trajetória que atravessa a história da música e do cinema no Brasil e nos Estados Unidos. Nascida em Portugal em 1909 e criada no Rio de Janeiro desde a infância, Carmen se tornou uma das principais estrelas brasileiras do rádio e do disco nos anos 1930.

Em 1939, foi levada a Nova York pelo produtor Lee Shubert para integrar o musical “The Streets of Paris”. No ano seguinte, apareceu em “Serenata Tropical” (“Down Argentine Way”), iniciando sua trajetória em Hollywood. No auge da carreira americana, tornou-se uma das artistas femininas mais bem pagas dos Estados Unidos.

A projeção internacional levou o samba a um público que até então tinha pouco contato com a música brasileira, ao mesmo tempo em que a imagem construída por Hollywood colocou Carmen Miranda no centro de discussões sobre estereótipos associados à América Latina. Seus turbantes, plataformas, figurinos e performances se tornaram parte de uma iconografia que atravessou música, cinema e moda.

“Ela levou o samba para os Estados Unidos e o transformou em algo pop. Carmen foi responsável por criar o soft power do Brasil em uma época em que o termo nem existia”, afirmou Tatiana Issa à Variety.

Carmen Miranda morreu em 1955, aos 46 anos. Mais de sete décadas depois, sua trajetória volta ao cinema em um projeto que pretende reconstruir tanto a fase brasileira quanto a transformação da cantora em estrela da Broadway e de Hollywood.