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Maiara e Maraisa: ‘Nunca gostamos do termo feminejo’

Irmãs participaram do programa 'Nesse Canto Eu Conto', de Sandy

A dupla Maiara e Maraisa (Gabi de Morais/Instagram)

Maiara e Maraisa participaram da estreia da nova temporada de “Nesse Canto Eu Conto“, apresentado por Sandy e exibido pelo Multishow na noite de terça-feira (22). 

Na conversa, as irmãs falaram sobre os primeiros passos como compositoras, a rejeição ao termo “feminejo” e a amizade construída com Marília Mendonça (1995-2021).

Os primeiros “nãos” de Maiara e Maraisa

Antes de estourarem como dupla sertaneja, em 2016, com o álbum “Ao Vivo em Goiânia”, que trouxe hits como “10%” e “Medo Bobo”,, Maiara e Maraisa trabalhavam como compositoras e viam suas músicas serem gravadas por outros artistas, sem conseguir emplacar a própria carreira.

Maiara e Maraisa
Maiara e Maraisa participam do programa ‘Nesse Canto Eu Conto’, de Sandy (Multishow/Kelly Fuzaro)

Maraisa relembrou as dificuldades da época: “Tivemos que lidar com bastante ‘nãos’, ver todos os amigos gravando antes que nós, todo mundo tendo uma carreira, porque eram homens, e pensar: ‘Como assim? Temos talento, as pessoas gravam a nossa música’.” 

Segundo a cantora, o mercado tinha uma resistência, especialmente por elas serem mulheres tentando a sorte no gênero. “Os grandes empresários falavam na época que dupla feminina não dava certo.”

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Maiara disse que precisou de um tempo para entender que essas dificuldades eram reflexo da sociedade patriarcal, e não algo pessoal. 

Entendi que era uma revolução que tinha que fazer, é um legado que tenho que construir não só por mim, mas pelas mulheres. Viemos desse engajamento também

Questionadas sobre a expressão usada para classificar o sertanejo cantado por mulheres, Maiara foi direta: “Sou bem honesta, nunca gostei desse termo.” Maraisa concordou: “Não gostamos, a realidade é essa.” Maiara reforçou o posicionamento:

O termo é sertanejo. Independentemente se é homem ou mulher, o que manda é o talento

Amizade com Marília Mendonça

As irmãs também relembraram a proximidade que tinham com Marília Mendonça desde o início da carreira, quando as três ainda trabalhavam apenas como compositoras. Maraisa descreveu a simplicidade daquele período: “Sentávamos para compor num colchão no chão, lá em Goiânia. Era muito da simplicidade; tínhamos aquela necessidade de fazer as coisas acontecerem, as três.”

Maiara destacou o valor de uma amizade construída antes do sucesso: “Foi muito legal porque nos conhecemos antes de tudo, da fama, do trabalho, de virarmos as artistas que nos tornaríamos. Nem sabíamos se daríamos certo ou não. Então, veio a cumplicidade de uma amizade de antes.”

Quando Marília morreu, vítima de um acidente aéreo, em novembro de 2021, estava dedicada ao projeto “Patroas”, parceria com Maiara e Maraisa. Dias antes da tragédia, as três haviam se reunido para gravar o clipe de “Esqueça-me Se For Capaz”, paródia do filme “Prenda-me Se For Capaz” (2002).

Maraisa relembrou, com a voz embargada, aquele momento: “Como não sabíamos o que iria acontecer, foi um dos melhores dias da nossa vida.” 

Ela contou que as gravações aconteceram tanto em estúdio quanto em um aeroporto, e que retornar àquele lugar depois trouxe sentimentos difíceis: “Lembro da primeira vez que fui decolar ali, e uma coisa conectava à outra, e eu pensava: ‘Por quê?’. Sabe aquelas coisas de negação?”

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Ainda emocionadas, as irmãs comentaram a maternidade da amiga, que deixou um filho, Léo, de seis anos, fruto da relação com o cantor Murilo Huff. Maraisa falou sobre como Marília conciliava a carreira com a criação do filho: “Ela mostrou para mim que é possível ser mãe na estrada”.

Apesar da saudade, as duplas encerraram a conversa celebrando o que viveram ao lado da amiga. Maiara concluiu: “Temos que dar graças, porque tivemos uma honra a mais de ter convivido com uma pessoa que é ímpar, fora da curva, fora do normal.”

Sandy, Maiara e Maraisa
Sandy, Maiara e Maraisa (Globo/Divulgação)