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Mais do que um astro do reggaeton, J Balvin é um fenômeno da natureza

O colombiano trouxe um furacão para pacata Curaçao e fará o mesmo no Rock in Rio

Uma das qualidades de Curaçao (além das praias, da paisagem) é que, ao contrário de outras ilhas do Caribe, ela supostamente estaria fora da rota dos furacões. O “supostamente” se faz necessário porque de tempos em tempos o local é assolado por autênticos fenômenos da natureza. J Balvin, astro do reggaeton, é um deles. Sua apresentação no North Sea Jazz Festival no sábado passado (e que se repete hoje no Rock in Rio) foi um furacão, um ciclone de proporções bíblicas.

Caso você tenha passado a última década em Marte, vamos a uma pequena biografia do popstar. José Álvaro Osório Balvín nasceu em Medellín, Colômbia e traz no currículo 35 milhões de discos vendidos em todo o mundo, onze Billboard Latin Music Awards, seis Grammys Latino, e quatro indicações ao Grammy americano.

Foi o primeiro artista latino a se tornar headliner do Coachella, do Tomorrowland e do Lollapalooza, festivais que servem como bússola do que é relevante para o mercado internacional.

A especialidade de Balvin é o reggaeton, gênero que nasceu do cruzamento do reggae eletrônico jamaicano (também conhecido como raggamuffin) com batidas eletrônicas.

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J Balvin no Rock in Rio 2026 (Roberto Filho/Brazil News)
J Balvin no Rock in Rio 2026 (Roberto Filho/Brazil News)

Embora o epicentro do estilo seja Porto Rico –vide Daddy Yankee e o fenômeno Bad Bunny–, o país de Balvin tem exportado alguns dos principais astros da nova batida (Maluma e Carol G, por exemplo). Nos últimos tempos, ele fez colaborações nos trabalhos de grandes nomes do reggaeton e também do pop. Pharrell Williams e Beyoncé, por exemplo, utilizaram o omelete verbal de Balvin em seus singles e remixes.

Posto isso, vamos ao show. Balvin, disparado, atraiu o maior público das três noites do North Sea Jazz Festival. O mais óbvio seria afirmar que ele é o nome de maior expressão nas paradas do que outros escalados –Toto, Jon Batiste, Rubén Blades, Dianne Reeves e Branford Marsalis etc. Outra explicação, claro, está na consagração do reggaeton como principal gênero da atualidade nos países de língua espanhola (além, claro, do Brasil, onde chegou via Wanessa, Claudia Leitte e Anitta). Há também outro fator que faz com que Balvin seja tão celebrado –a valorização da latinidade.

Boa parte do público se sente representada porque ele é o latino que “chegou lá” (o mesmo sentimento que o americano da classe operária tem quando vê Bruce Springsteen brilhar no palco). Balvin, que a todo momento fala do orgulho em ser latino, é necessário num tempo em que os Estados Unidos deportam imigrantes a todo momento. E ele faz esse discurso sempre que pode: em Los Angeles chegou a saudar os imigrantes mexicanos.

Balvin, ao vivo, dispensa a banda. Traz para o palco um DJ para disparar os beats eletrônicos, um rapper para auxiliar nos vocais e uma legião de dançarinos. Que encenam canções como “Mi Gente”, “LA CANCIÓN”, “Ginza” e “Se Tu Novio te Deja Sola”. Em Curaçao, ele contou ainda com a participação especial de Ryan Castro que, embora seja colombiano, fez sucesso inicialmente na ilha de Curaçao –aliás, o dueto deles em “Dalmation”, lançada há pouco, é uma pedrada. Para o Brasil, fala-se que J Balvin trará para o palco Pedro Sampaio.

A pacata Curaçao foi abalada pelo furacão colombiano do reggaeton. Por coincidência, a previsão meteorológica aposta na chegada de um ciclone na região Sul e Sudeste neste final de semana. 

Ouça J Balvin