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Por que ADÉLA é a nova grande promessa do pop?

Cantora já soma hits no Billboard Hot 100 e mais de meio bilhão de streams

ADÉLA (Luisa Opalesky)

ADÉLA (Luisa Opalesky)

ADÉLA, cantora presente no Hot 100 e mais de meio bilhão de streams, reconhece a ironia por trás de “Ain’t in LA”, um dos sucessos de “PRIMA”, seu álbum de estreia, lançado em setembro.

A faixa, um hino pop com ecos dos anos 2010, rejeita a romantização da fama e parte da ideia de que Los Angeles não é exatamente tudo aquilo que parece. Ainda assim, a cantora eslovaca, de 22 anos, ri ao lembrar que “Ain’t in LA” foi, na verdade, gravada justamente na cidade.

“Eu estava meio cansada da cultura das celebridades”, conta, com um sorriso irônico, antes de reconhecer outra contradição. “E aí eu tenho uma música chamada ‘Nicole Kidman’.”

As duas faixas acabaram entrando na Billboard Hot 100. “Ain’t in LA” marcou a estreia de ADÉLA no ranking em agosto e chegou ao 27º lugar na parada de 3 de outubro.

Já “Nicole Kidman” alcançou uma posição ainda mais alta: o 11º lugar na mesma semana. Talvez a maior ironia, porém, seja outra. ADÉLA acabou se transformando em uma das estrelas que “Ain’t in LA” questiona colocar em um pedestal.

+ Leia mais: ADÉLA lidera charts da Billboard com álbum de estreia, ‘PRIMA’

ADÉLA (Luisa Opalesky)
ADÉLA (Luisa Opalesky)

Criada a milhares de quilômetros do letreiro de Hollywood, em Bratislava, na Eslováquia, ADÉLA passou a infância estudando as estrelas do pop norte-americano.

Miley Cyrus, Ariana Grande e Britney Spears estavam nos pôsteres que decoravam as paredes de seu quarto.

Ela conta que sempre quis ser artista e começou a se preparar cedo para isso: durante anos, treinava balé durante o dia e estudava inglês à noite.

Em 2023, surgiu sua maior oportunidade até então. ADÉLA participou do “Dream Academy”, competição da HYBE x Geffen exibida no YouTube que resultou na formação do KATSEYE. Ela acabou eliminada, mas decidiu seguir carreira solo.

Na sequência, lançou faixas de dance-pop como “Homewrecked” e “Superscar”, em 2024, e assinou contrato com a Capitol Records no ano seguinte.

Já na primavera de 2026, deu outro passo importante ao abrir shows da turnê de Demi Lovato.

Mas foi com “Ain’t in LA”, lançada em julho, que sua trajetória ganhou uma nova dimensão. Somada a uma estreia de destaque no Lollapalooza, em agosto, a repercussão da música aumentou a expectativa para “PRIMA”.

Então veio “Nicole Kidman”. Lançada como quarto single no mesmo dia em que o álbum chegou ao público, a faixa cresceu ainda mais nas paradas. “PRIMA”, por sua vez, estreou em 4º lugar na Billboard 200. Somente em 2026, ADÉLA já acumulou mais de meio bilhão de streams globais sob demanda, segundo a Luminate.

“Ela se tornou alguém por quem todos realmente querem torcer”, afirma Sam Jacobson, coempresário da Good World Management.

“Acho que as pessoas se envolveram com a história dela e perceberam: ‘Caramba, ela realmente construiu tudo do zero e chegou à América, e “Ain’t in LA” é uma música que fala com a mãe dela, com a família dela e com todos que têm grandes sonhos’. É uma mensagem incrível com a qual muitas pessoas se identificam.”

A história por trás da música ajuda a explicar essa conexão. Antes da sessão de estúdio que resultou em “Ain’t in LA”, ADÉLA não conseguia parar de pensar nas próprias raízes.

Pouco antes, ela havia encontrado uma fotografia antiga da mãe ainda adolescente, sentada diante de sua própria coleção de pôsteres da cultura pop.

Assim como a filha faria anos depois, ela também sonhava em se mudar para Los Angeles e alcançar o sucesso. Depois de passar horas trabalhando em diferentes ideias no estúdio, ADÉLA ainda estava com aquela fotografia na cabeça.

