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Joe Hahn fala sobre papel do Brasil em documentário do Linkin Park

Produção usa show em São Paulo como fio condutor da narrativa

Linkin Park (divulgação)

Linkin Park (Divulgação)

A reformulação e o retorno do Linkin Park — com um álbum de sucesso, “From Zero” (2024), três singles número um no chart Mainstream Rock e duas indicações ao Grammy — é uma das principais histórias do rock nesta década até agora.

Agora o Linkin Park está contando a história por trás disso. O documentário “Linkin Park: Unshatter”, dirigido pelo integrante do grupo Joe Hahn, chega aos cinemas em lançamento limitado no dia 30 de setembro, cinco dias após o lançamento do álbum ao vivo “Unshatter (Live in São Paulo)”.

Esse show no Brasil, realizado no dia do lançamento do álbum “From Zero” (15 de novembro de 2024), serve como fio condutor do filme, que narra a decisão do Linkin Park de se reunir seis anos após o suicídio do vocalista Chester Bennington ter interrompido uma carreira que, desde 2000, já havia vendido mais de 100 milhões de discos no mundo todo, alcançado cinco álbuns número um na Billboard 200 e 19 singles no top 5 da Mainstream Rock.

“Originalmente, o filme estava previsto para ser só aquele show (em São Paulo), a experiência real de assistir ao show. Eu achei que aquilo não era suficiente”, conta Hahn — que, como diretor criativo do Linkin Park, é responsável pela maioria dos videoclipes da banda — à Billboard, via Zoom. “Eu senti que tudo merecia uma explicação. Eu quis realmente mostrar o que foi preciso para a gente se reerguer, explicar como isso aconteceu, porque há tanta coisa nova envolvida. Não é como apertar um botão; foi realmente um processo”. 

“O processo de fazer esse documentário também foi um processo de cura, porque envolveu muita reflexão, e reconhecimento de coisas que realmente deram certo. Eu acho que o sentimento geral é uma mensagem de esperança.”

Dito isso, Hahn considera as apresentações do filme em São Paulo (o Linkin Park fez dois shows, também em 16 de novembro, para cerca de 97 mil fãs em cada um, no estádio Nubank Parque) como momentos marcantes e incendiários. “Não poderia ter um lugar melhor para fazer isso”, ele diz.

“Os brasileiros sempre imploraram para a gente ir tocar lá; a gente não tinha tocado muito por lá antes disso. E eles foram simplesmente… insanos.”

Assim como seus companheiros de banda, Hahn não tinha ideia de quando, ou se, o Linkin Park sairia do hiato indefinido que anunciou após a morte de Bennington, em 20 de julho de 2017 — data de aniversário de Chris Cornell, do Soundgarden, amigo e mentor que havia cometido suicídio dois meses antes — aos 41 anos.

“A gente só ficou se movendo, se movendo, se movendo desde crianças”, ele explica, “ganhando sucesso quando a gente tinha, tipo, 20 anos. Não parou, e aí parou, e de repente a gente estava na casa dos 40. Para ter terminado do jeito que terminou, existem tantos sentimentos que vêm junto com isso — solidão, vergonha, você escolhe”.

+Leia mais: ‘Unshatter’, documentário do Linkin Park, mostra como a banda juntou os cacos

“Eu acho que quando a gente começou a conversar de novo, havia muita empatia por todos os lados, e abertura — e também semelhança. A gente estava passando por coisas parecidas o suficiente para se identificar de um jeito que outras pessoas talvez não conseguissem, só por causa da nossa própria experiência de vida juntos. A gente é meio que uma banda velha, mas realmente se enxerga como uma banda nova ao mesmo tempo. De alguma forma, a gente conseguiu recomeçar e retomar de onde tinha parado. A gente fez isso pelos motivos certos, principalmente porque a gente ama a música, e ama estar junto.”

Emily Armstrong durante show do Linkin Park no show do Morumbis (Kelin Gnoatto/Brazil News)
Emily Armstrong durante show do Linkin Park no show do Morumbis (Kelin Gnoatto/Brazil News)

Os bastidores do documentário do Linkin Park

Além das imagens dos shows — de São Paulo e do show em Los Angeles, no dia 11 de setembro de 2024, onde o Linkin Park revelou seus planos, além da nova vocalista Emily Armstrong e do baterista Colin Brittain —, “Unshatter” traz muitos registros de bastidores, incluindo as conversas iniciais entre Hahn, o vocalista Mike Shinoda e o baixista Dave “Phoenix” Farrell sobre ressuscitar a banda.

