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JUNHEE fala sobre novo álbum, calote na turnê e envia mensagem aos fãs do Brasil

Cantor sul-coreano fala à Billboard Brasil sobre o novo álbum 'Love Method'

JUNHEE

JUNHEE (H&P Entertainment, PAN Entertainment)

Em apenas pouco mais de um ano, o cantor sul-coreano JUNHEE, de 32 anos, viralizou na internet com covers de “Guerreiras do K-Pop”, abriu sua própria gravadora, lançou o primeiro álbum solo, saiu em turnê mundial e agora retorna com um novo álbum, “Love Method”, com nove faixas inéditas.

Enquanto promove o novo projeto, JUNHEE – que começou a carreira como líder do grupo de K-Pop A.C.E – ainda é um dos concorrentes para representar a Coreia do Sul em um concurso asiático do famoso Eurovision.

Ele estava com datas marcadas para visitar a América Latina no final deste mês de agosto, mas teve que cancelar a turnê após – segundo um pronunciamento feito diretamente por ele – ter levado um calote da empresa responsável pelos shows, que ainda não havia pago parte do valor referente às datas europeias da turnê, que aconteceram no último mês de março.

Em uma entrevista por vídeo exclusiva com a Billboard Brasil, JUNHEE falou sobre a produção do novo álbum, desejo de se aproximar cada vez mais de uma audiência global e também a importância de criar laços de confiança forte com seus fãs por meio de comunicação e sinceridade. Confira!

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JUNHEE
JUNHEE (H&P Entertainment, PAN Entertainment)

Billboard Brasil: Seu primeiro álbum, “The First Day and Night”, tinha um conceito bem definido, com cada uma das faixas representando um horário diferente do dia. Qual é o conceito e a mensagem geral de “Love Method”?

JUNHEE: Com o álbum do ano passado, eu queria criar diferentes atmosferas mais focado em interferências externas. Dessa vez foquei mais nas emoções que vivenciamos internamente enquanto humanos. E, entre essas emoções, quis usar o amor como tema principal e entregar uma mensagem mais positiva dentro dessa ideia.

Qual foi o ponto de partida para esse álbum? Alguma faixa em específico, às vezes só uma ideia?

Eu já havia começado a pensar nesse álbum enquanto ainda estava trabalhando no anteiror. O objetivo do primeiro álbum era marcar o início da minha carreira como solista, então pensei que o próximo deveria ter mais histórias pessoais e também histórias com as quais as pessoas pudessem se relacionar. E acho que a direção desse álbum realmente começou a tomar forma quando comecei a fazer a trabalhar na faixa ‘5 STARS’.

Por que você escolheu “LA LA LA LUNE” como a title desse álbum?

Quando ouvi a música pela primeira vez, meu primeiro pensamento foi que provavelmente era a música mais acessível do álbum. E eu queria muito criar uma performance dessa vez e senti que ‘LA LA LA LUNE’ era a música que me fazia mais querer dançar. Eu também senti que o refrão e o gancho eram muito divertidos porque são muito viciantes, são partes que repetindo na cabeça. Então, sem muita hesitação, tanto eu quanto minha equipe sentimos que era a escolha certa.

Assim como no primeiro álbum, “Love Method” tem uma música com um participação de um integrante do A.C.E,. Como isso aconteceu?

A partir do momento em que decidi que queria lançar ‘GET OUT’, tinha uma parte de rap na música que senti que não era muito o meu estilo e eu não seria a melhor pessoa para fazer isso. Quando escutei a demo, o rap era completamente o estilo do WOW e cheguei a pensar que parecia que ele mesm havia feito o verso. Então eu não pensei nem por um segundo e liguei pra ele imediatamente. Disse ‘eu tenho essa música, você gostaria de fazer parte dela?’ e ele aceitou no mesmo instante.

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JUNHEE
JUNHEE (H&P Entertainment, PAN Entertainment)

O que é algo que você aprendeu durante o processo de criação do seu álbum anterior que resolveu repetir – ou não – durante a produção de “Love Method”?

