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Olivia Rodrigo floresce em estreia de turnê: 5 melhores momentos

Show em Hartford tem hit atrás de hit e um vestido que se desfaz

Olivia Rodrigo (Christopher Polk/Billboard)

Olivia Rodrigo (Christopher Polk/Billboard)

Quando você escreve há mais de cinco anos e meio sobre por que vale a pena ouvir Olivia Rodrigo e três álbuns completos sem nenhuma faixa para pular depois, só agora a vê ao vivo pela primeira vez, leva um tempo para organizar o que você quer dizer.

“Não acredito que estamos aqui”, disse Olivia algumas músicas depois do início da noite de estreia da “The Unraveled Tour”, no dia 25 de setembro.

Houve pontos altos indiscutíveis no setlist e visuais impressionantes no lançamento da turnê de arenas em Hartford, Connecticut. Havia flores cor-de-rosa por toda parte, e em algum lugar existia um estoque infinito de mais rosa e mais flores ao alcance da equipe de palco, que repunha qualquer uma que saísse do lugar. Essas flores devem ser o item número 1 do rider de Olivia.

E dessas flores cor-de-rosa e brancas, em meio ao canto de pássaros e grilos, surgiu a estrela da noite, na primeira de duas datas na PeoplesBank Arena, em Hartford. Literalmente: ela se levantou de um campo de flores silvestres no chão do palco, onde deu início ao show com uma “Drop Dead” cheia de fantasia. Ela floresceu diante de uma arena esgotada no meio da pacata Connecticut, numa sexta à noite, com um público majoritariamente feminino, mas com homens suficientes para dar conta da divertida parte vocal grave de “Expectations” e, provavelmente, derramar uma ou duas lágrimas com “Drivers License”, como você também vai derramar.

Havia famílias de todos os tipos, com aquele tipo de pai ou mãe sentado atrás de você que ensina as crianças a prestar atenção no show de abertura. Uma boa decisão neste caso, já que o Wolf Alice fez um ótimo trabalho aquecendo o público. Entre as favoritas de Olivia estão “You’re a Germ” e “Bros”. “Se vocês ainda não ouviram, deveriam mergulhar fundo na banda”, disse ela durante o show, depois de tocar “Happy Birthday” ao piano para a mãe.

A “Unraveled Tour” é um show para todas as idades (tá, tudo bem, tem um palavrão ou outro) e, por causa das influências de Olivia e de uma banda de apoio excelente, tem clima de show de rock. Há momentos de piano-pop lindos e de partir o coração, como a inescapável “Drivers License”, mas a maioria das faixas mais lentas de “you seem pretty sad for a girl so in love” ganha cara de balada rock ao vivo no palco da turnê. E há hinos como “Expectations” e “All-American Bitch”, destaques imperdíveis de um setlist que, sinceramente, não tem nenhum ponto fraco.

Com material de três álbuns à disposição, Olivia montou um setlist para 2026 que acerta em todos os pontos.

Ela também acertou, na primeira noite desta grande turnê esgotada, que, por todos os relatos, foi alegre e sem nenhum tropeço. Além do compromisso com o tema floral, houve chuva, neve e confete caindo do alto, e um telão para captar os detalhes. Olivia sabe muito bem trabalhar com a câmera para fazer a performance e as emoções parecerem próximas, mesmo para quem está bem longe do palco.

Com tudo de “GUTS” e “SOUR” para escolher e apenas duas horas de show, algumas músicas tiveram que ficar de fora. Do álbum mais recente, “What’s Wrong With Me” infelizmente não entrou no repertório, mas é uma ausência compreensível, já que Robert Smith não está em turnê com ela.

Olivia circulou por um palco principal grande e curvo em Hartford, que garantiu ótima visão de todos os ângulos durante a maior parte da noite, mas foi para o pequeno palco B, circular, na que seria a melhor performance da noite (“The Cure”, encharcada de chuva e catártica). Ela também apareceu inesperadamente num palco ainda menor para uma linda versão de “Stupid Song”, cercada de fãs que faziam às vezes de coral. As três opções de palco deram a quem tinha ingresso de pista uma chance justa de ficar perto de Olivia.

Veja abaixo cinco dos melhores momentos da noite de estreia da “Unraveled Tour” em Hartford. Menção honrosa para ficar de olho no seu show: a transformação impressionante de “Cigarette Smoke”, que deixa de ser a faixa lenta que fecha o álbum para virar uma terapia rock angustiada no meio do show.

Olivia Rodrigo
Olivia Rodrigo (Nick Walker)

‘Drivers License’ ainda funciona

Se você está se perguntando se “Drivers License” ainda consegue fazer uma mulher adulta chorar cinco anos depois de ouvi-la pela primeira vez, a resposta é sim. Consegue.

