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Hongjoong, do ATEEZ, explica parceria com Bazzi em ‘ENOuGH’

Líder do grupo de K-pop detalha a criação do single e resume relação com o grupo

Hongjoong, do ATEEZ, explica parceria com Bazzi em 'ENOuGH' (Tyler Shields)

Hongjoong, do ATEEZ, explica parceria com Bazzi em 'ENOuGH' (Tyler Shields)

Em abril, Hongjoong voltou ao Coachella sem nenhum compromisso no palco. Dois anos antes, ele havia se apresentado no festival realizado em Indio, na Califórnia, quando o ATEEZ se tornou o primeiro grupo masculino de K-pop a subir ao palco do evento.

Desta vez, Hongjoong foi como convidado e assistiu ao trabalho dos outros. “Naquele dia, tive muitas inspirações”, conta sobre uma viagem em que encontrou Teddy Swims, PinkPantheress, Central Cee, Swae Lee e Daesung, do BIGBANG. “Eu gosto muito de viver experiências em todo lugar.”

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De volta a Los Angeles, ele marcou uma sessão de estúdio e criou uma faixa de pop atmosférico que, segundo o próprio artista, “não é apenas relaxada”, mas trata de uma sensação que ele passou a vida inteira tentando alcançar.

Essa música chegou em 18 de setembro como “ENOuGH”, parceria com Bazzi. A faixa tem andamento tranquilo, é abertamente emocional e, talvez o mais significativo, soa bem diferente do trabalho do grupo que Hongjoong lidera em um dos períodos de maior projeção de sua carreira.

Em 26 de junho, o ATEEZ lançou “GOLDEN HOUR : Part.5” e, dois dias depois, fez sua estreia como atração principal do BST Hyde Park, em Londres. O EP rendeu ao grupo seu terceiro número 1 na Billboard 200, com 228 mil unidades equivalentes de álbum na semana de estreia, maior marca da carreira do octeto.

Na Coreia do Sul, o single “BAD”, faixa principal de “Part.5”, ganhou força nas paradas, em parte graças a uma dança que viralizou, e ajudou o ATEEZ a conseguir sua primeira entrada na Billboard Global 200. No mês seguinte à entrevista, o grupo também teria um dia inteiro dedicado a ele e aos fãs no festival inaugural 82WORLD: LA.

Mas nada dessa dimensão aparece quando Hongjoong entra em uma chamada de vídeo com a Billboard, em agosto, direto de um quarto de hotel iluminado pelo sol em Los Angeles. Ele usa uma camiseta branca simples de gola V, com a gola cortada, alguns anéis de prata distribuídos entre os dedos e uma única unha pintada de preto, marca que mantém com frequência para chamar atenção para a campanha Polished Man, voltada ao combate à violência contra crianças.

Naquele momento, ele parece menos o líder de um dos grupos mais ocupados do K-pop e mais alguém aproveitando uma rara sequência de dias de clima bom sem nenhum compromisso urgente.

“Estamos muito ocupados ultimamente, mas finalmente consigo relaxar um pouco aqui”, diz.

‘ENOuGH’ e a busca de Hongjoong por se sentir suficiente

Quando o líder de um grupo em alta aparece com uma música própria de perfil mais discreto, há uma distinção importante: “ENOuGH” não representa uma estreia solo formal.

“Se eu fosse fazer uma estreia solo de verdade, talvez tivesse me preparado por mais de um ano”, explica. “Mas esta música eu fiz em abril, em Los Angeles.”

Uma estreia solo propriamente dita exigiria muito mais do que os poucos meses necessários para levar “ENOuGH” ao público. A faixa nasceu durante uma pausa e em um momento no qual, pela primeira vez em muito tempo, Hongjoong não tinha certeza do que estava criando.

“Eu tentei fazer uma música mais tranquila, mas não apenas tranquila”, conta sobre os dias de estúdio em abril. “Antes de começar a trabalhar na música em Los Angeles, antes de ela se tornar ‘ENOuGH’, eu estava concentrado apenas em fazer sons bons, porque senti que precisava disso naquele momento. Mas, para esta música, eu tinha uma mensagem muito específica que queria escrever, e conversamos sobre isso antes de começar a sessão.”

