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Mumford & Sons no Rock in Rio 2026

Mumford & Sons no Rock in Rio 2026 (@deaniechen)

Mumford & Sons no Rock in Rio 2026: só canção boa e uma plateia inteira cantando

Banda encerrou o Palco Sunset sob chuva fina com folk autêntico

Mumford & Sons provou que canção boa não precisa de cenário. A banda encerrou o penúltimo dia de Rock in Rio 2026 no Palco Sunset, pouco antes do Maroon 5 assumir o Palco Mundo, e entregou exatamente o que uma boa canção folk precisa para funcionar: nada além dela mesma. Luz objetiva, sem grande cenário, sem pirotecnia, e o repertório carregando o show inteiro.

A banda nasceu em Londres, formada por Marcus Mumford, Ben Lovett, Ted Dwane e Winston Marshall — este último deixou o grupo em 2021. O álbum de estreia, “Sigh No More”, de 2009, ganhou força depois de uma apresentação no Grammy de 2011 e virou multiplatina dos dois lados do Atlântico.

“Babel”, de 2012, foi o mais vendido do Reino Unido naquele ano e levou o Grammy de Álbum do Ano em 2013. Depois vieram “Wilder Mind”, número um nas paradas britânicas, e “Delta”. Sete anos de silêncio depois, vieram mais dois discos seguidos: “Rushmere”, em 2025, e o mais recente, em 2026.

Marcus Mumford é o centro de tudo. Tem uma voz rouca, quase áspera, com algo da música gospel contemporânea e um pouco de Bob Dylan na distância. Toca violão de aço com uma firmeza de mão direita rara entre frontmen de festival, alternando com a guitarra ao longo do show. É ele quem conversa com o público, conduz as dinâmicas e sorri de verdade quando a plateia entra no refrão, emocionada e envolvida.

Ouça Mumford & Sons

A banda estreou no Brasil há 10 anos, no Lollapalooza de 2016, num show lembrado pela forte conexão com os fãs. Uma década depois, encerraram o Sunset no Rock in Rio sob uma chuva fina e persistente — atmosfera perfeita para uma banda romântica se apresentar. A instrumentação, essencialmente folk, foi muito bem tocada: banjo, bandolim, baixo acústico, violão de aço, guitarra. A banda tem uma dinâmica excelente, um som autêntico e uma identidade reconhecível dentro do indie folk.

Teve solo de banjo, solo de bandolim e gritos da plateia a cada introdução reconhecida. “Little Lion Man”, por exemplo, apareceu cedo, com o público inteiro cantando o refrão, e a banda repetindo “obrigado, obrigado”, arriscando algumas palavras em português.

Músicas como “Dust Bowl Dance”, “White Blank Page”, “Rushmere” e “I Will Wait” foram cantadas de mãos para o alto por todo o público presente. As mais novas mostraram uma fase mais trabalhada, sem abrir mão dos hooks fáceis de aprender que sempre foram marca da banda — muito “oh oh oh, ah ah”, todo mundo cantando junto.

Mumford & Sons no Rock in Rio 2026
Mumford & Sons no Rock in Rio 2026 (@deaniechen)

Quando a chuva deu trégua, “The Banjo Song” (ou “Banjolin Song”) e “Awake My Soul” fecharam a apresentação. O som estava excelente, potente e muito bem definido — aquela mixagem “gringa”, bem cuidada.

Mumford & Sons entende bem uma coisa fundamental num show de festival: dinâmica. Existem momentos construídos para a plateia entrar, cantar, levantar as mãos, explodir junto com a banda. Parece simples, mas não é — e eu adoro quando o artista coloca esses momentos dentro do arranjo. Casais, famílias, crianças, quem acompanha a banda há anos e quem chegou a essas músicas depois: todo mundo ali, cantando junto.

Foi um show honesto, afinado, quase intimista, e muito bem encaixado na programação — a proposta certa para fechar o Sunset antes da explosão pop do Palco Mundo. Mumford & Sons não precisou de fogos, telões gigantes ou coreografia. Precisou de canção boa, banda afiada e um vocalista que sabe o que faz com um palco e um violão nas mãos, além de um público muito bem conectado do início ao fim.

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