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Salada caribenha: festival de Curaçao encanta pela mistura de gêneros musicais

O North Sea Jazz Festival traz desde jazz a soul music, zouk e reggaeton

Curaçao é uma simpática ilha localizada no mar do Caribe. Nos últimos anos ela tem se tornado o destino predileto dos brasileiros, que viajam em busca de suas praias –40 ao todo– de águas límpidas e tranquilas. Os mais radicais optam por passeios de buggy ou uma visita à Gruta de Hato, um antigo refúgio indígena, enquanto quem gosta apenas de passear pode se deliciar pelo centro da cidade, totalmente reformulado com novas lojas e bares e até museus dedicados aos piratas.

É também uma ilha musical. Dos ritmos locais, por exemplo, destacam-se a tumba, com sua mistura de tambores africanos e merengue; o tambú, conhecido como o “blues de Curaçao” e que às vezes traz letras um tanto libidinosas, e o seú, marcha cujos passos de dança fazem menção ao movimento das colheitas. No quesito importação, um dos destaques do local é o North Sea Jazz Festival, criado nos moldes do evento de mesmo nome criado na Holanda –que, aliás, colonizou a ilha no século XVII. A escalação é uma combinação de talentos caribenhos e atrações de alta patente do pop, do rock e do jazz produzido em outras nações.

A edição caribenha do North Sea Jazz Festival surgiu em 2010 e desde então trouxe nomes celebrados como os cantores Prince e Tom Jones, veteranos da soul music da categoria de Betty Wright, Smokey Robinson e Charles Wilson (da Gap Band) e atrações celebradas do pop como o grupo Level 42, que se unem a astros do reggaeton, zouk, reggae e cumbia. Essa mistura, tão bem urdida quanto a culinária local, faz o evento se tornar uma das festas mais celebradas do Caribe. Outra boa ideia é fazer a primeira noite aberta ao público.

A edição 2026 do North Sea Jazz Festival abriu com as apresentações do baixista e cantor Alain Perez e da dupla Gente de Zona, ambos naturais de Cuba. Os estilos, porém, são distintos. Perez é mais calcado na world music e traz até influências do Oriente Médio. Alexander Delgado e Randy Malcolm Martinez, do Gente de Zona, são conhecidos no Brasil por conta de “Bailando”, parceria dos cubanos com Enrique Iglesias e que acabou sendo adaptada para o português por Luan Santana. Ao vivo, são um chamado à dança.

A atração mais concorrida da segunda noite foi The Jacksons –ou melhor, O Jackson, porque o conjunto de soul music se resumiu a Marlon e mais uma trupe de vocalistas de apoio. Um baile de saudade competente, entrecortado por depoimentos dos pais dos Jacksons. Melhor sorte, no entanto, tiveram os espectadores da apresentação de Ruben Blades. O panamenho de 78 anos faz uma espécie de salsa “de combate”, sempre com temas políticos e de conscientização, mas sem perder o alto poder de incendiar a plateia.

O conjunto americano Toto fechou a segunda noite. Uma das bandas mais competentes do chamado “yacht rock”, um híbrido de rock, soul music, jazz e pop, com alto poder radiofônico e uma execução que exige uma boa dose de virtuosismo. O guitarrista Steve Lukather –que tem no currículo participações em discos de Michael Jackson e Rita Lee – é o único membro da formação original, que conta com Joseph Williams (filho do grande compositor de trilhas John Williams) nos vocais. Os hits surgem aos borbotões: “Rosana”, “I’ll Be Over You”, “Hold the Line” e a mega “Africa”.

A terceira e última noite do Curaçao North Sea Jazz Festival contou com Jon Batiste (cuja performance foi dissecada na segunda-feira) e uma apresentação de gala do saxofonista Branford Marsalis e da cantora (e bota cantora nisso!) Dianne Reeves. O repertório foi calcado na obra do saxofonista e lenda do jazz John Coltrane (1926-1967), cujo centenário de nascimento será celebrado este ano. Uma performance classuda, na qual ambos mostram por que são referência nesse universo.

O encerramento ficou por conta do reggaeton de J.Balvin, que nesta sexta-feira se apresenta no Rock in Rio, e do grupo de zouk Kassav. Foram os shows mais lotados da noite e que mostram a força do Caribe. Que poderia ganhar mais destaque nos palcos brasileiros.