No copão, a mistura com uísque virou código da cultura urbana
Da música aos sabores, a criatividade das ruas transforma referências* **

Com White Horse, copão virou símbolo da cultura urbana (Divulgação)
A cena é bastante comum: o uísque é derramado num copo bem servido, colorido pela mistura com outras bebidas, acompanhado de um gelão que pode ter diferentes sabores e abrir inúmeras possibilidades de combinação, perfeito para circular. No topo dos morros, nas calçadas ou nos encontros de rua espalhados pelo país, um tipo de drink ganhou nome de batismo popular e um ritual de consumo peculiar: o copão.
Com códigos próprios, surgidos espontaneamente nos rolês Brasil afora, jovens decidiram que a tradicional bebida escocesa não pertencia mais apenas aos recipientes de cristal ou ambientes formais.
A anatomia do copão reflete o dinamismo de um rolê que não é estático — e é justamente nesse código criado pelo próprio público que White Horse se insere. Uma pesquisa qualitativa conduzida em agosto de 2026 pela ginger Strategic Research, com jovens de 18 a 28 anos, aponta que a estrutura do encontro em regiões urbanas é essencialmente itinerante: pessoas não ficam num bar só e, quando um rolê acaba, migram para outro. Nessa movida contínua, o copão funciona como a bebida definitiva do deslocamento e da liberdade.
Além do copão, música é parte crucial do rolê
Para costurar essa narrativa de constante transformação, a música é a grande espinha dorsal. A cultura urbana brasileira se constrói na chave da remixagem, em uma genealogia sonora que atravessa gerações. Do sample original que migra para o mandelão ao brega-funk que ganha contornos de batidão ou descamba no funknejo, a sonoridade da rua se alimenta do híbrido.
É a capacidade de pegar um elemento pronto, desconstruí-lo e devolvê-lo ao mundo com uma carga afetiva e estética inteiramente nova, assim como na cultura do copão.
São cenas locais que funcionam como laboratórios: ritmos, gírias e estéticas ganham forma nos territórios antes de atravessar festas, plataformas digitais e outros circuitos da música brasileira. Nesse percurso, códigos criados nas periferias deixam de pertencer a um único lugar e passam a alimentar novas misturas, influenciando também o pop, a moda e a cultura urbana de forma mais ampla.
Muito antes de essa linguagem chegar a uma reunião de marketing, o público já havia criado seus próprios códigos. No vocabulário do rolê, White Horse virou Cavalo Branco — um apelido nascido dos consumidores, e não da criação de uma agência.
Conectada a essa estética, a nova campanha de White Horse, intitulada “Criado na Escócia. Recriado no Rolê.”, dá sequência à trajetória iniciada com a ação “Na Mão do Rolê”, lançada em abril deste ano. A campanha mantém a marca conectada aos códigos que nasceram nas periferias e hoje circulam por diferentes cenas da cultura urbana brasileira.

Para ilustrar esse movimento e dar visibilidade a quem faz parte dessa cultura, a marca escalou três nomes com trajetórias construídas nas periferias e que levam para a campanha experiências reais da cena urbana contemporânea:
- Bask: Cria da Zona Leste de São Paulo, o rapper, modelo e freestyler transita com naturalidade entre a estética da moda e a poesia crua das ruas. Voz marcante do trap nacional com faixas como “Playboy Preto” e colaborador da Batalha da Aldeia (BDA), onde a linguagem é recriada em tempo real por quem vive a rua. “Se for pra falar pra alguém como você pode colocar sua identidade na rima, é muito simples: é só você ter a identidade que você tem fora da batalha, fora da arte, dentro da arte.”
- Zap: Destaque da Zona Oeste da capital paulista e campeão de diversas edições da emblemática Batalha da Aldeia, o MC é apontado como um dos rimadores mais letais do freestyle nacional. Reconhecido pela agilidade mental e pelo domínio métrico em batalhas no formato bate-volta, traduz nos versos a vivência da juventude que pauta a nova linguagem da música urbana. “A forma que as batalhas de rima influenciam na cultura, e também na cultura urbana, eu acho que é uma parada que devolve a identidade pras pessoas.”
- DJ TH4YSs: DJ e produtora musical nascida e criada na Favela da Minhoca, no Grajaú, Zona Sul de São Paulo. Sua pesquisa conecta baile funk, mandelão e cultura club global, levando a potência da periferia paulistana a pistas em 13 países. Criadora de projetos como Gira Mundo, Cypher da Bolha e Baile da TH4YS, constrói uma trajetória que une música, território, protagonismo feminino e a expansão do funk brasileiro pelo mundo. “A essência do meu set é a liberdade.”
Os artistas ajudam a materializar a cultura do remix como linguagem e comportamento. Bask, Zap e DJ Thays personificam os valores de liberdade, mistura e identidade associados a White Horse. O copão funciona como a síntese dessa filosofia: um espaço no qual cada pessoa combina ingredientes, sabores e diferentes tipos de gelão para criar sua própria experiência, enquanto a marca participa desses encontros de forma orgânica, reconhecendo que o público é coautor do seu significado.
E essa ideia de mistura também faz parte da própria origem de White Horse. Como blended Scotch whisky, a bebida é criada a partir da combinação de diferentes uísques de malte e grãos selecionados. Entre eles estão rótulos de Islay, como Lagavulin, que ajudam a construir seu perfil defumado e encorpado.
É justamente essa característica marcante que permite que o uísque continue presente mesmo quando misturado a outros ingredientes no copão. No Brasil, a tradição escocesa dos blenders encontra outra forma de expressão: a criatividade de quem mistura sabores, cores e referências no rolê.
No fim, talvez o próprio apelido diga tudo. Antes de “Criado na Escócia. Recriado no Rolê.” virar uma assinatura, White Horse já tinha se tornado Cavalo Branco na boca de quem circulava com o copão na mão. A música muda, a turma se desloca, a mistura ganha novos ingredientes — e os códigos continuam sendo recriados por quem está na rua.
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