“Eu sempre caminhei com o ATEEZ e sou muito feliz com isso. Ao mesmo tempo, agora tenho 27 anos e passei oito anos com o ATEEZ. Fiz muitas músicas para o ATEEZ e também para mim. Agora acho que preciso viver mais experiências, porque elas vão se refletir de volta no ATEEZ e também em mim. Foi por isso que comecei este projeto e por isso acho que esta música é ‘suficiente’ para começar um projeto de colaborações.”

Kim Hongjoong passou quase uma década como líder do ATEEZ, além de atuar regularmente como compositor e produtor do grupo, com quase 200 músicas registradas oficialmente em seu nome.

Em maio, ele estreou como diretor musical no filme independente “Hallucination”, exibido no Festival Internacional de Cinema de Jeonju. Algumas semanas depois, participou da trilha sonora de “K-POPS!” em uma faixa com Anderson .Paak e Jay Park. Em outubro, fará sua estreia solo em festivais com seu primeiro set ao vivo como DJ, sob o nome NO1, no EDC Korea.

Segundo Hongjoong, no entanto, 2026 começou de uma maneira confusa.

“No ano passado, eu realmente achava que me conhecia muito bem, porque sei o que consigo fazer e quais são meus pontos bons e ruins”, diz. “Mas, no começo deste ano, senti que ainda estava aprendendo sobre mim. Quando faço músicas, às vezes uso notas mais altas, às vezes mais baixas. Eu achava que as notas altas funcionavam bem para mim porque meu timbre é bastante agudo, então pensava que simplesmente usaria isso quando fizesse músicas.”

“Mas, no começo deste ano, quando ouvi as músicas que tinha feito, achei que nada estava bom. E isso também fez com que eu não me sentisse ‘suficiente’. Não sei por quê, mas os artistas estão sempre mudando seus gostos e seus tipos de música.”

Esse questionamento o levou a procurar a distância entre aquilo em que havia se tornado bom como músico e o que originalmente havia despertado nele a vontade de fazer música.

“Pensei que precisava aprender mais sobre mim mesmo com o ATEEZ e também sem o ATEEZ, porque quero saber quem sou, do que realmente gosto e do que realmente não gosto”, continua. “É por isso que o estilo desta música é bem diferente do que fiz antes e do estilo do ATEEZ.”

“Eu gosto muito do estilo do ATEEZ e sei que sou muito bom fazendo um rap carismático. Ao mesmo tempo, quase todas as músicas que eu ouvia quando era mais jovem eram emocionais. Por isso comecei esta música com acordes mais emotivos, mas também com um som muito particular e confortável.”

O rapper já colocou esse carisma em faixas como “Say My Name”, na qual se apresenta como o capitão, “This World” e a música solo “NO1”. Mesmo assim, evita definir um gênero específico como sua identidade definitiva.

“No futuro próximo, meu estilo pode mudar, então quero tentar colaborar com mais artistas”, afirma. “Se eu lançar mais músicas, acho que muita coisa pode mudar dentro de um ano porque ainda estou aprendendo sobre mim mesmo.”

“Se eu encontrar meu próprio estilo, ou aprender qual é meu próprio estilo, acho que algum dia vou poder conversar com você e dizer: ‘Este é o meu estilo’. Não tenho certeza de que este seja meu estilo de verdade, mas, pelo menos naquele momento, em abril, senti que este era um dos meus estilos.”

As primeiras férias e os projetos individuais do ATEEZ

A oportunidade de descobrir isso veio de algo que Hongjoong não experimentava havia anos: tempo livre.

No fim de 2025, ele e os outros integrantes do ATEEZ conversaram com a KQ Entertainment sobre a possibilidade de reservar dois períodos de férias em 2026.

“Não tínhamos tido férias antes deste ano”, conta. “Quando confirmamos que teríamos férias, comecei imediatamente a pensar em como poderia usar esse período para mim, como poderia usá-lo para gostar de mim mesmo e me expressar ao mesmo tempo.”