O videomaker Mark Fiore, amigo de infância de Farrell, trabalha com a banda (anteriormente conhecida como Xero e Hybrid Theory) desde os primeiros dias; Hahn se refere a Fiore como “quase um sétimo integrante” e diz que, a essa altura, “a gente já está tão acostumado que nem percebe mais que as câmeras estão ligadas. E quando eu saio em turnê, eu faço questão de levar uma câmera comigo e captar o máximo que eu conseguir… Às vezes pode ser meio chato, mas aí, dois anos depois, 10 anos depois, 30 anos depois, eu fico tipo: ‘Nossa, que bom que eu tirei aquela foto…'”.

O filme, de uma hora e 50 minutos — com o subtítulo “The Hardest Part of Ending Is Starting Again” — leva os espectadores por todo o processo de reformulação, incluindo as chegadas de Armstrong e Brittain e a composição e gravação de “From Zero”. 

Em uma cena memorável, Mark Hoppus, do Blink-182, visita a banda e diz sentir “arrepios” ao ouvir as novas faixas em andamento.

“Eu acho que a gente estava confiante no que estava fazendo”, relembra Hahn, “mas ao mesmo tempo, cheio de dúvidas. A gente é humano. Certas coisas passam pela sua cabeça — ‘A gente está fazendo a coisa certa?’, ‘O que fulano vai pensar?’. Algumas dessas coisas nunca desaparecem de verdade. Então, receber esse tipo de incentivo e contar uns com os outros para se incentivar, foi o que manteve a gente em pé.”

“Unshatter” faz referência à história da banda, incluindo algumas imagens antigas de ensaio com Bennington durante os créditos finais, mas mantém o foco em acontecimentos recentes.

O filme trata com cuidado a decisão do baterista Rob Bourdon de não retornar, mas se aprofunda na conversa com o guitarrista Brad Delson sobre suas reservas iniciais, que, no fim das contas, resultaram em sua contribuição para “From Zero”, mas na decisão de não fazer a turnê com o Linkin Park.

Uma coisa que você não vai ver no filme, porém, é um momento de ruptura dramática nos moldes da saída temporária de James Hetfield do Metallica no documentário “Some Kind of Monster”, de 2004 — porque nada parecido aconteceu, segundo Hahn.

+Leia mais: Turnê de retorno do Linkin Park é a maior da carreira da banda

“Eu simplesmente abordei isso da forma mais honesta possível, sem fabricar nada, sem procurar conflito”, ele diz. “As coisas que são óbvias vão simplesmente estar lá. Isso foi o resultado de algo terrível que aconteceu. É um filme sobre cura. As pessoas conhecem a história. Elas conhecem a tragédia envolvida e provavelmente já têm uma ideia do que aconteceu. Já tem o suficiente ali.” Isso também foi o que motivou Hahn a dirigir o filme ele mesmo, depois de um “instinto inicial” de deixar outra pessoa à frente do projeto.

“É impossível para qualquer pessoa de fora chegar e ser objetiva”, ele observa. “Elas estão tentando criar uma história. Vão procurar drama, grandes histórias, blockbusters, ou como você quiser chamar. O filme inteiro gira em torno de algum tipo de caos. Era importante para mim não fazer isso… e simplesmente contar a história que já existe ali.”

É uma história que vai continuar, diz Hahn. Enquanto “Unshatter” é lançado (ingressos e informações sobre os cinemas podem ser encontrados em linkinpark.com), o grupo está planejando os próximos passos — incluindo, segundo Hahn, mais alguns videoclipes. Por enquanto, ele não oferece detalhes concretos sobre nova música e outros planos.

“Eu sinto que esse filme chega no momento perfeito para a gente”, diz Hahn. “Ele fecha tudo o que a gente fez desde From Zero e reflete sobre o que foi preciso para a gente chegar até aqui. Todo mundo ficou tipo: ‘Ok, vamos garantir que a gente tire pelo menos um mês de folga e depois vamos voltar ao trabalho’. Então agora a gente está compondo de novo. Não tem um cronograma, mas eu acho que existe uma urgência. A gente sabe que consegue trabalhar rápido, porque a gente está muito animado para produzir bastante, então não vai ser mais cinco anos, ou muito tempo, até a gente lançar algo novo. Ao mesmo tempo, a gente já esteve tão presente na vida das pessoas com (From Zero) que vai ser bom dar um respiro para elas, e depois se reunir de novo e criar algo realmente ótimo.”

Linkin Park no show no Morumbis (Kelin Gnoatto/Brazil News)
Linkin Park no show no Morumbis (Kelin Gnoatto/Brazil News)
Linkin Park faz show na garoa de São Paulo (Kelin Gnoatto/Brazil News)
Linkin Park faz show na garoa de São Paulo (Kelin Gnoatto/Brazil News)
[Este conteúdo foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui].