Published by Mynd8 under license from Billboard Media, LLC, a subsidiary of Penske Media Corporation.
Publicado pela Mynd8 sob licença da Billboard Media, LLC, uma subsidiária da Penske Media Corporation.
Todos os direitos reservados. By Zwei Arts.

Rock in Rio: seis shows para ficar de olho no primeiro fim de semana

Rodrigo Lampreia destaca encontros entre gerações e gêneros no festival

Rock in Rio 2026

Rock in Rio (Divulgação/Rock in Rio)

O primeiro fim de semana do Rock in Rio reúne artistas de diferentes gerações, estilos e momentos da música. Para Rodrigo Lampreia, do Soho Music Group, seis apresentações se destacam justamente pela capacidade de criar encontros entre universos que, à primeira vista, parecem distantes.

Entre rap e rock, pagode e Motown, bossa nova e pop, jazz e Gen Z, a programação escolhida por Lampreia passa ainda por um dos maiores nomes da música mundial. “São seis shows, seis gerações, e uma coisa em comum entre todos eles: são sobre encontros”, afirma.

O primeiro destaque é Major RD, que se apresenta no Espaço Favela no sábado. O rapper carioca vem ampliando os diálogos entre hip hop e rock, uma combinação que faz sentido para Lampreia, especialmente em um dia de programação fortemente ligada ao gênero que batiza o festival.

“Ele cresceu ouvindo rock, já colaborou com Titãs, com Planet Hemp e vem construindo essa ponte entre dois universos que, na verdade, sempre tiveram muito mais em comum do que parece”, comenta. “Sempre falo que a atitude do rock antiga é a atitude do rap hoje.”

No domingo, o encontro familiar ganha espaço com Bento Gil, que convida Flor Gil para sua apresentação no Global Village. Os dois são netos de Gilberto Gil, que sobe ao Palco Mundo no dia seguinte.

Para Lampreia, a apresentação representa uma nova geração da família Gil construindo sua própria identidade artística dentro de um festival que também recebe o avô. “Eu gosto muito dos dois. São talentosos, sensíveis, tocam e cantam muito bem”, afirma.

Péricles mergulha no universo da Motown no Rock in Rio

Na segunda-feira, é a vez de Péricles levar sua experiência como intérprete do pagode brasileiro para o repertório da Motown no Palco Sunset. A apresentação reúne clássicos associados a nomes como Stevie Wonder, Marvin Gaye e Jackson 5.

Lampreia vê uma conexão natural entre as duas tradições. “Eu sempre imaginei o Pericão nesse lugar. Acho que tem tudo a ver pela voz e pela conexão que ele tem com essa história da música americana”, diz.

Para ele, o encontro também evidencia como a música negra norte-americana influenciou profundamente a produção brasileira. “São duas tradições fundamentais da música negra popular se encontrando no mesmo palco.”

Outro encontro de gerações acontece no Palco Mundo, com Luísa Sonza dividindo a apresentação com Roberto Menescal. A parceria dá continuidade ao diálogo construído no álbum de bossa nova da cantora.

“Talvez seja o encontro mais improvável dessa primeira semana”, avalia Lampreia. De um lado, uma das principais artistas do pop brasileiro contemporâneo. Do outro, um dos nomes fundamentais da bossa nova.

Ele destaca ainda a forma como Sonza incorporou o gênero ao próprio repertório. “A Luísa vai muito bem cantando bossa nova. Tem delicadeza, respeita o repertório, conhece e, ao mesmo tempo, leva aquilo tudo para o universo dela.”

Laufey aproxima a bossa nova da Gen Z no Rock in Rio

No Palco Sunset, Laufey representa outro tipo de encontro. A artista islandesa de ascendência chinesa construiu uma carreira conectando jazz, música clássica e bossa nova a uma audiência majoritariamente jovem.

Lampreia já acompanhou uma apresentação da cantora no Parque Ibirapuera e se surpreendeu com a resposta do público. “Fiquei impressionado vendo a Gen Z cantar absolutamente tudo. Tinha muito fã”, lembra.

Para ele, o fenômeno vai além de uma artista jovem resgatando referências antigas. “Não é só uma artista jovem recuperando referências antigas. É um público novo criando uma relação própria com essas músicas e essas linguagens.”

Fechando a seleção, Elton John sobe ao Palco Mundo para seu único show no Brasil. Depois de encerrar a turnê de despedida em 2023, o artista voltou aos palcos em apresentações especiais e agora integra a programação do Rock in Rio.

“Não precisa de muito argumento”, brinca Lampreia. Para ele, a principal força da apresentação está no repertório. “Elton John é um dos maiores repertórios da história da música popular global.”

São canções que atravessaram décadas e gerações, reforçando a ideia que conecta os seis shows escolhidos por Lampreia: mais do que reunir grandes nomes, o Rock in Rio pode funcionar como espaço para aproximar públicos, linguagens e diferentes momentos da história da música.

“São muitos shows incríveis na curadoria maravilhosa do Zé Ricardo e seu time. Sempre contando histórias, provocando pensamentos, fazendo com que a gente também ouça e busque o que a gente nem sabia que queria”, afirma.

Lampreia promete voltar na próxima semana com uma nova seleção, desta vez dedicada ao segundo fim de semana do festival. “Estou indo para o Rio para curtir o Rock in Rio. A gente se vê na Cidade do Rock.”

+ Leia mais: Rock in Rio 2026: 5 palcos e mais de 120 shows ganham transmissão