Published by Mynd8 under license from Billboard Media, LLC, a subsidiary of Penske Media Corporation.
Publicado pela Mynd8 sob licença da Billboard Media, LLC, uma subsidiária da Penske Media Corporation.
Todos os direitos reservados. By Zwei Arts.

Embratur e Instituto Futuros lançam edital para financiar casas de shows

Edital Palcos do Brasil vai selecionar cinco espaços em Salvador, Recife e RJ

Edital

Tiny Desk terá versão oficial brasileira teve apoio da Embratur. (divulgação)

Quem descobriu, primeiro, os nomes que hoje lotam os maiores palcos do país? Quase sempre, uma casa de show pequena. É nesse elo da cadeia musical, o mais decisivo para a formação de novos artistas, que a Embratur e o Instituto Futuros decidiram investir ao lançar o edital Palcos do Brasil.

A iniciativa vai selecionar até cinco espaços de pequeno e médio porte, com capacidade para até 800 pessoas, em Salvador, Recife  e Rio de Janeiro. Cada casa contemplada receberá R$ 70 mil para bancar, no mínimo, oito shows com cachês para os artistas. O repasse financeiro é voltado exclusivamente para a manutenção de uma programação musical, fomentando a cadeia produtiva da música independente e aquecendo a economia local fora dos picos de visitação.

Uma aposta na base da cadeia

O edital integra a estratégia Brasil Sounds, frente da Embratur que usa a música como instrumento de projeção internacional do turismo brasileiro, a mesma que já apoiou plataformas como Rio de Janeiro Sounds, Salvador Sounds e o Tiny Desk Brasil. A diferença do Palcos do Brasil é mirar a base: os pequenos espaços que sustentam as cenas musicais locais e formam o público e os artistas que, mais tarde, projetam o Brasil lá fora.

Para o diretor de Gestão e Inovação da Embratur, Roberto Gevaerd, o turismo precisa assumir um papel ativo no fomento à indústria criativa. “O turismo não é apenas um consumidor de entretenimento, ele deve assumir também o papel de fomento e fortalecimento da nossa indústria criativa. O objetivo central é mitigar os impactos econômicos da sazonalidade turística, garantindo que os espaços culturais mantenham uma programação musical de excelência o ano inteiro, especialmente durante a baixa temporada”, afirma.

Gevaerd cita exemplos internacionais para justificar a estratégia: “outros países, como o Reino Unido, Coreia do Sul e Japão também apostaram no fortalecimento da cena local. A música brasileira é um patrimônio admirado no mundo inteiro e um diferencial competitivo fundamental para a experiência de quem visita o país”.

A parceria entre a Embratur e o Instituto Futuros é inédita e soma a experiência das duas instituições para promover o desenvolvimento turístico e cultural de três grandes capitais por meio da música brasileira. “Queremos ver essas cidades diversificando sua oferta cultural e fazendo das casas de show uma parada obrigatória para qualquer turista”, diz Carla Uller, diretora do Instituto Futuros.

Um mercado em expansão

O edital chega em um momento de crescimento expressivo do mercado de eventos ao vivo no Brasil. Segundo dados da PwC, o país é hoje o segundo maior mercado de shows ao vivo do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. A indústria de eventos movimenta cerca de R$ 300 bilhões por ano, o equivalente a 4,3% do PIB nacional, segundo levantamento da Associação Brasileira de Empresas de Eventos (Abeoc) e o Sebrae.

O setor também registra recordes de consumo. De acordo com o Radar Econômico da ABRAPE, o consumo em atividades de recreação somou R$ 25,33 bilhões no primeiro bimestre de 2026, o maior valor da série histórica iniciada em 2019. O estoque de empregos formais no setor de eventos atingiu 205.538 vínculos em fevereiro, um crescimento de 84,5% em relação a 2019.

Interiorização e novas casas

Edital
Show da banda Guns N’ Roses em São José do Rio Preto (SP) aqueceu a economia local. Foto Grosby Group.

O movimento de expansão do mercado não se limita às capitais. Shows e festivais em cidades do interior têm ampliado o alcance econômico do setor, com casos como o show do Guns N’ Roses em São José do Rio Preto, que mobilizou a rede hoteleira e aqueceu setores como alimentação, transporte e comércio.

Grandes grupos também apostam na construção de novas casas de show. O Grupo Live anunciou investimento de R$ 250 milhões na construção de três espaços no país – um em Brasília e outro em Curitiba, com capacidade para 10 mil e 6.500 mil pessoas, respectivamente, além de um terceiro, em Goiânia). A Live Nation também anunciou planos para uma nova arena em São Paulo.

Para Mauricio Aires, CEO do Grupo Live, o segmento tem uma grande demanda reprimida em todo o país. “Vimos que há muita oportunidade de negócios. Hoje, muitos eventos ocorrem em espaços improvisados, sem uma estrutura adequada de serviços”, diz.

O edital Palcos do Brasil, no entanto, mira um segmento específico: os pequenos espaços que, segundo a Embratur, são a porta de entrada para novos artistas e a base da cadeia produtiva da música independente.

Serviço

Cidades contempladas: Salvador (BA), Recife (PE) e Rio de Janeiro (RJ).
Vagas: até 5 casas de show (2 em Salvador, 2 em Recife, 1 no Rio de Janeiro).
Apoio por espaço: R$ 70 mil, para realizar no mínimo 8 shows ao vivo.
Quem pode se inscrever: Pessoas jurídicas (incluindo MEI) que administram casas de show de até 800 lugares, com no mínimo 12 meses de atuação.
Inscrições: Gratuitas, de 24 de setembro a 26 de outubro de 2026, pelo site
Resultado: Divulgação em 13 de novembro