Os oito integrantes do ATEEZ renovaram seus contratos com a KQ Entertainment por mais sete anos em julho de 2025. Esse novo capítulo também abriu mais espaço para projetos individuais. Mingi lançou um EP solo de seis faixas em maio, Yunho passou a investir mais na atuação e outros membros vêm desenvolvendo trabalhos próprios.

Para Hongjoong, essa individualidade é uma parte importante da manutenção do próprio grupo.

“Colocamos o ATEEZ em primeiro lugar”, afirma. “Mas, ao mesmo tempo, todo mundo também quer planejar suas próprias coisas. Acho que isso é muito importante para fazer o ATEEZ durar mais, porque todos precisam se expressar e isso cria sinergia.”

Ao tentar redescobrir suas referências, Hongjoong encontrou primeiro uma palavra. O título de “ENOuGH” surgiu antes da própria música.

“Para ser sincero, bem, tudo é sincero porque não quero mentir para você, quando comecei a escrever esta música, queria cantar sobre um assunto sobre o qual nunca tinha cantado”, explica. “Às vezes eu sentia, dentro da minha cabeça, que não era suficiente. E também acho que passei a vida inteira tentando encontrar alguma coisa que me tornasse suficiente, que me fizesse sentir suficiente.”

“Ultimamente, depois do Coachella e depois de conseguir um pouco de férias, pensei em como alguma coisa ao meu lado, alguma coisa próxima de mim, já era suficiente para me fazer sentir completo. Eu não achava que aquilo fosse suficiente, mas percebi que, na verdade, era muito simples me fazer sentir suficiente. Eu não sabia disso antes. Foi por isso que escrevi essa letra.”

Após terminar a composição, ele percebeu que a ideia poderia ser compartilhada por outras pessoas.

“Depois que escrevi a letra inteira, senti que muita gente sentiria a mesma coisa. Hoje acho que muitas pessoas sentem que alguma coisa está faltando.”

Nesse momento da conversa, Hongjoong deixa o inglês de lado por alguns instantes e, com a ajuda de seu tradutor, chega à palavra “deficiência”.

“Sim, uma deficiência dentro da vida, alguma coisa faltando. Eu também costumava me concentrar nisso o tempo inteiro. Mas hoje penso, e quero dizer para muita gente, que não precisamos ter medo dessa falta ou dessa deficiência. Se nos concentrarmos no que já temos, isso me faz sentir que sou suficiente e também pode fazer você sentir que é suficiente.”

Apesar do significado mais amplo, o clima leve de “ENOuGH” faz a música soar inicialmente como uma canção romântica. Hongjoong não vê problema nisso.

“Essa é toda a mensagem da música, mas, ao mesmo tempo, ela realmente parece uma música de amor”, diz sobre uma canção que funciona ao mesmo tempo como serenata e recado para si mesmo.

“E isso também está muito certo. Eu amo meu trabalho e amo nossos fãs. Também posso amar garotas, posso amar outra pessoa ou outras pessoas. Não quero expor uma pessoa específica ou uma coisa específica, mas foi por isso que comecei esta música. Essa é toda a mensagem dela.”

Como Bazzi entrou em ‘ENOuGH’

Bazzi já fazia parte da história da música antes mesmo de participar oficialmente da gravação. “Mine”, sucesso de 2017 que entrou na Billboard Hot 100, e “Beautiful”, lançada em 2018, eram referências para Hongjoong antes de ele entrar profissionalmente na indústria.

Um encontro em um festival completou o caminho até a colaboração.

“Tivemos um bom timing”, lembra Hongjoong sobre o dia em que o ATEEZ se apresentou no BST Hyde Park e Bazzi também estava no line up. “Nós nos encontramos e conversamos um pouco sobre nossas vidas. Quando eu era trainee, as músicas dele foram grandes inspirações para mim. Então falei sobre isso também, porque ‘Mine’ e ‘Beautiful’ eram músicas que eu cantava e ouvia muito.”

