Troye Sivan conta bastidores de novo álbum ‘She’s the Best’
Billboard conversou com Troye sobre o que esperar de seu novo álbum

Troye Sivan no clipe de 'Party' (Reprodução/YouTube)
Depois de uma busca árdua pelo “pop perfeito” em seu eufórico álbum de 2023, “Something to Give Each Other”, Troye Sivan poderia facilmente ter permanecido na pista de dança para seu próximo projeto.
Afinal,”Something” representou uma espécie de ponto de virada para Troye Sivan, de 31 anos, trazendo suas primeiras três indicações ao Grammy, dois novos hits na Billboard Hot 100 (“Rush” e “One of Your Girls”) e duas turnês de grande destaque: sua própria turnê solo e a estrondosa “Sweat Tour”, ao lado de Charli XCX.
Em vez disso, Troye Sivan optou por abraçar o pêndulo oscilante da vida em “She’s the Best”, seu quarto álbum, lançado na sexta-feira (2) pela Interscope.
“Eu queria que existisse esse tipo de tensão entre sair do palco, sentindo-me nessa versão hiperempoderada, hipersexualizada e conectada de mim mesmo, e depois a realidade de voltar para o hotel e, às vezes, honestamente, sentir o isolamento mais intenso que já senti na vida,” diz Sivan. “Essa tensão me fez querer criar algo que parecesse realmente cheio de camadas.”
Para alcançar essa profundidade, Troye Sivan se cercou de seus colaboradores mais próximos (leia-se: amigos de verdade) para co-escrever e co-produzir o disco, incluindo um trio que o acompanha desde seu álbum de estreia, “Blue Neighbourhood”, de 2015 — Jack Antonoff, Allie X e Leland —, além de Charli, seu irmão Tyde Levi e, pela primeira vez, ele próprio como produtor.
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Antecipando a dualidade do álbum, Sivan lançou primeiro a melancólica e conversacional faixa-título (acompanhada de um videoclipe estrelado por Nicole Kidman), seguida por “Party”, uma explosão de música de clube com sample de Madonna.
“Era uma sensação constante de pressão, e logo depois eu percebia que o único antídoto era simplesmente mandar tudo às favas,” diz Troye Sivan. “Eu teria ficado muito decepcionado comigo mesmo se tivesse criado algo que eu achava que as outras pessoas queriam de mim, em vez de algo que eu realmente queria fazer.”
Veja o clipe de ‘She’s The Best’ abaixo:
Em uma entrevista ao Billboard Pop Shop Podcast, Troye Sivan conversou ao lado de Leland (“A gente seria amigo mesmo que nenhum dos dois fosse músico,” diz o compositor sobre Troye) e Levi (“Eu conheço o Troye desde o dia em que nasci!” brinca o produtor estreante sobre seu irmão mais velho) sobre como o álbum foi construído e por que boa parte de sua magia nasceu fora do estúdio.
Billboard: Havia algum tipo de ‘declaração de missão’ na hora de fazer esse álbum?
Troye Sivan: Essa era uma das pressões. No álbum anterior, era muito fácil resumir onde eu estava na vida naquele momento em uma única frase, que soava bem comercial e fácil de entender. Parte da tensão que eu sentia era: “A vida não parece assim no momento.” O álbum acabou sendo inteiramente sobre isso.
Leland: É algo muito único, e é um presente enorme estar tão próximo de um dos meus colaboradores favoritos. Então não é tipo uma sessão isolada, um dia qualquer, em que a gente está tentando escrever algo que tenha profundidade. Nem todo dia vai ser o Troye Sivan chegando numa sessão e falando: “Estou me sentindo como me sentia quando fizemos ‘Rush’ — vamos fazer isso de novo!”
Como foi essa dinâmica no estúdio, reunindo uma de suas parcerias de trabalho mais antigas, o Leland, e também um de seus familiares mais próximos, o Tyde?
