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Madonna, os Stones e McCartney podem surpreender no Grammy 2027

Ícones disputam Álbum do Ano com uma academia mais jovem e diversa

The Rolling Stones, Madonna e Paul McCartney (Reprodução Facebook) estão entre os indicados do Grammy 2027

The Rolling Stones, Madonna e Paul McCartney (Reprodução Facebook) estão entre os indicados do Grammy 2027

Os novos e aclamados álbuns dos Rolling Stones, de Paul McCartney e de Madonna podem entrar na disputa do Grammy. Mas não estamos em 1987, a última e única vez em que os três ícones foram indicados ao prêmio no mesmo ano.

Entenda o Grammy 2027

Quase quatro décadas depois, os álbuns que eles lançaram em 2026, todos bem recebidos, estão na conversa para Álbum do Ano na premiação de 2027: “Confessions II”, manifesto de Madonna dedicado às pistas; “Foreign Tongues”, a farra de rock e blues dos Stones; e “The Boys of Dungeon Lane”, viagem nostálgica e folk de McCartney. Mas, considerando como a premiação mudou, este é um bom ano para nomes veteranos no Grammy?

Há 20 anos, veteranos tiveram uma sequência surpreendente no Grammy: Herbie Hancock e a dupla Robert Plant e Alison Krauss venceram Álbum do Ano em 2008 e 2009, respectivamente. As vitórias foram um tanto polêmicas. O álbum de covers de Joni Mitchell gravado por Hancock, “River: The Joni Letters”, superou “Back to Black”, de Amy Winehouse (1983-2011), e “Graduation”, de Kanye West. Já “Raising Sand”, de Plant e Krauss, levou a melhor sobre “In Rainbows”, do Radiohead, e “Tha Carter III”, de Lil Wayne.

Para nomes veteranos, esse tipo de vitória na fase mais madura da carreira pode ser especialmente significativo. “Para muitos artistas, o Grammy continua sendo o auge do reconhecimento entre pares”, diz Helen Bruner, musicista indicada ao Grammy (em parceria com Terry Jones), ex-conselheira nacional da Academia de Gravação e ex-presidente da seção da Filadélfia. “Uma indicação ao Álbum do Ano pode confirmar que alguém com uma história extraordinária ainda cria trabalhos capazes de fazer a cultura avançar.”

Em 2005, “Genius Loves Company”, de Ray Charles (1930-2004), álbum póstumo de colaborações de peso, venceu Álbum do Ano superando grandes projetos do Green Day e de Alicia Keys. Voltando mais no tempo, “Two Against Nature”, do Steely Dan, e “Time Out of Mind”, de Bob Dylan, também levaram o prêmio muito depois das fases mais prolíficas desses nomes. Bruner defende que esse reconhecimento é especialmente valioso quando chega tão tarde, porque mostra que quem o recebe “ainda contribui, ainda evolui e ainda é capaz de transformar a cultura”.

Bob Dylan em 2003
Bob Dylan em 2003 (Reuters)

Essas indicações ainda acontecem, mesmo que não tenham resultado em vitórias recentemente. Em 2023, o grupo sueco ABBA foi indicado por “Voyage”, seu primeiro álbum de inéditas em 40 anos. Em 2022, o veterano cantor Tony Bennett (1926-2023) recebeu a indicação por “Love for Sale”, seu segundo álbum colaborativo com Lady Gaga.

Mas, com um corpo de votantes hoje mais jovem e diverso no Grammy, as chances de veteranos serem indicados, quanto mais vencerem, são menores do que já foram. Segundo a Academia de Gravação, mais de 3,8 mil pessoas criadoras e profissionais da música entraram na turma de novos membros de 2025 (apta a votar no Grammy de 2026). Dessa turma, 50% têm 39 anos ou menos, 58% são pessoas não brancas e 35% se identificam como mulheres.

Como parte de um esforço contínuo para ampliar e diversificar seu quadro, a academia enviou convites a mais de 4 mil pessoas da música para a turma de 2026, apta a votar na premiação de 2027. Isso provavelmente ajudou nomes com bases de fãs mais jovens, como Harry Styles, Bad Bunny e Billie Eilish, a levar o prêmio principal na década de 2020.

