
Jamiroquai no Rock in Rio 2026 (Daniel Pinheiro/Brazil News)
Opinião: Jamiroquai faz show no Rock in Rio 2026 com groove do início ao fim
JK dançou o show inteiro, trocou de figurino três vezes e emplacou hit após hit
Jamiroquai provou que groove não envelhece no encerramento do palco Sunset do Rock in Rio, nesta sexta-feira (11). JK entrou sem alarde e não parou mais: dançou e se moveu o show inteiro, articulou cada frase com o corpo e mostrou que tem um quê de Mick Jagger na forma de ocupar o palco. A voz segue afinadíssima, com um timbre que é só dele — ninguém canta parecido.
Jamiroquai é uma banda inglesa liderada por JK desde o início, apesar das mudanças de formação ao longo da carreira, e a música sempre esteve presente em sua vida. Sua mãe, Karen, era cantora de jazz e se apresentava em clubes do gênero. Ele saiu de casa muito cedo, passou por momentos difíceis na adolescência e encontrou na música um caminho. Batizou o projeto de Jamiroquai misturando “Iroquois” com “jam”.
Dali surgiu uma das bandas mais originais das últimas décadas e um dos principais nomes comerciais do acid jazz — movimento que ganhou força nas pistas de Londres no fim dos anos 80, misturando jazz, funk, soul e outras influências. Desde Emergency on Planet Earth, de 1993, o Jamiroquai já vendeu mais de 25 milhões de álbuns.
Essa foi a sétima passagem da banda pelo Brasil e a primeira desde 2013. A última apresentação em festival por aqui havia sido no Palco Mundo do Rock in Rio 2011, num show lembrado como morno. Anos depois, problemas de saúde de JK também reduziram o ritmo da banda — mas nada disso apareceu no palco nesta sexta-feira (11).

Foi o contrário: uma resposta. A banda tocou com groove muito firme, com destaque para bateria, baixo e percussão (o percussionista é brasileiro), além de um trio de backing vocals impecável, sem uma nota fora do lugar. O PA estava perfeito, bem mixado e cheio de pressão — como deveria ser.
JK trocou de figurino três vezes, alternando também seus famosos chapéus. Entrou chique, com um look predominantemente roxo, e foi incorporando conjuntos da Adidas — um deles do Boca Juniors, em amarelo e azul, e outro do Brasil, em verde e amarelo. Os adereços de LED piscante davam um ar de pajé digital a cada novo chapéu. O repertório foi hit atrás de hit: pop, funk e acid jazz com groove do início ao fim.
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Abriu com “Give Heed a Chance” e emendou na dançante “Little L”, com aquele baixo “slapado” que é assinatura clássica da banda. Depois engrenou de vez no super hit “Space Cowboy”, para a loucura da plateia, que cantou junto. Em “Alright”, desceu do palco para cumprimentar o público de perto e quase causou um princípio de tumulto de tanto carinho que recebeu. Na sequência veio “Travelling Without Moving”, com chapéu de luz, e a reta final trouxe “Cosmic Girl” e “Love Philosophy”.
O show, embalado de hits e grooves dançantes, se encerrou com “Virtual Insanity”, lançada em 1996 — sem exagero, um dos grandes clássicos do pop dos anos 90.
Um show desses inevitavelmente traz nostalgia para quem cresceu ouvindo Jamiroquai, como eu, mas o mais interessante foi perceber que, numa noite de K-pop, com muitos adolescentes e jovens no público, o repertório da banda continua funcionando muito bem até para quem não viveu aquela época.
O público era super diverso: de um lado, quem descobriu a banda décadas depois, pelo streaming; do outro, quem sabia cada palavra das letras dos anos 90. Todo mundo cantou e dançou junto — talvez essa seja a melhor medida da força de um repertório.
O Jamiroquai não veio ao Rock in Rio para provar nada; já provou tudo há muito tempo. Veio celebrar. E com JK nessa forma, com muito carisma e energia depois de mais de 30 anos de carreira, o show deixou um lembrete simples: groove não envelhece.
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