Foi então que perguntou aos outros compositores presentes, Theron Thomas, Blake Slatkin, Dylan Brady e Billy Walsh, se poderiam tentar mais uma música.

“Ain’t in LA” surgiu naturalmente a partir dali. A própria fotografia acabou chegando à letra, na referência a “Madonna na parede ao lado do Destiny’s Child”.

Thomas também trouxe um elemento que ajudou a definir a sonoridade: uma introdução que remete a “We Can’t Stop”, de Miley Cyrus, faixa que ele coescreveu em 2013.

“Estávamos definitivamente falando sobre aquela vibe dos anos 2010, e eu disse a eles o quanto adoraria [recriá-la]”, lembra ADÉLA.

“Eu também estava ouvindo muito o A$AP Rocky do início da carreira. Algo naquela época me empolgava. Eu pensava: ‘Precisamos trazer isso de volta’.”

ADÉLA (Luisa Opalesky)
ADÉLA (Luisa Opalesky)

Transformar a música em single, no entanto, não aconteceu com a mesma facilidade. Enquanto abria os shows de Demi Lovato, ADÉLA começou a apresentar “Ain’t in LA” antes mesmo do lançamento. No palco, ela incorporava à performance as sapatilhas de ponta, fazendo referência aos anos que passou treinando balé.

Quando percebeu a resposta do público, teve certeza de que queria lançar a faixa imediatamente. Sua equipe, porém, ainda tinha dúvidas sobre o momento.

“Lembro que tive aquela sensação, tipo: ‘Nossa, essa música significa muito para mim’”, conta. “Liguei para [Jacobson] e disse: ‘Eu fiz essa música. Ninguém está muito empolgado com ela, mas eu estou superempolgada’.”

Brandon Creed, fundador e coempresário da Good World, explica que a discussão não estava necessariamente relacionada à qualidade da faixa.

“Não acho que tenha sido um debate sobre a música em si”, diz. “[Foi mais sobre] estratégias de lançamento, qual era o momento certo e o que viria depois. O jogo do lançamento mudou. Há muito debate e discussão em torno de cada passo.”

No fim, a equipe decidiu confiar no instinto de ADÉLA. E a aposta funcionou.

Desde o lançamento oficial, “Ain’t in LA” já foi usada mais de meio milhão de vezes no TikTok por usuários de diferentes partes do mundo. Entre eles, estava ninguém menos que Nicole Kidman, que escolheu justamente a faixa para seu primeiro vídeo publicado na plataforma.

A conexão não parou por aí. Desde que “Nicole Kidman”, música de ADÉLA sobre autoconfiança, foi lançada no início de setembro, a atriz passou a demonstrar apoio à cantora.

“É uma loucura assistir aos filmes dela e pensar: ‘Essa pessoa, por algum motivo, está fazendo trabalho de caridade e me apoiando’”, brinca ADÉLA. “O fato de ela me acolher é uma grande honra. Ainda estou tentando assimilar tudo isso.”

Agora, “Ain’t in LA” ocupa um lugar central na turnê de ADÉLA pela América do Norte e Europa, em uma rotina que inclui ensaios regulares de nove horas e uma sequência constante de entrevistas.

É uma realidade bastante diferente daquela vivida após sua eliminação do “Dream Academy”.

Na ocasião, ADÉLA deixou uma mensagem emocionada às outras jovens que ainda disputavam uma vaga no KATSEYE, registrada posteriormente na série documental da Netflix “Pop Star Academy”.

“Se você conseguir, ótimo, mas você não precisa disso. Você é incrível por si só”, disse na época.

Três anos depois, o sucesso de ADÉLA nas paradas acontece paralelamente ao do próprio KATSEYE, oferecendo uma nova leitura para aquelas palavras. Para ela, no entanto, a trajetória atual não chega exatamente como uma surpresa.

“Eu nunca duvidei que isso aconteceria”, afirma. “Não sei se é presunçoso dizer isso, mas… eu sinto que tenho coração e que tenho algo a dizer.”

Escute os sucessos de ADÉLA

[Este conteúdo foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui].