De festival a plataforma: Coala acelera expansão global da música brasileira
VP de negócios do grupo DVT conta como o Coala virou plataforma de internacional

Camila Zana e Guilherme Marconi (reprodução)
Guilherme Marconi olha para o negócio de eventos sob uma lógica simples: menos volume, mais profundidade. Entrevistado do podcast Cabos & Cases durante o SXSW 2026, o VP de negócios do grupo DVT, responsável pelo Coala, diz que não basta acompanhar tendências. É preciso saber o que realmente faz sentido aplicar para cada realidade.
O grupo hoje está envolvido em mais de 100 eventos no Brasil, seja como proprietário ou como parceiro em diferentes frentes, como venda de ingressos, ativações, operação de alimentos e bebidas e camarotes. A atuação é ampla, mas a estratégia passa por escolher bem onde investir energia e como transformar aprendizado em execução.
Entre os movimentos que mais chamam sua atenção de Marconi, está a mudança geracional no consumo. Enquanto o mercado ainda concentra esforços na Gen Z, ele olha para o próximo passo: a Geração Alpha.
Mais do que poder de compra, essa nova geração já influencia decisões dentro de casa, inclusive no entretenimento. Cada vez mais, são os filhos que definem programas, experiências e escolhas culturais da família.
Esse comportamento já impacta diretamente os eventos. Em vez de criar produtos exclusivos para esse público, a estratégia do grupo é ampliar experiências que consigam integrar diferentes perfis.
Eventos como os do Circuito Sertanejo ilustram esse caminho: ambientes que funcionam para várias idades, onde o consumo é coletivo e atravessa gerações, muitas vezes tendo o jovem como gatilho de decisão.
Dentro desse ecossistema, o Coala se consolidou como um dos principais ativos do grupo. Criado em 2014, o festival chega à 12ª edição com uma proposta clara: apostar em curadoria. A construção do line-up segue uma lógica próxima à de uma playlist. Não basta reunir artistas relevantes: é preciso que a sequência faça sentido, equilibrando gêneros, momentos de carreira e descobertas.
Esse cuidado ajudou o Coala a crescer junto com a própria música brasileira, consolidando uma identidade clara no mercado. Agora, essa mesma lógica sustenta o movimento de internacionalização. Em Portugal, o festival chega à terceira edição e funciona como uma plataforma de entrada para artistas brasileiros na Europa.
Mais do que realizar um evento, o Coala passou a viabilizar turnês. Ao levar artistas com estrutura e visibilidade, abre caminho para novas datas e circulação no continente.
Esse modelo se expande com o Coala Apresenta, braço voltado para desenvolvimento de carreira e presença internacional. A estratégia não é retorno imediato, mas construção de longo prazo, tanto para os artistas quanto para a própria música brasileira fora do país.
Assista o episódio 7 do Cabos e Cases no SXSW 2026 com Guilherme Marconi
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