PRISCILLA detalha criação de ‘ECO’ e futuro como artista independente
Cantora detalha novo álbum, influências e os próximos passos da carreira

PRISCILLA (Reprodução/Mateus Aguiar)
PRISCILLA experimenta pela primeira vez a independência musical com “ECO”, seu terceiro álbum de estúdio voltado ao pop.
O projeto une referências do R&B e dos anos 2000 a vivências pessoais, refletindo uma liberdade criativa que define seu atual momento profissional.
Em entrevista à Billboard Brasil, a cantora detalhou o processo de criação, a influência dos sonhos nas faixas e o desafio de assumir o lado empresarial da própria carreira, além dos planos de turnê para 2027.
“Sempre que lanço um álbum novo é uma mistura de emoções. Tem aquela gratidão de ter concluído algo de que você tem orgulho, com que você se sente satisfeita. E também a emoção de ver isso acontecendo no mundo agora”.
“Quando você lança um álbum, aquilo já não é mais seu, agora é do público. E, como a própria filosofia do álbum traz a questão do eco, vamos ver onde essas músicas ecoam, até onde elas chegam. Tem sido muito gostoso poder assistir às pessoas curtindo.”
+ Leia mais: Qual é o álbum favorito de Priscilla? Cantora responde

Nascido dos sonhos
Parte importante de “ECO” nasceu da relação que PRISCILLA mantém com o próprio inconsciente. Ela procurava um nome para o projeto quando sonhou com a irmã sugerindo o título atual.
Essa conexão vai além do nome do disco: a faixa “Destino”, por exemplo, surgiu após a cantora acordar de madrugada com lampejos da composição.
Para a artista, são episódios assim que carregam a verdadeira magia da arte: “O meu inconsciente é um ótimo aliado meu. Eu sempre tive essa conexão com sonhos. Sou uma pessoa muito sensitiva. Eu sinto muito e acho que Deus também fala muito comigo por meio dos meus sonhos.”
“Eu fui dormir com a cabeça em escrever uma música bem metafórica. Aí acordei de madrugada com palavras-chave de algumas frases. Ela veio do jeito mais fácil do mundo, porque eu literalmente acordei, sentei no estúdio, fiz o download completo da música e ela nasceu.”
Essa espiritualidade dialoga diretamente com sua transição do gospel para o pop. Em “ECO”, PRISCILLA explica que não tenta separar essas diferentes dimensões de sua identidade:
“Tudo que eu faço, eu coloco tudo de mim. Acho que todas as esferas da minha vida se encontram quando eu crio alguma coisa e faço nascer algo de mim.”
“Aquilo que eu penso, aquilo que eu creio, aquilo que eu sinto, acho que está tudo ali. É muito gostoso ter essa noção da sua existência a ponto de você conseguir materializá-la em alguma obra.”

Se o álbum anterior, “PRISCILLA”, foi o primeiro passo explícito em direção ao pop, o novo trabalho escancara sua essência sem filtros:
“Eu acho que esse álbum coloca tudo para fora. No penúltimo álbum, eu também me realizei colocando algo que estava escondido, que era uma versão pop de mim.”
“ECO também vem cumprindo esse papel de deixar tudo às claras. A minha paixão pela música, os meus gostos pessoais, o meu jeito de cantar, o meu jeito de escrever. Fiz questão de não esconder nada.”
Os anos 2000 que ecoam em “ECO”
As referências estéticas e sonoras aos anos 2000 nos visualizers do projeto não são coincidência.
Ela buscou resgatar a atmosfera de uma década fundamental para sua formação musical, inspirando-se em videoclipes marcantes da época, como “Too Little Too Late”, da cantora JoJo.
A proposta, contudo, passa longe de uma reprodução literal, focando mais na energia daquela era e no mergulho em gêneros como o R&B clássico e o soul:
“A janela de 2000 a 2010 foi a que me formou musicalmente. Desde as influências que eu mais consumia, o soul, o R&B, e tudo que era pop desses dez anos. Toda a discografia das vocalistas, das girl groups. Eu me alimentei muito disso musicalmente.”
“Acho que foi uma década que não era só música. Era uma atmosfera, uma presença diferente. Tem vários códigos daquela época que a gente não usa mais no pop de hoje e que, pelo menos para mim, faziam toda a diferença na forma de consumo.”
“Eu via o clipe da JoJo e queria estar vivendo exatamente aquilo. No chuveiro, eu fingia que estava vivendo. Na janela do carro, eu fingia que estava vivendo. Então, trouxe esses códigos que acho que a gente não pode perder e que sempre foram muito marcantes no pop.”

Ao lado do marido e produtor Laudz, a estratégia foi estudar movimentos inteiros em vez de emular cantores específicos, garantindo a originalidade do projeto:
“Acho que o jeito mais seguro de você usar uma influência é não sendo literal. A gente preferiu mergulhar em gêneros, na sua totalidade, em décadas, do que em uma coisa específica. A gente queria autenticidade, o meu som.”
Além da sonoridade, o novo projeto marca a estreia de PRISCILLA no mercado independente.
A mudança expandiu seu controle criativo, mas exigiu que ela assumisse responsabilidades burocráticas, jurídicas e digitais que antes ficavam a cargo de uma grande gravadora. Dividindo-se em dupla jornada, ela detalha a nova rotina corporativa.
“Tudo independente é mais difícil. Tenho pessoas que trabalham hoje comigo; consegui fechar um time muito legal para me dar esse suporte, mas tem os seus desafios.”
“Hoje eu não posso mais estar no lugar só do artístico, de entrar, gravar, produzir um álbum e entregar a master. Agora eu tenho que estar sabendo de tudo: parte burocrática, jurídica, digital. Além de, nas horas vagas, ser compositora e cantora.”
“Hoje eu sou minha própria empresária. Então, é bastante gente para coordenar, bastante detalhe em cada projeto. Por mais que as pessoas trabalhem comigo, eu tenho que estar a par de tudo, atenta a tudo.”
Apesar do peso extra no planejamento financeiro e operacional, a cantora celebra o bônus de ser dona do próprio trabalho.
“Demanda mais atenção e planejamento. Mas, ao mesmo tempo, te dá toda a liberdade que você quiser para produzir algo em que você acredita, do jeito que você quiser, quando você quiser.”
“Tudo tem seus prós e contras, mas hoje eu tenho vivido muito mais os prós. Viver esse momento independente tem me dado muita segurança, muita satisfação também. Se é difícil entrar no que já existe, vamos criar novos [negócios].
Essa vivência de mercado gerou um desdobramento social. Com a iniciativa “Ecos Independentes”, PRISCILLA abriu uma convocatória nas redes sociais para impulsionar artistas iniciantes.

O projeto superou a marca de 100 mil comentários e selecionou quatro nomes: Dora Sanches, Gabi Lins, Gabriel Nandes e Merak Nina.
Diante do volume massivo de inscrições, a curadoria exigiu um olhar atento que fosse além do talento vocal.
“Nem eu esperava uma repercussão dessa. De fato, o projeto se tornou muito maior do que era.”
“Fui fazendo essa curadoria baseada no 360 do artista. Não era só um artista com uma voz boa. Eu queria um artista que já estivesse trabalhando um single, uma discografia, que você enxergasse ali um cuidado com imagem, com vídeo. Por mais simples que fosse, mas que você realmente enxergasse um artístico vindo daquele artista.”
A ação reflete uma forte postura crítica e proativa sobre o funcionamento e o acesso à indústria da música no país.
“É difícil acessar alguns lugares na indústria musical, todo mundo sabe. Então, diminuir essa dificuldade criando outros espaços. Se é difícil entrar no que já existe, vamos criar novos.”
“Eu acho que o céu é o limite para o ‘Ecos Independentes’, para realmente trazer de volta o propósito de fazer música no coletivo, desse poder genuíno da paixão pela música. Acho que isso reacende coisas muito importantes na gente.”
Ao ser questionada sobre a sua canção favorita no novo disco, ela hesita.

Embora todas as dez faixas já tenham ocupado o topo de sua preferência ao longo das gravações, ela confessa que “Sua Demais” tem se destacado nos últimos dias.
O carinho igual por todo o repertório reflete o seu nível de entrega no estúdio.
“Acho que todas já passaram por essa roda da favorita. É muito difícil para mim, porque trabalhei tanto nessas músicas, me envolvi tanto com cada uma delas. E, honestamente, acho que todas são no mesmo nível.”
Agora, o foco principal se volta para os preparativos da turnê, cujo objetivo é traduzir a energia e os conceitos visuais do álbum diretamente para os palcos a partir de 2027.
Escute ‘ECO’ de PRISCILLA
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