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Ed Sheeran se pronuncia: situação em Gaza é ‘catastrófica e injustificável’

Cantor se apresentou sozinho na noite de sábado após expulsão de Macklemore

Ed Sheeran

Ed Sheeran traz turnê polêmica ao Brasil em 2026 (The Grosby Group)

Ed Sheeran abriu seu show solo no sábado (19) com comentários sobre Gaza, após uma semana de controvérsias em torno de sua turnê. Artistas de abertura deixaram a série de shows em solidariedade a Macklemore, que foi retirado da programação depois de fazer declarações de apoio à Palestina no palco.

Sheeran disse que quer que sua música e seus shows sejam sobre união e humanidade, e não sobre política.

O cantor também abordou “a questão de qual é a minha posição sobre a situação em Israel e na Palestina”.

“O que aconteceu em Israel e no festival de música Nova em 7 de outubro foi horrível e agravou séculos de sofrimento judaico. O que está acontecendo em Gaza é catastrófico, injustificável e desproporcional. Meu coração está partido pela dimensão da devastação e da perda de vidas de civis, de vidas de crianças, e a injustiça sistêmica que estamos vendo acontecer na Cisjordânia não pode ser ignorada”, disse Sheeran no palco do Lincoln Financial Field.

O cantor prosseguiu:

“Já estou conversando com pessoas de diferentes posições para entender como posso fazer uma contribuição que ajude as vítimas destes tempos terríveis, além de ouvir e aprender, porque não sei o suficiente”.

A saída da banda irlandesa Beoga também obrigou Sheeran a modificar a apresentação. A parte do espetáculo realizada habitualmente em um segundo palco, no meio do público, foi cancelada por questões de segurança. Para algumas músicas, ele apresentou uma formação montada para aquela noite, liderada pela violinista Alicia Enstrom, que já havia excursionado com o cantor. Sheeran não informou se os músicos seguiriam com a turnê nas apresentações seguintes.

Perto do fim, Sheeran voltou ao assunto em um discurso mais longo. Disse que havia vivido “uma das piores semanas” de sua vida, que não sabia se a turnê continuaria nem se queria seguir como artista, e afirmou ter visto pessoas próximas se afastarem enquanto recebia pedidos para cancelar os shows. Segundo ele, a reação do público mudou sua perspectiva: ao verificar as vendas para a apresentação, viu cerca de 50 mil pessoas que não haviam desistido dele. “Esta noite foi, sinceramente, o melhor show da minha vida”, disse antes de reafirmar que pretendia continuar a turnê.

Ed Sheeran aborda situação em Gaza durante show

 

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Sheeran tem feito boa parte dos shows da Loop Tour sozinho, mas vinha sendo acompanhado em algumas músicas de cada apresentação pela banda irlandesa de folk Beoga. Macklemore, originalmente escalado como artista de abertura da etapa norte-americana, havia sido substituído pela banda dinamarquesa Lukas Graham e pelo cantor irlandês Aaron Rowe antes de ambos desistirem.

Finneas, irmão e colaborador musical de Billie Eilish, estava previsto para acompanhar Sheeran na América do Sul ainda neste ano, mas também deixou a turnê no início desta semana.

Antes do show, um pequeno grupo de manifestantes pró-Palestina se reuniu do lado de fora do estádio. Hillary Steinberg, de 34 anos, moradora da Filadélfia, disse que havia comprado ingressos um ano atrás, mas acabou pedindo reembolso e participou do protesto, decepcionada por considerar que Sheeran não havia se posicionado.

“Eu era, até esta semana, uma grande fã de Ed Sheeran”, disse Steinberg. “Acho que toda arte é política, e toda música é política. Então essa escolha, mesmo que ele dissesse que não era cúmplice, é uma escolha política.”

O show aconteceu após uma semana conturbada, iniciada com a retirada de Macklemore da turnê depois de ele gritar “Palestina livre” durante uma apresentação em 5 de setembro, em Nova Jersey. Sheeran afirmou que não foi responsável pela decisão, tomada após pressão de Robert Kraft, proprietário do New England Patriots. A empresa do empresário é dona de um estádio no qual a turnê de Sheeran estava prevista para se apresentar na sexta-feira.

Poucas horas depois do comunicado publicado por Sheeran na terça-feira, seus artistas de abertura desistiram da turnê.

No sábado, Diane Savitz, uma espectadora de 53 anos de Stroudsburg, disse ser grande fã de Sheeran, não acreditar que ele tenha feito algo errado e considerar que um show não é o lugar para política.

“Um show deveria ser para as pessoas aproveitarem a música. A música deveria unir as pessoas”, disse Savitz. “Todos têm direito à liberdade de expressão, mas nem toda plataforma é o lugar para isso.”

Macklemore afirmou na quarta-feira que doaria US$ 1 milhão para iniciativas de apoio aos palestinos e pediu que Kraft igualasse a quantia. Um porta-voz de Kraft afirmou que o bilionário e Sheeran concordaram, cada um, em doar US$ 2 milhões, mas não informou para onde o dinheiro seria destinado. Representantes de Sheeran não responderam a diversos pedidos de comentário.

A Loop Tour, de Sheeran, foi a turnê de maior arrecadação do mundo, com média de bilheteria superior a US$ 7 milhões por cidade, segundo a Pollstar em maio. Até o fim de 2025, Sheeran era o terceiro artista de shows com maior arrecadação desde 2021.

Sheeran afirmou que a produtora responsável pela turnê teve a palavra final sobre a decisão de retirar Macklemore da programação.

Em um comunicado publicado na terça-feira, o vencedor do Grammy havia sido enfático ao afirmar que não seria levado a discutir a guerra em Gaza, argumentando que seus fãs não vão aos shows para ouvir sobre essas questões.

Ele também disse que “conversou longamente com os locais de shows durante toda a semana para tentar construir uma ponte” antes da retirada de Macklemore. Sheeran insistiu que nunca decepcionaria seus fãs deliberadamente nem abandonaria a equipe da turnê e outras pessoas que dependem dele para ganhar a vida.

Embora promotores e casas de shows tenham grande poder sobre turnês, especialistas afirmam que um artista da dimensão de Sheeran geralmente tem a palavra final sobre o que acontece nas apresentações.

Sheeran disse ao público na Filadélfia que todos são bem-vindos em seus shows e que podem ter pontos de vista opostos e, ainda assim, cantar juntos suas músicas, que tratam de “amor, esperança e união”.

[Este conteúdo foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui.]