
Olodum no Rock in Rio 2026 (Divulgação)
Olodum celebra Bahia no Rock in Rio e sonha em parceria com Black Eyed Peas
Com 47 anos de estrada, grupo destaca papel dos projetos sociais na longevidade
Quarenta e sete anos depois de nascer no Pelourinho, em Salvador, o Olodum voltou ao Rock in Rio neste sábado (12) como convidado dos Gilsons no Palco Sunset do Rock in Rio. O encontro, que ainda reuniu Daniela Mercury e Narcizinho, serviu como mais um capítulo de uma trajetória que levou os tambores do grupo para diferentes partes do mundo, mas sem afastá-lo do trabalho social que começou na Bahia.
No palco, o Olodum entrou em músicas como “Nossa Gente (Avisa Lá)” e “Deusa do Amor”. A apresentação ainda teve “Várias Queixas”, participação de Daniela em “Devagarinho”, uma versão de “Swing da Cor” e, na reta final, “Faraó”, “O Canto da Cidade” e “Oyá Por Nós”, samba escolhido pela Mangueira para o Carnaval de 2027.
Antes da apresentação, integrantes do Olodum conversaram com a Billboard Brasil sobre o encontro de diferentes gerações da música baiana. Para o grupo, a combinação com Gilsons, Daniela e Narcizinho parte de uma origem musical compartilhada.
“A Bahia é um grande caldeirão cultural. Todo mundo praticamente bebe da mesma fonte. Tem essa água percussiva, tem o dendê, então tem toda essa mistura”, resumiu Lucas Di Fiori.
O convite para o Rock in Rio também colocou o Olodum novamente diante de uma plateia de festival depois de uma história marcada por colaborações. Uma das mais conhecidas aconteceu em 1996, quando o grupo participou da versão brasileira do clipe de “They Don’t Care About Us”, de Michael Jackson, dirigido por Spike Lee e gravado no Pelourinho e no Morro Dona Marta, no Rio. A parceria ajudou a projetar internacionalmente o samba-reggae baiano.
Questionados pela Billboard Brasil sobre artistas que ainda gostariam de encontrar musicalmente, os integrantes citaram o Black Eyed Peas como uma possibilidade internacional. Também apareceram na conversa nomes brasileiros como Marcelo Falcão e Ponto de Equilíbrio.
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‘A gente não esperava que o Olodum chegasse até aqui’
O balanço dos 47 anos, porém, levou a conversa para além dos palcos. Criado em 1979 por moradores do Maciel-Pelourinho como uma opção de lazer para o Carnaval, o Olodum se transformou em uma organização que hoje reúne bloco, banda, escola, projetos de memória, editora e outras iniciativas culturais e educacionais.
“A gente não esperava que o Olodum chegasse até aqui. Foi criado para ser uma opção de entretenimento de um lugar e virou gigante”, disse Lazinho, fundador do grupo. “Acho que a força do trabalho e a seriedade fazem com que você se acostume com o que está acontecendo. A gente espera que o Olodum exista por muito mais 47 anos.”
Na definição de Lazinho, a continuidade também passa pela capacidade de registrar uma experiência coletiva. “Nós somos contadores de histórias. Nós contamos a história do povo de um lugar e as pessoas acreditaram, pararam para nos ouvir.”
Escola Olodum ajuda a renovar o grupo
Parte dessa longevidade é atribuída à Escola Olodum, criada em 1983 e dedicada à formação por meio da arte, cultura e educação antirracista. O projeto permanece ativo e hoje integra uma estrutura que também oferece ações de formação e parcerias educacionais para antigos alunos.
Na entrevista, os integrantes lembraram a própria passagem pelos projetos voltados às crianças e adolescentes e apontaram essa renovação como uma das razões para o Olodum continuar encontrando novas gerações.
“A gente sabe a importância de ter um corpo social quando isso salva jovens”, disse Lucas. “Na nossa escola tem crianças sendo preparadas melhor do que eu fui. O tempo passa, a gente passa e vêm as crianças. Isso dá longevidade ao Olodum.”