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Por que ‘I Got a Boy’, do Girls’ Generation, é um marco no K-pop

Sucesso de 2013 quase foi parar com Missy Elliott

Girls' Generation

Girls' Generation (YouTube/Reprodução)

Muita gente descreve o K-pop como um gênero musical, mas não é bem assim. Ao contrário do europop, a referência geográfica do termo não remete a um som específico. Remete, sim, à ideia de um pop impecavelmente produzido, que mistura uma enorme variedade de estilos.

Muitas músicas da cena sul-coreana brincaram com mudanças de tom e de andamento, mas poucas fizeram isso tão bem quanto “I Got a Boy”, sucesso de 2013 do Girls’ Generation. A faixa costuma ser comparada a “Bohemian Rhapsody”, do Queen, pela forma caótica, mas precisa, como salta de um elemento musical para outro.

Segundo a compositora Sarah Lundbäck, a gravadora concebeu a música quase como uma canção de musical.

“Eles foram muito inteligentes. Pensaram: ‘[As pessoas] ficam entediadas, é preciso manter o interesse’. Queriam muito dar à música uma atmosfera de musical, com uma narrativa. A letra seria sobre uma garota que conhece um rapaz, enquanto as amigas dizem coisas como: ‘Você é uma idiota. O que você vê nele? Ele não serve para você’. E ela responde: ‘Bom, eu tenho um namorado’.”

Veja o clipe de ‘I Got a Boy’, do Girls’ Generation

O resultado é uma história sobre namoro contada por vozes femininas, que passa de gritos de torcida e raps acelerados a vocais raivosos com pegada pop-rock, em nove mudanças de tom.

“Na minha cabeça, a ideia era: ‘Ok, podemos fazer algo maluco'”, contou Sarah. “E a sensação era mesmo de algo maluco, o que foi divertido. É totalmente fora do convencional.”

A faixa nasceu em um songcamp, encontro de compositores, com Sarah, Will Simms e Anne Judith Wik, e quase foi parar nas mãos de Missy Elliott. Quando a SM Entertainment ficou com a música, a equipe de A&R (artistas e repertório) da empresa passou dias e noites editando e desenvolvendo novas ideias para ela, segundo comunicado da divisão de produção.

“I Got a Boy” foi um sucesso imediato e estreou em primeiro lugar na parada de singles Gaon, da Coreia do Sul, hoje chamada Circle Chart. O clipe, uma explosão colorida de confeitaria visual, reforçou os elementos da música e ajudou a transformá-la em hit viral pelo mundo. O vídeo venceu a categoria Vídeo do Ano no YouTube Music Awards, premiação que teve apenas duas edições.

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Girls' Generation
Girls’ Generation (YouTube/Reprodução)

Segundo Tiffany Young, integrante do Girls’ Generation que também tem carreira solo, o ecletismo da faixa veio da necessidade do grupo de mostrar um lado novo. Parte da inspiração veio de duas empresárias que trabalhavam com as cantoras na época.

Elas incentivaram o Girls’ Generation a buscar um som mais ousado, que combinasse melhor com a fase de amadurecimento das integrantes. “Tínhamos conversado sobre querer fazer algo mais desafiador”, contou Tiffany. “Esta pareceu a música certa, porque eu nunca tinha ouvido nada parecido. É uma música que não para de surpreender.”

“I Got a Boy” mostrou o que um pouco de ousadia pode fazer quando não se prende às limitações de gênero nem à imagem que se espera de um artista.

Ao longo da década de 2010, misturar estilos virou regra no K-pop, e cada vez mais artistas passaram a fugir das fórmulas. A faixa ajudou a definir esse caminho e elevou o nível da experimentação no pop do século 21. “Acho que foi a primeira desse tipo”, disse Tiffany.

[Este conteúdo foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui].

Tiffany Young (reprodução Instagram)
Tiffany Young, solista e integrante do Girls’ Generation (Reprodução/Instagram)
Girls' Generation - HRS (Divulgação/X)
Girls’Generation – HRS (Divulgação/X)