Uma coisa que eu queria fazer desde o primeiro álbum era dar mais vida às b-sides, e não apenas ao single principal. Quando estava trabalhando no anterior, ficava pensando em como eu gostaria que as pessoas se conectassem mais com as b-sides quando as ouvissem. Fiquei pensando em como eu poderia fazer isso e senti que ter um vídeo para cada música poderia ajudar. Normalmente não se fazem vídeos para todas as faixas, só um clipe para a title, principalmente no K-Pop.

Eu queria ter feito isso já no ano passado, mas tive que desistir da ideia por conta de questões técnicas e restrições de tempo. Mas dessa vez eu realmente insisti e gravamos vídeos para todas as nove músicas. Então quando todos eles tiverem sido lançados, acredito que as histórias por trás de cada faixa e as mensagens que quero passar com cada uma ficarão ainda mais claras.

Por que você decidiu ter todas as letras do álbum em inglês e como funciona seu processo criativo, considerando que você ainda não é fluente na língua?

O primeiro motivo pelo qual faço músicas em inglês é que, pessoalmente, eu gosto muito delas e, depois de quase dez anos como cantor, cheguei à conclusão que acho mais confortável e até mais fácil cantar em inglês. Mas mais do que qualquer outra coisa, quero que pessoas de todo o mundo possam escutar e se conectar com a minha música de forma mais simples.

Naturalmente me comunico com mais facilidade em coreano, mas muito mais pessoas no mundo falam inglês, então sinto que é uma língua mais acessível para que mais pessoas possam aproveitar a minha música.

Eu ainda não sou fluente em inglês, então quando falamos sobre o processo de se fazer um álbum em si, eu não consigo fazer um álbum completo sozinho. Eu tenho a oportunidade de trabalhar com produtores conhecidos internacionalmente e também tenho minha equipe comigo que pode traduzir quando necessário. Eu levo minhas ideias e as melodias que quero criar e, por mais que eu consiga manter apenas conversas básicas, eles são músicos também e conseguem entender o suficiente do que estou querendo dizer mesmo quando explico algo de forma simplista, então comunicação nunca foi realmente uma questão.

E quando estamos trabalhando em letras, uma vez que a gente decida uma mensagem central que queremos contar, tudo fica bem mais fácil e acaba se ajustando naturalmente. Às vezes eu mesmo escrevo em inglês, mas como a minha gramática não está sempre correta, eu digo algo como ‘quero escrever letras sobre isso e isso, você pode me ajudar a montar as frases?’. E os produtores me ajudam com isso e é basicamente assim que trabalhamos juntos.

Você tem algum momento favorito ou história engraçada do processo de produção desse álbum que queira compartilhar?

Nos filmamos todos os clipes para as nove músicas do álbum em menos de três dias, e em alguns momentos das gravações eu realmente questionei se aquilo poderia me matar. Porque, além de tudo, viajamos pelo país todo nesses dias por conta das locações. Depois que terminamos me lembro de pensar ‘uau, talvez esse seja de verdade o último álbum da minha vida’.

“Forever Young” parece ser uma faixa muito pessoal, sobre sua própria jornada. O que você diria ao Junhee que era trainee 10 anos atrás se você tivesse a chance?

Acho que diria a mim mesmo para não ser tão impaciente e não perder as esperanças. Sua hora irá chegar um dia, então não tenha pressa. Eu diria para fazer as coisas com calma, seguir aprendendo e aproveitar cada novo dia.

Ouça JUNHEE

Ano passado você disse que a parte mais difícil de ser CEO da sua empresa era tomar decisões. Você ainda se sente da mesma forma?

Honestamente, hoje em dia tomar decisões não é mais tão difícil. Eu não passo mais tanto tempo pensando nas decisões em si, apenas escolho o que fazer e sigo em frente. Especialmente quando se trata de trabalho, eu não demoro muito para decidir as coisas.