“Um corpo de votantes mais jovem certamente vai diminuir o domínio de artistas mais velhos”, diz Steve Greenberg, membro votante há 30 anos, ex-integrante do conselho de governadores da seção de Nova York e vencedor de dois Grammys. “Isso provavelmente é algo bom, porque é sempre bom abrir espaço para artistas mais jovens.”

Ainda assim, desde 2021, quando a academia dissolveu seus comitês de revisão de indicações, quem define diretamente as indicações em Álbum do Ano é a base de votantes do Grammy. Por isso, o fato de o grande público conhecer tão bem os Stones, McCartney e Madonna pode dar a eles uma vantagem competitiva.

“Nomes como esses teriam mais chances de ser indicados em uma categoria de álbum”, diz Greenberg. “Principalmente em Álbum do Ano, em que pessoas de todos os cantos da indústria e de todos os gêneros musicais votam na categoria. Os únicos nomes que todo mundo conhece podem ser justamente os veteranos.”

Com a ampliação da categoria Álbum do Ano de cinco para oito indicados em 2019 no Grammy (número que se mantém até hoje, depois de um aumento temporário para dez em 2022 e 2023), nomes com reconhecimento tão amplo podem simplesmente ter uma vantagem estatística numa disputa mais concorrida. “De certa forma, ser indicado é a parte mais difícil”, diz Greenberg. “Depois da indicação, você não precisa de uma porcentagem tão esmagadora dos votos para vencer.”

Olivia Rodrigo (Christopher Polk/Billboard)
Olivia Rodrigo (Christopher Polk/Billboard)

Mas McCartney, Madonna e os Stones (que somam 124 indicações desde 1965) vão competir no Grammy com alguns dos maiores hitmakers da atualidade, provavelmente incluindo alguma combinação entre Taylor Swift, Olivia Rodrigo, Olivia Dean, Bruno Mars, Noah Kahan, RAYE e Rosalía.

“Hoje, os veteranos convivem com gerações inteiramente novas de superestrelas que criam seus próprios momentos culturais”, diz Bruner. “O corpo de votantes também abrange várias gerações, trazendo diferentes experiências e perspectivas musicais ao processo. Acho que isso torna a conversa mais interessante. Hoje, um nome veterano não é avaliado apenas no contexto da sua história.”

Ser uma megaestrela por décadas tem suas vantagens, porém. Com visibilidade global e reconhecimento duradouro, Madonna, os Stones e McCartney tiveram grandes campanhas de lançamento e cobertura de imprensa de primeira linha para os novos projetos. “Tenho certeza de que essa atenção vai ajudá-los na corrida pelo Grammy”, diz Greenberg.

Dito isso, os Stones e Madonna foram indicados a Álbum do Ano apenas uma vez cada: os Stones por “Some Girls”, na cerimônia de 1979, e Madonna por “Ray of Light”, em 1999. McCartney foi indicado quatro vezes desde o fim dos Beatles: em 1975, com “Band on the Run” (com os Wings); em 1983, com “Tug of War”; em 1998, com “Flaming Pie”; e em 2006, com “Chaos and Creation in the Backyard”.

Os Stones receberam o prêmio pelo conjunto da obra da academia em 1986, e McCartney, em 1990. É possível que votantes do Grammy vejam este ano como a última oportunidade de reconhecer esses nomes em vida (McCartney tem 84 anos, Mick Jagger tem 83, Keith Richards, 82, e Ronnie Wood, 79). Mas “Confessions II”, de Madonna, dominou a conversa cultural de um jeito que os outros dois álbuns não conseguiram.

O disco estreou no topo do Billboard 200 e fez da cantora, de 68 anos, o primeiro nome a liderar o chart na década de 2020 e em outras três décadas. Em setembro, ela foi a grande vencedora do MTV Video Music Awards, com sete prêmios, incluindo Artista do Ano. Indicá-la ao Álbum do Ano não seria exatamente uma aposta arriscada para o Grammy.

E, se vitórias de veteranos em anos anteriores pareceram para algumas pessoas a prova de que o Grammy estava desconectado da realidade, um prêmio para Madonna seria, ao mesmo tempo, uma homenagem a um ícone de longa data e o reconhecimento de um dos álbuns mais comentados do ano. Possivelmente, uma vitória dupla, tanto para Madonna quanto para a própria academia.

Esta matéria foi publicada na edição de 3 de outubro de 2026 da Billboard.

[Este conteúdo foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui].