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John Galliano cancela Met Gala 2027 após polêmica sobre racismo no passado

O estilista seria o terceiro designer vivo a receber uma homenagem do Met

John Galliano e Anna Wintour

John Galliano e Anna Wintour (Grosby Group)

John Galliano acaba de anunciar que está cancelando sua participação no Met Gala e na exposição que o acompanha em 2027. O designer britânico seria homenageado pelo Met, mas, decidiu por rejeitar essa movimentação devido às reações do público sobre suas declarações racistas no passado.

“Me responsabilizo totalmente pela dor que minhas palavras causaram no passado, especialmente machuquei as comunidades judaica e asiática, e continuo arrependido”, Galliano escreveu em uma declaração nas suas redes sociais nesta segunda, 31.

“Entendo que reparação de verdade não vem na forma de uma exposição, reconhecimento institucional ou um único gesto público. É uma responsabilidade contínua”, ele continua.

Homenagem no Met Gala 2027

Galliano seria o tema da exposição de primavera do Costume Institute no Metropolitan Museum of Art, em Nova York (EUA), no próximo ano. Todos os anos, o Met Gala celebra o lançamento da exposição, reunindo celebridades de diversas áreas que comparecem vestindo trajes de alta-costura alinhados ao tema da mostra.

“Não há ninguém mais merecedor de uma exposição dessa magnitude do que John Galliano”, afirmou Anna Wintour, diretora editorial global da Vogue e diretora de conteúdo da Condé Nast, no anúncio da homenagem no Met Gala.

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“Ele é um grande estilista e sua carreira não se resume a um único momento — algo com o qual ele conviverá pelo resto da vida”, continuou ela. “A exposição não evitará abordar os aspectos sombrios do passado de John. Isso faz parte do que o moldou. A mostra abrangerá toda a trajetória de sua carreira e lidará com todos esses aspectos.”

Madonna no Met Gala 2026 (Grosby)
Madonna no Met Gala 2026 (Grosby)

 Confira o texto na íntegra:

“Sou profundamente grato ao Museu de Arte Metropolitana, e particularmente a Max Hollein, Andrew Bolton e Anna Wintour pela honra extraordinária de proporem uma exposição dedicada ao meu trabalho.

Ter minha jornada criativa considerada por um instituto que admirei minha vida inteira foi algo que me moveu mais do que posso expressar. Vou ser, para sempre, grato pela confiança, carinho e ensinamentos que Max, Andrew e Anna, e o time do Met trouxeram para esse projeto.

Depois de muita reflexão e discussão com todos os envolvidos, decidiu, infelizmente, que é melhor que essa exibição não aconteça nesse momento.

Me responsabilizo totalmente pela dor que minhas palavras causaram no passado, especialmente machuquei as comunidades judaica e asiática, e continuo arrependido. Entendo que reparação de verdade não vem na forma de uma exposição, reconhecimento institucional ou um único gesto público. É uma responsabilidade contínua, demonstrada por meio de escuta, aprendizado e comportamento ao longo do tempo.

Não quero que o debate entorno de mim coloque o Met Gala em uma posição difícil ou distraia do trabalho incrível do Costume Institute. Também reconheço e respeito que uma exposição homenageando meu trabalho seria doloroso para alguns.

Também gostaria de expressar minha gratidão a todos que me guiaram, apoiaram e acompanharam por esses quinze anos de sobriedade e recuperação do alcoolismo e vício. Sua sabedoria, paciência e humanidade me ajudaram mais do que posso expressar. Eu continuo profundamente endividado a vocês por me darem, como prometeram, uma vida melhor do que eu poderia ter sonhado.

Minha gratidão ao Met, Max, Andrew e Anna se mantém profunda e contínua. Sua generosidade, humanidade e crença na importância da moda como arte, cultura e história – além da sua compreensão sobre as falhas humanas e a possibilidade de crescimento – vão se manter comigo pra sempre”.

Galliano foi condenado por declarações racistas e anti-semitas

O estilista foi condenado em Paris por acusações de “insultos públicos” em 2010 e 2011. Galliano foi finado em por volta de R$ 36 mil, ou € 6 mil, pela corte francesa.

Em 2011, John Galliano xingou um casal em um bar em Paris, repetidamente os atacando com insultos racistas contra pessoas asiáticas e contra judeus. Segundo a vítima, Geraldine Bloch, ele teria feito mais de 30 comentários anti-semitas em menos de 45 minutos.