“Conversamos bastante, trocamos números e, depois que voltamos para casa, senti que esta música combinava muito com ele. Também gosto muito do álbum ‘COSMIC’, e esta música me dava aquela mesma energia.”

“Foi por isso que perguntei: ‘O que acha desta música? Poderíamos fazer algum tipo de mágica juntos’. E ele disse que queria participar 100%. Então tudo aconteceu de maneira muito natural e muito rápida. Ele gravou a parte dele e me enviou. Fizemos algumas idas e vindas com os ad libs e algumas partes do refrão e criamos a música de maneira muito natural.”

O ritmo de trabalho de Hongjoong significa que “ENOuGH” não foi a única música produzida nesse período.

“Depois que fiz esta música, na verdade fiz mais duas ou três”, revela. “Então, se tiver oportunidade, quero lançar essas músicas no momento certo”, diz Hongjoong.

‘Meu planeta é o ATEEZ’

ATEEZ
ATEEZ (KQ Entertainment)

No dia seguinte à conversa com a Billboard, Hongjoong gravou em Los Angeles o clipe de “ENOuGH”. O conceito visual já estava em sua cabeça muito antes de a faixa ficar pronta.

“Quando começo uma música e filmo alguma coisa, tenho toda a visão”, diz. “Sem um visual, realmente não consigo fazer nada, porque meu trabalho é mostrar alguma coisa para as pessoas.”

No conceito do clipe, Hongjoong deixa a Terra em uma nave espacial e viaja até os planetas de seus colaboradores. A primeira parada é o planeta de Bazzi.

“Toda essa história começou comigo”, explica. “Oito anos com o ATEEZ são uma coisa enorme para mim. Eu disse que quero viver mais experiências, então, para mim, uma experiência enorme seria ir ao espaço.”

“Meu grande modelo é David Bowie. Amo a música dele e, além desse amor pela música dele, o espaço é um dos lugares dos meus sonhos. Tenho medo de não conseguir realmente ir para lá na vida real, mas acho que posso criar esse visual em um videoclipe”, resume Hongjoong.

“Então quero viajar pelo espaço, mas é o ‘meu’ espaço, dentro da minha cabeça. Não sei quando novas colaborações vão surgir, mas este é o começo de toda a viagem, quando visito o planeta de Bazzi.”

“Cada planeta terá um tema, e o planeta de Bazzi é o tempo. Como minha vida é muito rápida, sempre senti essa falta ou deficiência. Mas, depois do planeta dele, todas as minhas emoções e pensamentos são ‘suficientes’ para mim”, comenta Hongjoong.

Apesar de falar tanto sobre aprender a encontrar satisfação no que já possui, Hongjoong mantém em perspectiva o caminho maior do ATEEZ. Em vez de acompanhar apenas o sucesso de cada dia, pensa no que permitirá ao grupo continuar avançando.

“Artistas coreanos, e artistas em geral, sempre têm altos e baixos”, afirma. “Fico muito feliz com todas as conquistas que tivemos, mas continuo me preparando para o próximo passo. Podemos cair algum dia, mas não quero deixar que exista uma distância enorme para o ATEEZ”, diz Hongjoong.

Ele também não quer que um ano como 2026, ou qualquer um de seus futuros trabalhos como artista individual ou integrante do grupo, se torne aquilo que chama de “esquecível”.

O próximo passo já aparece no fim do clipe de “ENOuGH”. Depois que Hongjoong canta com Bazzi no novo planeta, as luzes de sua nave começam a piscar, chamando o artista de volta. Ele olha uma última vez para aquele mundo antes de embarcar novamente, seguindo em direção à próxima experiência e à próxima lição que outro planeta poderá oferecer.

Questionado sobre como seria o Planeta Hongjoong, ele não precisa imaginar um. Seu lar já existe e conta com outros sete habitantes.

“Meu planeta é a Terra, na verdade”, responde, sorrindo. “Meu planeta é o ATEEZ, de agora para sempre. Minha casa é o ATEEZ, então não posso me mudar para outro planeta. Eu simplesmente vou até lá e depois volto.”

[Este conteúdo foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui.]