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Marina Sena: as três eras da cantora em sua carreira solo

Dos primeiros hits a ‘Coisas Naturais’, artista evitou repetir a própria fórmula

Marina Sena em ensaio exclusivo para a Billboard Brasil (Gabriela Schmidt/BillboardBR)

Marina Sena em ensaio exclusivo para a Billboard Brasil (Gabriela Schmidt/BillboardBR)

Em quatro anos, Marina Sena lançou três álbuns e evitou uma tentação comum a quem encontra um hit logo na estreia: reproduzir o próprio acerto. “Por Supuesto”, com seu sucesso astronômico, poderia ter virado molde. Não virou. Entre 2021 e 2025, a cantora passou do pop arejado e da imagem de miss de “De Primeira” à atmosfera eletrônica de “Vício Inerente” e, mais recentemente, à colagem de instrumentos, ritmos e referências de “Coisas Naturais”.

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Antes de assinar discos com o próprio nome, Marina Sena passou anos dividindo voz, repertório e decisões artísticas com outras pessoas. Em Montes Claros, integrou A Outra Banda da Lua, grupo no qual começou a transformar as primeiras composições em trabalho de palco. Mais tarde, já em Belo Horizonte, formou o Rosa Neon, quarteto de pop que chamou atenção na cena independente e encerrou as atividades em 2020, depois de emplacar o hit “Ombrim”. 

Mudanças de rumo e estética musical, portanto, sempre foram comuns em sua trajetória. Ela mesma resumiu essa lógica camaleônica ao falar do segundo disco: “O artista não pode ser cover de si mesmo”. A voz e o jeito de compor permanecem reconhecíveis; o entorno muda. Produção, figurino, movimento, cenário e até a relação com as diferentes cidades onde viveu ajudam a separar uma era da outra. 

‘De Primeira’: Little Miss Sena

O álbum de estreia, lançado em agosto de 2021 e produzido por Iuri Rio Branco, então namorado da cantora, reunia músicas amadurecidas ao longo de anos. Pop, MPB, samba, axé, reggae e dancehall conviviam sem a obrigação de caber numa única prateleira. A capa tratou de transformar essa mistura em personagem: Marina posa como uma candidata a miss, evocando uma atmosfera de estreia e competição por espaço. A imagem é colorida e direta, com humor e referências populares. Foi essa pele que apresentou Marina ao grande público, mas ela nunca a tratou como uniforme.

‘Vício Inerente’: a cidade entra em cena

Dois anos depois, a paisagem mudou. “Vício Inerente” partiu da mudança da mineira para São Paulo e levou para sua música beats, sintetizadores e referências de trap, R&B, drill, funk, grime e reggaeton. Na época, Marina Sena disse que queria representar “uma menina que saiu do interior e foi morar na capital”. A concha no peito na foto de capa guarda uma lembrança da natureza numa imagem azulada, fria e urbana. No palco da turnê e nos visuais entraram a noite, os carros, o brilho e o movimento ainda mais marcados. Não foi uma negação da estreia; foi a mesma artista testando fazer coisas diferentes.

‘Coisas Naturais’: voltar sem voltar atrás

Em 2025, a mudança seguinte teve jeito de retorno. Para “Coisas Naturais”, Marina Sena se reuniu por dez dias em um sítio em São Roque, no interior de São Paulo, com Janluska, André Oliva e Matheus Bragança, músicos ligados à sua formação musical com A Outra Banda da Lua. “Tive que buscar a inocência do começo”, disse.

A direção musical passou para Janluska, e banda, percussão e violão voltaram ao primeiro plano sem expulsar beats e sintetizadores. A capa troca o futurismo concentrado por uma colagem de texturas, objetos e cores. Musicalmente, o álbum aproxima pop-rock, bossa nova, samba, bachata, reggaeton, reggae, funk, lo-fi e brega.