Por que ‘Back to Black’, de Amy Winehouse, segue atual aos 20 anos
Disco ganha edição especial e show com a banda original em Londres

Amy Winehouse (Reprodução Facebook @amywinehouse)
“Back to Black”, de Amy Winehouse (1983-2011), completa 20 anos no dia 27 de outubro. Voltei a ouvir o disco nesta semana, e o mais impressionante é que ele não soa como um álbum que tentou parecer moderno em 2006. É justamente por isso que não envelheceu.
Quando o disco saiu, o pop vivia outra estética: timbres digitais, produções enormes, muitos beats e outra relação com bateria, voz e sintetizadores. Amy foi na direção contrária. Pegou soul, jazz, R&B e os girl groups da década de 1960, uma tradição que existia décadas antes dela, e transformou essas referências em música contemporânea.
Em 2010, eu morava em Londres e fazia um baile semanal no Soho. Um belo dia, Amy apareceu e cantou comigo. Naquela noite, ela me contou que amava bossa nova e old jazz, nas palavras dela. Mas essa história fica para outro texto.
Há uma diferença enorme entre ter referências e reproduzir o passado. Amy Winehouse sempre bebeu em fontes antigas, mas “Back to Black” nunca soou como uma fantasia da década de 1960. Os produtores do álbum, Mark Ronson, hoje com 51 anos, e Salaam Remi, entenderam isso muito bem.
Não esconderam as influências, mas construíram uma sonoridade inteira em torno da personalidade dela. Estão ali metais, bateria seca, baixo, guitarra, piano e arranjos de backing vocals que poderiam estar em qualquer disco antigo. No centro de tudo, porém, está uma artista completamente singular.
+ Leia mais: 50 melhores álbuns brasileiros de 2026 (até junho), segundo a Billboard Brasil

E o repertório é absurdo. “Rehab”, “You Know I’m No Good”, “Back to Black”, “Love Is a Losing Game” e “Tears Dry on Their Own” poderiam ser o destaque de qualquer outro álbum.
A voz de Amy Winehouse é reconhecível em dois segundos. Tem interpretação, lamento, fraseado e swing. Ela conseguia cantar com força e vulnerabilidade quase ao mesmo tempo. E o timbre era um espetáculo. Sempre digo que um grande artista precisa de um timbre único, e ela tinha.
Mas o que sustenta o disco duas décadas depois não é só a voz. São as canções. Falo muito sobre repertório porque acredito nisso: tendências de produção envelhecem, estéticas passam, tecnologias mudam, mas uma grande canção atravessa tudo. E “Back to Black” tem uma sequência impressionante delas. Não por acaso, essas músicas continuam sendo revisitadas.
Ver esse post no Instagram
O aniversário vai ser comemorado em Londres. Na quarta-feira (21), a banda original de Amy Winehouse se reúne no Roundhouse, em Camden, bairro onde a cantora viveu, para tocar o disco na íntegra. A noite terá Ronson e Remi e convidadas como Yebba, Jorja Smith, Lianne La Havas, Corinne Bailey Rae e Jessie Ware.
Dois dias depois, na sexta-feira (23), sai a edição comemorativa do álbum. Ela traz quatro demos inéditas, lados B, raridades e o show que Amy fez no Paradiso, em Amsterdã, em fevereiro de 2007, lançado pela primeira vez na íntegra.
Com mais de 25 milhões de cópias vendidas e quase 2 bilhões de streams, “Back to Black” continua chegando a novas gerações. O disco olha fundo para o passado, mas nunca ficou preso a ele. Vinte anos depois, a gente não o ouve como um disco da década de 2000, e sim como um grande disco, sem prazo de validade.
Ouça Amy Winehouse
TRENDING
- MMA 2026 confirma ATEEZ, NCT 127 e mais grupos no line-up05/10/2026
- Stray Kids nos cinemas: grupo transmite show no Japão ao vivo em novembro07/10/2026
- BK’ anuncia nova tiragem do vinil de ‘Castelos e Ruínas’05/10/2026
- Fresno anuncia shows sinfônicos inéditos no Rio e São Paulo01/10/2026
- Amy Lee diz que pandemia criou o maior álbum de todos os tempos04/10/2026