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Linn Holmes leva a energia da Motown e a crueza do rock clássico a uma nova fase

De corais gospel aos palcos de Los Angeles, conheça a cantora sueca

A cantora Linn Holmes

A cantora Linn Holmes / Divulgação

Há muita história da música condensada na voz de Linn Holmstedt — ou Linn Holmes, como é conhecida. Ela cresceu na Suécia cantando gospel com a mãe, descobriu o rock ’n’ roll por influência do pai e acabou chegando a Los Angeles, onde passou a conviver com músicos e frequenta casas de show que ajudaram a definir o rock americano. Agora, com o novo single “Juliana”, Linn coloca todas essas referências a serviço de uma linguagem própria.

“Juliana” representa o lado mais vibrante dessa equação. Construída como um hino de rock inspirado na Motown, a faixa combina uma seção rítmica potente com metais, camadas de backing vocals e a voz marcante de Linn Holmes à frente. Composta por Daniel Jakubovic, com letra da própria cantora, Jakubovic e Tom Chandler, e produzida por Jakubovic — que também toca guitarra, baixo e bateria —, a música carrega a energia de um clássico sem soar como uma tentativa de recriar o passado.

O arranjo dá bastante movimento à faixa. Adam Peri assume os teclados, enquanto Richard Velzen, Sean Billings e Jeremy Lippett acrescentam trombone, trompete e saxofone. Os backing vocals de Su Isaac, Olivia Junholm e Mckail Seely dão ainda mais impulso à canção.

Ao lado do produtor Tom Chandler, Linn Holmes lançou dois singles, seguidos por um EP completo, atraindo atenção de diferentes partes do mundo. As gravações também reuniram um grupo de músicos de peso, entre eles Derek Frank, baixista de Shania Twain, e o guitarrista Adam Peri, que acumula trabalhos com Alien Ant Farm, Puddle of Mudd, Paulina Rubio e Berlin.

Mas “Juliana” é apenas uma parte do que Linn vem construindo. Sua recente gravação de “Whipping Post”, clássico dos Allman Brothers lançado pela Cleopatra Records, segue por um caminho bastante diferente. Com participação do guitarrista de blues indicado ao Grammy Eric Gales, a interpretação explora o lado mais pesado e mais marcado pelo blues de sua voz. Em vez de simplesmente reproduzir uma das músicas mais conhecidas do catálogo dos Allman Brothers, cantora a aborda como uma vocalista que passou anos se apresentando ao lado de músicos de rock e blues.

Essa conexão com a música clássica americana vem de longe. A paixão de seu pai por Allman Brothers Band, Aretha Franklin, Bonnie Raitt e Fleetwood Mac entrou cedo em seu vocabulário musical, enquanto sua mãe a apresentou ao gospel e às harmonias vocais. Desde bebê, ela já cantava em um coral gospel e, aos três anos, passou a integrar corais por conta própria.

Sua primeira apresentação na televisão aconteceu aos quatro anos, quando participou do popular programa sueco “Allsång på Skansen” ao lado de alguns artistas já estabelecidos no país. Anos depois, aquela experiência precoce com harmonias continua sendo parte central de sua maneira de trabalhar.

A vida de Linn Holmes em Los Angeles

Depois de se mudar para a Cidade dos Anjos, Linn Holmes construiu uma carreira transitando entre trabalhos de estúdio, apresentações ao vivo e suas próprias gravações. Em 2020, tornou-se cantora de estúdio residente da Sparam Entertainment, empresa de gerenciamento artístico sediada em Los Angeles, fazendo backing vocals para artistas de seu casting.

Entre os trabalhos estão sessões para o artista pop australiano Julian De Vizio, cuja música apareceu em produções da Netflix como “Love Is Blind” e “Too Hot To Handle”, além de Lee Brown, da boyband britânica Phase 5, e do artista pop Tommi Aura. A cantora também começou a se apresentar como artista ao lado do duo de blues e rock Swedish Highcoast Ensemble antes de lançar seu projeto solo.

Linn Holmes segue profundamente envolvida com a cena de música ao vivo de Los Angeles. Ela integra a banda de rock retrô Harry Katz and the Pistachios, formada por dez integrantes, com a qual se apresenta em festivais e casas de show por toda a Califórnia. Na tradicional Ultimate Jam Night, realizada no Whisky A Go Go, atua como diretora do conjunto vocal e backing vocal da banda da casa — função que já a colocou no palco ao lado de músicos como Cherrie Currie, da Runaways; Alissa White-Gluz, do Arch Enemy; Phil X, guitarrista do Bon Jovi; Orianthi; Robby Krieger, guitarrista fundador dos Doors; Dave Weckl; e Simon Phillips.

Suas próprias apresentações já passaram por casas como The Paramount, Whisky A Go Go e The Viper Room, além da Anaheim Arena e de festivais como NextFest LA, June Gloom Festival e International Pop Overthrow. Em 2025, Holmes também saiu em turnê como atração de abertura da banda texana de alt-country The Droptines, tocando para casas cheias em espaços como o Belly Up, em Solana Beach, e o Troubadour, em West Hollywood.

Essa amplitude é fundamental para entender Linn Holmes. Ela não é apenas uma cantora que lança discos. Passou anos aprendendo como as músicas funcionam por dentro, seja gravando backing vocals, dirigindo um conjunto vocal, se apresentando com uma banda numerosa ou assumindo a linha de frente do palco.

Sua carreira fonográfica também começou a alcançar públicos fora dos Estados Unidos. Sua música já tocou em rádios do Reino Unido, Canadá e Argentina, enquanto seus lançamentos anteriores ultrapassaram, no ano passado, a marca de 100 mil streams no Spotify. Linn Holmes também foi indicada ao prêmio de melhor performance ao vivo no International AIM Independent Music Awards de 2024, ao lado de nomes como Asking Alexandria, Five Finger Death Punch e Bananarama.

Há uma conexão natural entre a abordagem de Linn e a cultura musical que há décadas aproxima Los Angeles e o Brasil. O público brasileiro tem uma relação profunda com a musicalidade, o groove e o encontro entre rock, soul e blues — características presentes em todo o trabalho da artista. “Juliana”, com seus metais e influência da Motown, é um exemplo claro dessa afinidade.

Agora, Linn Holmes já está de volta ao estúdio trabalhando em material inédito, com novos lançamentos previstos para breve. Para uma artista cuja formação musical começou em um coral gospel sueco e continuou pelos clubes e palcos lendários de Los Angeles, o próximo capítulo começa a soar cada vez mais como algo que pertence somente a ela.