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Finneas, Lukas Graham e Aaron Rowe cancelam abertura de turnê de Ed Sheeran

Artistas se retiram da turnê após remoção de Macklemore por apoio à Palestina

Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga desistiram de acompanhar Ed Sheeran (reprodução Facebook)

Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga desistiram de acompanhar Ed Sheeran (reprodução Facebook)

Não está fácil para Ed Sheeran. Após a retirada do rapper Macklemore como ato de abertura da “Loop Tour”, todos os demais artistas que abririam os shows do cantor e compositor britânico cancelaram suas participações na turnê.

Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga se manifestaram nas redes sociais sobre o assunto. A decisão de todos foi tomada após Macklemore ser removido da agenda devido à sua manifestação por uma “Palestina Livre” durante os shows.

+ Leia mais: Macklemore é retirado da turnê de Ed Sheeran após discurso pró-Palestina

“Artistas não devem ser silenciados quando se manifestam em defesa dos oprimidos. Decidi cancelar minha participação nas próximas datas da turnê com Ed Sheeran. Estou ao lado da Palestina e de seu povo”, publicou Finneas, cantor e compositor norte-americano que também é irmão de Billie Eilish.

Ele seria o ato de abertura das edições da “Loop Tour” na América do Sul, incluindo o Brasil, marcadas para os dias 5 e 6 de dezembro no Nubank Parque, estádio em São Paulo.

O cantor e compositor irlandês Aaron Rowe, que era um dos substitutos de Macklemore nos shows na América do Norte, explicou que a decisão de se retirar da turnê de Ed Sheeran não foi tomada de ânimo leve.

“Ed tem sido um amigo para mim e mudou minha vida; eu nunca conseguiria agradecê-lo o suficiente por isso. Mas, como irlandeses, conhecemos muito bem o genocídio, a fome forçada e a ocupação violenta”, declarou.

“Não posso ficar de braços cruzados e permitir que bilionários usem sua posição de poder para silenciar as vozes legítimas daqueles que se manifestam contra o genocídio israelense e que destacam o assassinato cruel de crianças. Eu perderia todo o respeito por mim mesmo se continuasse agindo como se tudo estivesse normal”, completou, ressaltando ainda que precisa ser fiel a si e aos antepassados que “resistiram à colonização e lutaram pela liberdade que desfruto hoje na Irlanda”.

A banda Beoga, que também é irlandesa, explicou que “nunca se imaginou tocando em estádios desse porte, e não deixamos de valorizar essa oportunidade. Somos amigos de Ed há mais de 10 anos e continuaremos sendo. Acreditamos no diálogo como um meio de fazer avançar a causa do povo palestino”.

No entanto, ressaltou que, como músicos, “tocar para essas multidões todas as noites é um sonho, mas tocar em locais que silenciam qualquer pessoa que defenda uma Palestina Livre simplesmente não é uma opção para nós”.

“É importante que todos saibam que o verdadeiro inimigo é o lobby sionista. Eles têm trabalhado incansavelmente para silenciar artistas que desejam falar livremente sobre um genocídio que acontece diante de nossos olhos, por medo de retaliação”, completou a banda.

Em outro trecho, o grupo explica que “somos irlandeses que entendem o colonialismo. Como membros fundadores do movimento Irish Artists For Palestine (Artistas Irlandeses pela Palestina), somos ativistas comprometidos com a justiça e continuaremos sendo”.

“Todo esse episódio está servindo, mais uma vez, para desviar a atenção do verdadeiro problema: mais de mil palestinos foram mortos desde o mais recente chamado ‘cessar-fogo'”, concluiu a Beoga.

Por sua vez, o cantor e compositor dinamarquês Lukas Graham lamentou que não continuará na turnê e que foi uma decisão difícil se ausentar das datas, mas que precisa mantê-la. Ele explicou que “amo o Ed Sheeran e sou grato por tudo o que compartilhamos. Isso não mudou. Mas não posso colocar estas palavras no mundo e continuar com esta turnê no estado em que as coisas estão”.

O discurso publicado nas redes sociais também disse que “é difícil ver famílias em outras partes do mundo enterrando as pessoas que amam. Deveríamos ser capazes de falar sobre guerra, sobre civis sendo mortos, sobre crianças que merecem crescer. Onde quer que elas vivam. Seja qual for a bandeira sob a qual estejam”.

“Eu cresci em Christiania, uma pequena comunidade na Dinamarca onde dizer o que se pensa fazia parte do dia a dia. Ter mais dinheiro não fazia a sua opinião valer mais do que a de qualquer outra pessoa. O dinheiro não lhe dá o direito de dominar a conversa. O saldo bancário de ninguém deveria decidir quem pode falar ou qual sofrimento temos permissão de reconhecer”, completou Lukas Graham.

Ed Sheeran se posiciona

O pronunciamento de Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga ocorreu depois de Ed Sheeran se posicionar sobre a onda de críticas que recebeu após a saída de Macklemore. O britânico explicou seu ponto de vista sobre o conflito em Gaza e a forma como lida com manifestações políticas dentro dos seus shows.

“Após as apresentações de Macklemore nos meus shows em Nova Jersey, os locais das minhas próximas datas de turnê comunicaram que cancelariam os shows se ele continuasse no suporte”, declarou. “Fui informado de que essa posição foi baseada em como Macklemore transmitiu parte de sua mensagem durante a apresentação, e não em tudo o que foi dito.”

Na legenda do post, escrita como “É importante que eu exponha alguns fatos”, Ed Sheeran contou que passou a última semana negociando com os estádios e conversando com “ativistas de ambos os lados”, numa tentativa de aproximar as partes envolvidas.

“A decisão dos locais e do promotor foi definitiva”, escreveu Ed Sheeran. “Passei esta semana tentando construir pontes, encontrar uma solução e, infelizmente, não fui capaz de fazer isso.”

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