A parte difícil hoje em dia é que todo mundo na empresa é, sinceramente, muito dedicado. Eles trabalham muito e ninguém tem apenas uma posição ou faz apenas um trabalho Cada pessoa assume funções de três ou quatro pessoas e está se virando com tudo isso. Então a dificuldade é realmente descobrir como criar um sistema melhor, mais claro e mais inteligente para que todos. É algo que acho extremamente desafiador. Atualmente estou tentando garantir que a equipe consiga fazer seu trabalho com o mínimo de frustração possível e que eu esteja ajudando cada um a desenvolver suas habilidades da melhor forma possível. Eu preciso liderá-los e criar um ambiente onde eles possam dar o seu melhor, mas sinceramente não é fácil.

Durante o último ano, você teve a chance de sair em turnê como solista pela primeira vez. Como foi essa experiência?

É muito difícil colocar em palavras. Eu ainda mal acredito que consegui saí em uma turnê mundial menos de um ano depois do meu debut como solista. E quando eu anunciei que ia fazer a turnê, nunca imaginei que tantos fãs realmente iriam aparecer, aproveitar os shows e me apoiar. Ainda parece um sonho. Eu acho que estava fisicamente muito cansado, mas me diverti tanto que praticamente nem me lembro do cansaço. Sinto que ganhei memórias que não vou me esquecer pelo resto da minha vida.

Ao mesmo tempo, também foi um período em que senti muita falta dos membros do A.C.E. Nós sempre fizemos turnês juntos, então seja no hotel, nas casas de show ou quando saíamos para comer, sempre estávamos juntos. Mas dessa vez eu passava muito sozinho e isso pode se tornar muito solitário. Mas aprendi muitas coisas novas com essa experiência e foi também um período que me fez mais forte e me ajudou a me tornar um pouco mais resiliente.

Você infelizmente teve que cancelar as datas da turnê na América Latina que aconteceriam no final de agosto, mas os fãs apreciaram muito o fato de você ter sido claro e sincero sobre os motivos do cancelamento. Por que é importante para você manter esse tipo de comunicação direta e honesta com os seus fãs?

A primeira coisa que gostaria de dizer é que meus fãs não são burros. E eu acho que eles merecem receber seu dinheiro de volta. Ninguém deveria passar por uma situação dessas sem um tratamento justo ou informações claras e concretas.

E, acima de tudo, foi uma promessa que eu fiz aos meus fãs. Eu disse que eu queria ir vê-los. Que eu iria vê-los. E por não ter sido capaz de manter essa promessa, achei que isso poderia fazer eles perderem a confiança em mim. É por isso que senti que deveria ser honesto com eles. Seu eu não fosse honesto ou tentasse desviar do assunto ao falar de forma vaga ou defensiva, eles iriam sentir. Eles são humanos também.

E se eu fizer algo de errado ou se tiver algo que a gente não faça bem o suficiente, eu devo apenas dizer ‘eu sinto muito’. Acho que é mais imporante se desculpar sinceramente e se esforçar de verdade para não deixar acontecer novamente.

Acho que é assim que você consegue manter uma relação de confiança com os seus fãs por muito tempo, e acredito que seja porque eles são realmente importantes para mim.

Isso é algo que eu, pessoalmente, gostaria muito de dizer. Eu pude visitar vários lugares na Ásia, Europa e Estados Unidos, mas ainda não consegui ir à América Latina. E com a turnê tendo sido sendo adiada no começo do ano e tudo mais, senti que meus fãs da América Latina podem ter se sentido deixados de lado ou negligenciados. Quero deixar claro que esse nunca foi o caso, mas, honestamente, se eu estivesse em suas posições, acho que teria ficado muito decepcionado também.

Então quero de verdade, mais uma vez, dizer o quanto eu sinto muito aos meus fãs da América Latina que estão esperando por mim. E quando eu finalmente conseguir visitá-los, eu prometo que vou compensá-los com um show tão incrível que vai superar todos esses outros sentimentos. Então eu agradeceria muito se vocês confiarem em mim e esperarem por mim um pouco mais.

Mais do que qualquer coisa, quero dizer que os amo muito, muito mesmo. Eu sinto muita saudade da paixão que vocês levam aos shows e a forma que vocês aproveitam cada performance. E quando eu finalmente conseguir voltar, espero que me recebebam de volta com mais paixão do que qualquer outro.

JUNHEE
JUNHEE (H&P Entertainment)