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Diddy deve pagar R$ 2,3 milhões para emissora após perder processo

Justiça de Nova York manda o rapper cobrir parte dos honorários gastos

O cantor P Diddy

P Diddy (Vitchi Marco/ABACA via Reuters Connect)

Sean “Diddy” Combs, de 56 anos, foi condenado a pagar uma conta alta depois de perder o processo que moveu contra “The Making of a Bad Boy”, documentário de 2025 do Peacock.

Segundo decisão judicial desta terça-feira (6), obtida pela Billboard, Diddy deve reembolsar US$ 478 mil (R$ 2,3 milhões) que a NBCUniversal gastou para convencer a Justiça a arquivar a ação por difamação no início do ano. O valor é alto, mas corresponde a cerca de metade dos US$ 990 mil cobrados pelos advogados da NBC, do escritório Gibson Dunn.

Diddy processou a NBC no início de 2025, pedindo US$ 100 milhões. Ele alegava que o documentário criava uma “narrativa falsa” de que ele estaria envolvido nas mortes de Notorious B.I.G. (1972-1997) e de Kim Porter (1970-2018). Em abril, porém, a juíza Phaedra F. Perry-Bond decidiu que a NBC seguiu os padrões jornalísticos adequados. Para ela, o documentário deixou claro que Diddy nega todas as acusações e que os entrevistados que levantaram essas teorias, entre eles o músico Al B. Sure!, tinham suas próprias razões para se opor ao empresário, hoje preso.

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A juíza arquivou o processo com base na lei antiSLAPP de Nova York. A norma permite derrubar rapidamente ações sem fundamento que ameaçam a liberdade de expressão garantida pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA. Por essa lei, quem vence o processo pode recuperar o que gastou com advogados.

A Justiça considerou que a NBC tem direito ao reembolso e aceitou os valores por hora cobrados pela equipe de seis advogados do Gibson Dunn, que iam de US$ 915, para um associado júnior, a US$ 1.980, para um sócio sênior.

“Embora o tribunal esteja ciente de que os valores cobrados aqui são mais altos do que os habituais, em razão da publicidade, da complexidade, do valor da indenização pedida, do calibre e da experiência dos advogados, dos resultados alcançados e da qualidade das petições e da sustentação oral, o tribunal se recusa a reduzir os valores por hora dos réus”, escreveu a juíza.

Ela considerou, no entanto, que o número de horas cobradas foi, em alguns momentos, “excessivo”. Por isso, cortou US$ 512 mil da conta de US$ 990 mil apresentada pela NBC, incluindo US$ 269 mil gastos na redação de uma petição e US$ 78 mil em reuniões internas do escritório. O valor final ficou em US$ 478 mil.

A NBC não respondeu de imediato ao pedido de comentário sobre a decisão. Um porta-voz de Diddy disse à Billboard: “A NBCUniversal pediu quase US$ 1 milhão em honorários, e o tribunal considerou boa parte desses valores excessiva e injustificada, cortando o pedido pela metade”.

O cantor P Diddy
O cantor P Diddy foi preso em setembro (Grant Tim/ABACA via Reuters Connect)

Diddy chegou a recorrer para reabrir o processo contra a NBC. No mês passado, porém, o caso foi um dos muitos abandonados pelo escritório que o representava, depois de uma disputa financeira. Não está claro se ele vai seguir com o recurso com novos advogados.

O fundador da Bad Boy Records cumpre pena de prisão por organizar o transporte de pessoas entre estados para fins de prostituição, nos encontros que ficaram conhecidos como freak-offs. Ele recorre da sentença, que considera dura demais, já que o júri o absolveu das acusações mais graves, de tráfico sexual e associação criminosa. Diddy também responde a dezenas de processos civis por má conduta sexual e nega todas as acusações.

O processo contra a NBC foi uma das várias tentativas de Diddy de partir para o ataque diante da cobertura da imprensa nos últimos anos. Em outra ação por difamação, contra o canal “NewsNation”, ele tem tido mais sorte. No mês passado, a Justiça autorizou que ele busque provas sobre reportagens que sugeriam que ele misturava drogas a óleo para bebês para deixar supostas vítimas de abuso sexual inconscientes.

[Este conteúdo foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui].

Sean Combs, o Diddy
Sean Combs, o Diddy (Image Press Agency via Reuters Connect)