Seria mentira deixar essa performance-ápice fora de uma lista de melhores momentos. O hit de projeção de Olivia, que fecha uma sequência de três músicas ao piano na ponta curva do palco principal, ainda bate forte, principalmente ao lado de milhares de pessoas que sentem o mesmo. A arena, que parecia estrelada graças às pulseiras luminosas distribuídas a cada pessoa com ingresso, ecoou com o público cantando junto o famoso desabafo com palavrão da música. Isso depois que outras duas canções de paixão obsessiva, uma “Honeybee” especialmente triste e “Favorite Crime”, já tinham deixado todo mundo emocionado.

Encontros de perto com o público

É preciso um certo talento para tornar íntimo um show de arena cheio de grandes hits pop. Olivia conseguiu isso com a ajuda de vários palcos espalhados pela ampla área da pista, incluindo o palco principal curvo, um pequeno palco B circular e um minipalco, grande o suficiente apenas para ela ficar de pé sozinha. Ela também tirou um tempo para criar pequenos momentos com fãs que provavelmente significaram tudo para essas pessoas.

Olivia passou por diferentes trechos da grade, onde parava, aparentemente por impulso, para cantar com alguém ou simplesmente segurar uma mão. Às vezes, uma festinha rápida de dança. Pelo menos uma vez, pareceu posar para uma selfie. A segurança ficou ao lado dela, mas não atrapalhou a interação com os fãs.

Em outro momento da noite, ela cantou uma música inteira (“Less”) sentada na escada do palco B, na altura dos olhos e ao alcance das mãos de quem estava na pista premium.

A sensação de proximidade só deve ficar mais forte conforme a turnê avança e Olivia fica cada vez mais à vontade com o show, já que o palco vai ser sua segunda casa pelos próximos meses.

A festa de aniversário

A comemoração de 25 de setembro foi dupla: o lançamento da “Unraveled Tour”, em todo o seu esplendor de flores silvestres, e um aniversário muito especial. Olivia conduziu a arena num “Happy Birthday” doce e sem ensaio ao piano para a mãe, que estava em algum lugar da plateia, depois de dizer: “Ela é a melhor mãe que uma garota poderia pedir. Eu não estaria aqui, nem em lugar nenhum, sem o amor e o apoio constantes dela.”

“Eu poderia chorar, p*rra, eu amo tanto ela”, disse Olivia. “Será que vocês poderiam cantar ‘Happy Birthday’ para ela por mim? Vocês conseguem? O nome dela é Jenny.”

Encerramento com ‘Expectations’

“Expectations” foi tão excelente ao vivo quanto se imagina. Olivia se soltou nessa ode atrevida a subir um pouco o nível das exigências nos relacionamentos, deixando o lado brincalhão brilhar enquanto dominava o palco com o que parecia ser seu jeans favorito e uma regata branca.

Olivia também assumiu o papel de regente de coral. Ela pediu que os homens da plateia cantassem um trecho do refrão com uma voz grave exagerada, enquanto as mulheres cantavam o mesmo verso num tom mais agudo, imitando as divertidas camadas vocais da faixa no álbum “you seem pretty sad for a girl so in love”.

“Expectations” deixou os fãs querendo mais, mas não houve bis. A música encerrou a noite de estreia.

Lista de desejos pessoal: Olivia encaixar mais um sucesso para agradar o público conforme a turnê ganha sua forma definitiva. (Ah, e talvez um convite da próxima vez que Robert Smith estiver por perto para “What’s Wrong With Me”.)

Catarse em ‘The Cure’

Salvo convidados surpresa, novas músicas no setlist ou imprevistos, o assunto mais comentado da “Unraveled Tour” vai ser “The Cure”.

Como se “The Cure” já não fosse um destaque do jeito que está no álbum de 2026 de Olivia, ela foi além e transformou a música no grande momento visual da noite de duas horas e 23 músicas.

No palco B, mais ao fundo da pista e com fãs ao redor, Olivia se entregou por completo nessa performance em Hartford. Ela ficou emocional e visivelmente “desfeita” (unraveled, em inglês) enquanto uma chuva caía só sobre ela e desintegrava seu vestido. O tecido se desfez e revelou um body vermelho por baixo. Ela tirou os pedaços restantes e encontrou sua voz na ponte de “The Cure”, um apelo por cuidado e por algo que finalmente seja suficiente.

Ver esse momento catártico pela primeira vez foi um presente para o público da noite de estreia. Ele vai continuar surpreendendo quem conseguir fugir dos spoilers antes de ir a um show da turnê, mas, se a curiosidade falar mais alto, tudo bem. (Sem pressão, mas dá para ver aqui.) “The Cure” é um momento que vai continuar encantando ao vivo na “Unraveled Tour”, e que não dá para perder.

Olivia Rodrigo (Christopher Polk/Billboard)
Olivia Rodrigo (Christopher Polk/Billboard)
Olivia Rodrigo (Christopher Polk/Billboard)
Olivia Rodrigo (Christopher Polk/Billboard)

Ouça Olivia Rodrigo

[Este conteúdo foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui]