Coca-Cola no Rock in Rio: curadoria da Billboard Brasil merece seu play
Seleção cruzou novos sons e artistas que ajudaram a formar a música brasileira

Coca-Cola no Rock in Rio (Divulgação)
O que faz um festival continuar existindo depois que o último amplificador é desligado? No Rock in Rio, a resposta também passa pelas descobertas que escapam dos grandes palcos e encontram espaço na playlist de quem volta para casa.
Em 2026, o Espaço Coca-Cola se firmou como uma vitrine de descoberta musical. Com curadoria da Billboard Brasil, a programação reuniu artistas em ascensão, nomes de cenas independentes e atrações que já fazem parte da memória da música brasileira, enquanto o projeto Billboard Descobre ampliou a visibilidade de novos talentos ao levá-los também ao palco do espaço.
Nos intervalos, a DJ residente Marisa daMato — em alguns momentos acompanhada pelo ballet de Pedro Sampaio — e DJs convidados mantiveram o espaço em movimento. No palco, a seleção funcionou como um recorte do que merece continuar sendo ouvido depois do festival.
Maré Tardia
Direto de Vila Velha, no Espírito Santo, o quarteto levou o sol da surf music e a energia do punk para o Rock in Rio. Guitarras urgentes, energia de garagem e a identidade capixaba colocam o quarteto entre as bandas novas que mantêm o rock brasileiro inquieto. Olho neles.

FUZE
A banda carioca da família Novaes, formada por Pedro, Diogo e Felipe, ao lado de Gui Fonseca, trabalhou o pop rock com balanço. Nascida na garagem, desenvolveu uma sonoridade direta, feita para crescer quando encontra o palco.
Matheus Torres
Soul, blues, jazz e pop rock se cruzaram na música do mineiro Matheus Torres. A mistura deu ao cantor uma sonoridade calorosa e versátil, guiada por interpretação e composição A-list.
The Mönic convida Raidol
Aqui, a curadoria virou encontro. De um lado, o rock alternativo da The Mönic, banda paulistana de guitarras pesadas e trajetória independente. Do outro, Raidol, artista ligado à nova música amazônica. Uma ponte entre cenas, territórios e linguagens.
Duh Marinho
Groove é palavra-chave para Duh Marinho. Em “Ventos Favoráveis”, seu disco mais recente, o carioca aproximou soul, funk brasileiro, rap e música contemporânea em canções sobre identidade, afeto, ancestralidade e celebração. Foi assim que ele se destacou no Rock in Rio em 2026.
DJ Japa NK
Poucos nomes traduzem tão bem o momento atual do funk quanto Japa NK. Produtor de hits e presença constante nas paradas brasileiras, ele transforma pesquisa dos subgêneros das quebradas em beats que circulam muito além dos bailes.

Alê
Pop, reggaeton e piseiro cabem na mesma música quando Alê assume o microfone. Criado entre referências da MPB e da música latina, o cantor carioca encontrou nessa mistura um caminho autoral conectado à própria identidade.
2ZDinizz
Entre samba e boombap, 2ZDinizz transformou vivência em uma espécie de crônica. Criado em Niterói, ganhou projeção com “Patrono” e encontrou também no Rock in Rio uma assinatura própria ao aproximar rap, histórias boêmias e observações do cotidiano.
Barona
Barona vem do underground e fez do rap um lugar para falar de amadurecimento, erros e aceitação. Entre grime, animes, cultura japonesa e referências urbanas, construiu um universo em que vulnerabilidade e personalidade dividem o mesmo verso.
Bonde do Tigrão
Se a proposta era colocar gerações em diálogo, o Bonde do Tigrão é parte incontornável dessa memória. “Cerol na Mão”, “Tchutchuca” e outros hits ajudaram a levar o funk carioca dos bailes para o país no início dos anos 2000 e, em 2026, também para o maior festival do mundo.
KING Saints
Compositora, cantora e performer, KING Saints reúne pop, moda, dança e ancestralidade negra. Nascida em Duque de Caxias, escreveu para grandes nomes da música brasileira e agora ocupa o centro da própria obra.
Bonde das Maravilhas
O “Quadradinho de Oito” virou um fenômeno cultural – até Zara Larsson fez o seu no Palco Mundo. O grupo marcou o funk dos anos 2010 ao juntar dança, internet e batidas cariocas em uma linguagem ainda reconhecível mais de uma década depois. Claro que quem passou pelo Espaço arriscou um passinho aqui ou ali.
UNNA X
Brasil e Estados Unidos se encontraram no pop de UNNA X. A cantora combinou produção eletrônica, letras confessionais e experiências vividas entre os dois países em uma sonoridade que circula entre idiomas e referências.
AJULLIACOSTA
Rap, moda e afirmação caminham juntos na obra de AJULLIACOSTA. A artista paulista transformou vivências urbanas e a experiência da mulher preta em música, fazendo da estética do hip hop uma extensão da própria narrativa.
Curadoria da Billboard Brasil apostou em conexão
Vista assim, a curadoria do Espaço Coca-Cola fala menos sobre uma sequência de shows e mais sobre conexão. Entre artistas que começam a ocupar novos espaços e nomes que ajudaram a construir cenas inteiras, a Billboard Brasil desenhou um panorama sem se prender a uma única geração ou gênero.
O Rock in Rio termina, a estrutura é desmontada, mas a boa curadoria continua trabalhando: na faixa salva no streaming, no artista que ganha um novo follow nas redes e no som encontrado – por acaso ou não – que segue acompanhando o ouvinte como memória perene muito depois que os portões da Cidade do Rock se fecham de vez.
“Na Coca-Cola, acreditamos que a música tem o poder de conectar pessoas e criar memórias que permanecem muito além de um festival. Por isso, buscamos construir uma programação que refletisse a diversidade da música brasileira, aproximando artistas em diferentes momentos de suas trajetórias e dando espaço para novas descobertas. O Rock in Rio é um momento de celebrar. Celebramos, inclusive, a criatividade e os novos sons que entram no radar de quem passa pelo nosso espaço”, declara Eduardo Rubinstein, diretor de Cultura, Parcerias e Entretenimento da Coca-Cola Brasil.
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