Sivan: No meu último álbum, eu estava muito focado em tentar criar esse tipo de “pop perfeito” — e eu ainda amo absolutamente isso e sempre vou amar pelo resto da minha vida —, mas eu me inspiro muito em pessoas que agem de forma bem instintiva, e isso me lembra de quando eu fazia música aos 13 anos, no meu quarto. Então eu gravei boa parte dos vocais em casa, e sou produtor neste álbum pela primeira vez em algumas faixas. Além disso, eu e o Tyde sempre tivemos essa conversa constante sobre música, porque nós dois simplesmente amamos muito isso, e um dia ele me mandou uma faixa que acabou virando “Canada Dry”. Na hora, eu escrevi um refrão em casa e depois fiz uma chamada de vídeo com o Leland. O Tyde está em três músicas do álbum, e todas são bem diferentes entre si. O Tyde está em “Cowboy” e também em “Party”, e eu não sei se a gente teria feito essa música juntos se estivéssemos na mesma sala.
Tyde Levi: Sinceramente, eu fiquei chocado quando o Troye Sivan quis ficar com “Party”. Eu sinto que basicamente fiz essa música no meu quarto com um amigo, e nem sabia se ele ia gostar. Mas mandamos mesmo assim.
Qual foi a gênese de ‘Party’?
Troye Sivan: A gente estava escrevendo uma música bem triste, e aí eu falei: “Vamos escrever também algo mais dançante e animado.” E começamos a criar essa letra, vagamente inspirada numa entrevista da Lady Gaga, em que ela fala algo como: “Ônibus, balada, outra balada.” Depois escrevemos, levamos para casa, eu me gravei testando umas produções novas em cima dela, mandei pro Tyde só pra ver o que ele achava. O Tyde se junta ao Rob Feher, e os dois fazem a faixa que vocês ouvem hoje. Depois levamos de volta pro [engenheiro de som] Styalz Fuego, com quem eu trabalho há uma eternidade também. Até a lista de créditos dessa música parece uma festa. Pareceu bem natural ir passando a música de mão em mão, pra frente e pra trás.
Como vocês conseguiram a permissão da Madonna para usar o sample de ‘Music’ na faixa?
Troye Sivan: É meio uma história sem graça…
Você ainda está tentando?
Sivan: Não brinca com isso! Porque a gente estava filmando o videoclipe mais ambicioso da minha vida enquanto ainda estávamos resolvendo a liberação dos direitos. Eu ficava tipo: “É bom isso dar certo, porque só Deus sabe o que vai acontecer se não der.” Mas não, a gente literalmente só pediu, e fiquei super surpreso de um jeito bom porque eles facilitaram muito.
Levi: Não pense que a gente não ficou esperando perto do telefone pra saber se a Madonna estava dentro ou não.
Sivan: Minha primeira lembrança de música é “Like a Prayer”. Eu ficava correndo pela sala de brinquedos lá em casa, cantando ela sem parar. Meus pais dizem que foi aí que perceberam que eu tinha uma voz bonita. Depois, o clipe de “Girl Gone Wild” basicamente me tornou gay.
Leland: Comigo também.
Sivan: Quer dizer, esse era o clipe mais hot que eu já tinha visto até aquele momento.

Espero que todos esses momentos tenham feito parte do seu pitch pro time da Madonna…
Troye Sivan: É. Tipo: “Aliás, você me fez querer fazer música e também me tornou gay.”
Tem toques de produção inesperados espalhados pelo álbum, como o som de um sinal de ocupado no telefone ou uma respiração pesada. Qual foi a intenção por trás disso?
Troye Sivan: Eu gostei da ideia de que a gente podia inserir esses sons que realmente colocam o álbum no mundo real, que fazem ele parecer essa coisa viva, pulsante e meio caótica, do mesmo jeito que a vida é. Pra mim, esse é um álbum pra ouvir andando por aí. Parece que você continua fazendo parte do mundo.
Levi: As três músicas em que eu participei foram todas feitas no meu quarto, na casa do Troye em Melbourne. A gente não estava no estúdio mais chique, com o equipamento mais avançado, e eu acho que isso trouxe uma rusticidade que o Troye queria buscar.
Leland: Muita coisa desse álbum aconteceu fora do estúdio. Letras foram finalizadas em jantares, músicas foram discutidas em almoços ou em chamadas de vídeo pela manhã, e um segundo verso foi terminado aqui [em casa]. Claro que teve sessões de estúdio de verdade pra colocar as coisas em movimento e gravar os vocais às vezes, mas, de fato, muita coisa desse álbum aconteceu fora do estúdio.
[Este conteúdo foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui].
Acompanhe o lançamento do novo álbum de Troye Sivan:
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