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Retorno de Céline Dion: 5 destaques da 2ª noite de residência em Paris

Show provou que simplesmente não existe ninguém como a cantora

Céline Dion

Céline Dion (Grosby Group)

Foi há pouco mais de dois anos que Céline Dion fez um voto público: “Se não puder correr, andarei. Se não puder andar, rastejarei. Mas não vou parar”.

A declaração foi feita perto do final do documentário de 2024 de Dion, “I Am: Céline Dion”, que narrou a batalha da superestrela canadense contra a síndrome da pessoa rígida, um distúrbio neurológico autoimune raro que causa rigidez muscular e espasmos dolorosos.

Este documentário expandiu sua revelação de 2022 de que ela tinha a doença e seu anúncio de 2023 de que estava cancelando todos os seus shows programados enquanto lidava com o SPS, uma condição que, em uma ironia cruel, privou Dion – amplamente reconhecida como uma das maiores cantoras de todos os tempos – de sua habilidade de cantar.

A cena em que Dion faz essa afirmação acontece no final do documentário, próxima a outra cena que a mostra em meio a um espasmo angustiante de SPS que a deixa capaz de se comunicar apenas apertando as mãos. O filme não ofereceu, nem garantiu, um final feliz.

E ainda assim, haveria um. Antes desta semana, já sabíamos que Céline Dion havia percorrido um longo caminho para recuperar a saúde e a voz, por meio de sua aparição surpresa como cantora durante a cerimônia de abertura das Olimpíadas de 2024 em Paris.

+ Leia também: Céline Dion diz que música de Adele ‘Teve um impacto muito grande em sua vida’

Céline Dion se apresentou na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Paris
Céline Dion (Isabelle Souriment / Hans Lucas via Reuters Connect)

Em abril, ela anunciou uma residência de retorno de 16 datas na Plenitude Arena da capital francesa, com mais de nove milhões de pessoas entrando na loteria para ter a chance de comprar ingressos para essas apresentações e outros 10 shows anunciados posteriormente, acontecendo no mesmo local em maio deste ano.

Mas, apesar do que já sabíamos, ver Céline Dion pessoalmente na segunda noite de sua residência artística ainda pareceu algo milagroso — uma vitória épica na jornada de uma heroína, digna de uma diva vestida de haute couture.

Na quarta-feira (16), Dion não apenas caminhou pelo palco; ela desfilou e dançou, exibindo toda a imagem do ícone mundialmente amado que conhecemos há décadas, mas parecendo ainda mais magnífica diante de tudo o que sabemos que ela enfrentou e do enorme esforço que dedicou para retornar pelos seus fãs — e por si mesma.

Aqui estão cinco pontos de destaque da segunda noite da residência de retorno de Céline Dion em Paris.

Dion parece nunca ter ido embora
O show começou às 20h35, quando Dion surgiu no palco sob os aplausos entusiasmados de mais de 30 mil pessoas reunidas diante dela. Enquanto o vídeo da apresentação de estreia (12) viralizou instantaneamente — com fãs registrando Dion emocionada e chorando logo no início de seu primeiro show ao vivo em mais de seis anos —, na segunda noite ela pareceu ficar com os olhos marejados, mas acabou segurando as lágrimas.

Em vez disso, ela apenas estendeu os braços para saudar o público e ergueu os punhos, exibindo braços bronzeados e perfeitamente tonificados enquanto abria um largo sorriso. Vestindo um modelo Dior preto sem alças — um vestido que já havia ficado famoso na internet após a primeira noite —, ela parecia verdadeiramente radiante, a própria imagem de saúde e vitalidade.

Repertório em francês revelou uma superestrela global que a maioria do público americano não conhece plenamente
Assim como na primeira noite, o show de quarta-feira começou com “On Ne Change Pas”, do álbum de Dion de 1998 em língua francesa “S’il suffisait d’aimer” — o segundo álbum em francês mais vendido de todos os tempos, atrás apenas de “D’eux”, também de Dion (lançado em 1995).

Tal como na estreia, cerca de metade do repertório consistia em canções de Dion em francês; uma escolha apropriada, é claro, para uma série de shows de retorno realizada na França.

A maior parte de suas falas no palco também foi feita em francês, embora ela tenha dito em inglês: “Sei que há muitos de vocês aqui hoje à noite, vindos de todas as partes do mundo. Muito obrigada por terem vindo. Se for a primeira vez de vocês em Paris, espero que se apaixonem pela cidade assim como eu.

Finalmente, estamos todos juntos. Prometi voltar aos palcos e aqui estou eu: cantando para vocês, cantando para mim, cantando ao vivo. Muito obrigada pelo apoio e pela paciência. E, se me permitem dizer: sou tudo o que sou porque vocês me amaram”.

Essa fala serviu como uma transição perfeita para seu sucesso de 1996, “Because You Loved Me” — uma canção que, na quarta-feira, ganhou um significado emocional ainda maior, considerando a doença e a recuperação de Dion.

Para um americano na plateia menos familiarizado com o repertório em francês de Dion, a apresentação dessas músicas foi reveladora, mostrando uma faceta da superestrela que o público dos EUA raramente tem a chance de ver. Dion é famosa nos Estados Unidos e no mundo de língua inglesa desde o início dos anos 90, quando ganhou destaque com o sucesso que a consagrou em 1993 (e seu primeiro número 1 na parada Hot 100), “The Power of Love”.

Assim, ver milhares de falantes nativos de francês — desde jovens na casa dos 20 anos até pessoas aparentando ter 70 anos — cantando cada palavra de músicas de Dion menos conhecidas pelos ouvidos americanos ajudou muito a ampliar a imagem dela como uma superestrela global, dona de um repertório de sucessos muito mais vasto do que aquele que costuma tocar nas rádios dos EUA.

Sua voz está inequivocamente de volta
Para quem não conhece muito bem o repertório em francês de Dion, houve aqui uma oportunidade interessante — e talvez muito oportuna — de ouvi-la cantar músicas despidas de significados pessoais ou culturais. Pôde-se ouvir e apreciar a voz dela pela sua própria qualidade, criando a chance de observar atentamente o estado atual desse instrumento famoso, agora que Dion o reconstruiu ao assumir a residência de shows em Las Vegas.

Dada a elegância, o perfeccionismo e a qualidade de nível mundial que sempre marcaram a trajetória de Dion, é pouco provável que ela tivesse voltado aos palcos sem a capacidade de cantar como, bem, Celine Dion. Mas, se alguém temia que ela não conseguisse alcançar todas as notas, esses receios foram dissipados sempre que ela cantou na noite de quarta-feira — e, claro, especialmente quando atingiu certas notas, como o clímax arrebatador de “The Power of Love” (clássico de 1993) na frase “the power of loooooooove”. Foi um momento em que Dion cantou de olhos fechados e postura firme, com uma voz tão poderosa que parecia emanar de todo o seu ser.

Mais tarde, veio o momento marcante do bis: a banda parou de tocar, a plateia silenciou e Dion, cantando *a cappella*, executou com perfeição todas as vocalizações e a nota aguda de “All By Myself”, o grande sucesso de 1996 que sempre rouba a cena. O momento não apenas provocou aplausos entusiasmados, mas também fez com que desconhecidos trocassem olhares entre as fileiras, numa expressão mútua de incredulidade: “Dá para acreditar nisso?”

Ela cantou uma ária de ópera vestindo uma capa rosa enquanto neve artificial caía.
Mais cedo naquela noite, antes do triunfo do bis, uma estrutura semelhante a um penhasco ergueu-se no palco, e Dion caminhou até a sua borda vestindo um vestido prateado cintilante da Givenchy e uma deslumbrante capa de organza rosa em tiras.

Desse ponto elevado, ela cantou “Ebben? Ne andrò lontana”, a famosa ária da ópera italiana “La Wally” — uma obra fortemente associada a Maria Callas, a lendária cantora de ópera que Dion frequentemente cita como ícone e fonte de inspiração.

Interpretar uma canção tão ligada a uma ídola é uma demonstração clara da confiança que Dion tem atualmente em sua voz. Vê-la cantar essa música, com aquele figurino e sob a neve artificial que caía suavemente sobre ela e a plateia, valeu, por si só, o preço da viagem a Paris.

O mundo fica simplesmente melhor com o retorno de Céline Dion
Houve, é claro, os megassucessos globais: quatro backing vocals fizeram a abertura coral de “My Heart Will Go On”, do sucesso de bilheteria “Titanic” (1997), com Dion surgindo em seguida (vestindo uma criação sob medida da Schiaparelli) e interpretando a canção com força total.

(A associação de Dion com o filme é tão forte que a banca de produtos oficiais chegou a vender réplicas do famoso colar “Coração do Oceano”, com seu diamante azul, do longa.) Ela emendou esse clássico do cinema com outro: a música-tema de “A Bela e a Fera”, da Disney (1991) — uma dobradinha que, para quem viveu aquela época, funcionou como uma verdadeira viagem nostálgica à infância e à adolescência.

O mundo mudou muito desde aqueles anos, e até mesmo desde a última vez que Dion se apresentou em público. As coisas agora parecem mais cruéis, mais difíceis, mais incertas. Talvez seja por isso que o retorno de Dion pareça mais do que apenas uma volta aos palcos; parece uma correção de rumo.

O mundo fica mais alegre, mais elegante e mais divertido com Céline Dion sob os holofotes. Na noite de quarta-feira, em Paris, ela não retornou rastejando, mas sim com os braços erguidos em triunfo, visivelmente tomada pela adoração de 30 mil pessoas que, talvez, precisassem tanto do retorno dela quanto ela precisava voltar. Um mundo com essa versão de Céline Dion é aquele em que queremos viver.

Ouça Céline Dion

[Este conteúdo foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui].