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Ken Casey critica Ed Sheeran após saída de Macklemore da turnê

'Você vive ou morre com quem leva na estrada', disse o líder do Dropkick Murphys

Ken Casey (à frente), vocalista do Dropkick Murphys (Divulgação)

Ken Casey (à frente), vocalista do Dropkick Murphys (Divulgação)

Ken Casey, vocalista e baixista do Dropkick Murphys, criticou Ed Sheeran após a saída de Macklemore da “Loop Tour”, turnê do cantor britânico pelos Estados Unidos. O músico abordou o caso durante entrevista à “Boston Public Radio”.

Macklemore foi retirado da programação após duas apresentações em que manifestou apoio aos palestinos e criticou as ações de Israel na guerra em Gaza.

A controvérsia levou a promotora Messina Touring Group a anunciar, em 14 de setembro, que o rapper não participaria das datas restantes. Segundo a empresa, casas e estádios haviam informado que não receberiam os shows caso Macklemore permanecesse no elenco.

“Eu sei que, como músico há 30 anos, sempre que saímos em turnê escolhemos as bandas que abrem para nós. Isso é irmandade, é família”, disse Casey. “Você vive ou morre com as pessoas que leva para a estrada. Elas são as suas pessoas.”

Ken Casey acrescentou que não concordou com a maneira como Sheeran lidou com a situação.

“E o fato de Ed Sheeran ter cedido, independentemente de qual seja a causa, e não ter ficado ao lado de seu companheiro de turnê simplesmente não me parece certo. Não é assim que o Dropkick Murphys agiria”, afirmou Ken Casey.

Por que Macklemore saiu da turnê de Ed Sheeran?

A retirada de Macklemore ocorreu após pedidos públicos para ele deixar a turnê. Robert Kraft, dono do Kraft Group, empresa proprietária do Gillette Stadium, afirmou que o rapper não poderia se apresentar no estádio em 25 e 26 de setembro.

Em comunicado, Kraft disse considerar que declarações recentes de Macklemore, materiais exibidos no palco e episódios anteriores ligados ao artista foram ofensivos à comunidade judaica.

Macklemore rejeitou a interpretação de que suas críticas ao governo israelense fossem dirigidas aos judeus. Em uma das apresentações, afirmou que criticar Israel e se opor às ações do país em Gaza não representava uma crítica à comunidade judaica.

Sheeran, por sua vez, afirmou posteriormente que a decisão de retirar Macklemore não havia sido sua, mas da promotora da turnê. O britânico disse respeitar a disposição do rapper em defender suas convicções, mas afirmou preferir usar seus shows como espaços de “segurança e acolhimento” e manter abertas as possibilidades de diálogo.

Ken Casey cita experiência do Dropkick Murphys

Durante a entrevista, Ken Casey também argumentou que promotores não deveriam determinar o que músicos podem dizer no palco. Como exemplo, citou a participação do Dropkick Murphys no Rocklahoma Festival, em Oklahoma, em 2025, quando o grupo fez críticas ao governo do presidente Donald Trump.

“Dissemos no palco o que tínhamos para dizer, como fazemos todas as noites, e provavelmente cerca de 50% do público foi embora”, contou. “Logo depois me disseram que aquilo havia irritado o dono do local, e tenho certeza de que não seremos convidados novamente.”

Ken Casey afirmou ainda que considera importante que artistas sustentem publicamente aquilo que defendem em suas obras.

“Todos os artistas que eu amava quando era criança, independentemente de qualquer coisa, defendiam aquilo sobre o que cantavam”, disse. “Quando você abre mão disso, sua música perde o valor, se quer saber a minha opinião.”

Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga desistiram de acompanhar Ed Sheeran (reprodução Facebook)
Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga desistiram de acompanhar Ed Sheeran (reprodução Facebook)

Depois da retirada de Macklemore, as demais atrações de abertura também cancelaram suas participações na “Loop Tour”. Aaron Rowe foi o primeiro a anunciar a saída. Finneas, Lukas Graham e a banda Beoga também desistiram posteriormente das apresentações programadas.

Macklemore anunciou ainda que doaria US$ 1 milhão, valor correspondente aos seus ganhos líquidos previstos com a turnê, a seis organizações que prestam assistência a palestinos. O rapper desafiou Kraft a igualar a quantia.

Kraft respondeu afirmando que Sheeran já havia lhe pedido um compromisso de US$ 2 milhões para ações humanitárias na região. Um representante do Kraft Group não esclareceu imediatamente à Billboard se o valor já havia sido destinado nem quais organizações receberiam os recursos.

[Este conteúdo foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui.]