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Adriel Bicho Solto funde drill e Olodum em ‘O Peão Virou Rei’

Segundo álbum do rapper baiano apresenta o novo Olodrill

Adriel Bicho Solto (divulgação)

Adriel Bicho Solto (divulgação)

O Olodrill ganha seu primeiro álbum completo. “O Peão Virou Rei”, segundo disco solo do rapper baiano Adriel Bicho Solto, chega às plataformas nesta sexta-feira (25) trazendo o conceito criado pelo artista a partir do encontro entre o drill e o universo do Olodum.

Com 11 faixas, o disco marca um momento de virada para quem já soma mais de duas décadas de hip-hop no currículo. Tambores, graves e samples afro-baianos dividem espaço com a estrutura agressiva do drill, formando a base sonora do que Adriel chama de Olodrill.

“Não é uma mistura onde metade do projeto é Olodum e a outra metade é drill. É uma nova linguagem construída a partir dessas duas forças. O drill é a linguagem urbana que conduz o projeto, mas o Olodum está no DNA dele”, explica Adriel Bicho Solto. A definição vem em uma frase curta: “Ouvir Olodum é ouvir um grito, ouvir drill é ouvir um ataque. E o grito do ataque é Olodrill.”

A proposta começou a se desenhar antes do lançamento do álbum, em faixas como “Outras Queixas”, que já flertava com o samba-reggae. Vieram depois “REI”, com sample de “Faraó Divindade do Egito”, na voz de Margareth Menezes, “VIROU”, que usa trecho de “Chicleteiro Eu, Chicleteira Ela”, do Chiclete com Banana, e “PEÃO”. Juntas, as três formam uma trilogia que antecipa boa parte da identidade do disco.

O título “O Peão Virou Rei” vem de uma regra do xadrez: ao cruzar o tabuleiro, a peça mais fraca pode virar a mais forte. Natural de Alagoinhas (BA), Adriel Bicho Solto usa essa imagem para falar da própria mudança para São Paulo, marcada por dificuldades financeiras, xenofobia, discriminação e perdas familiares.

Essas experiências viraram matéria-prima para as letras, escritas quase como um diário.

“São 11 faixas que, para mim, são 11 Adriel diferentes, porém cada uma completa a outra. O álbum é com certeza meu trabalho mais pessoal, trazendo coisas totalmente minhas, falando de sentimentos e sensações que eu senti”, conta.

A produção é assinada por Rzl Prod, Edu Beats, Scooby e Junior Carvalho, com arranjos de Rzl Prod e mixagem e masterização dele em parceria com TW O Procurado.

Para fechar a apresentação do projeto, Adriel Bicho Solto resume sua própria trajetória:

“Eu sou peça e jogador desse tabuleiro chamado vida. Atravessei de um lado para o outro, do Nordeste ao Sudeste, e não morri. Eu sou O Peão que Virou Rei, trazendo a sonoridade que mistura ancestralidade e modernidade, tambores e beat, África, Brasil e drill. Eu sou o Olodrill.”

A trajetória começou no rap gospel, aos 17 anos, seguiu pelo grupo Sangue Real e ganhou nova fase em 2023, quando Adriel passou a apostar em carreira solo. Com o novo disco, o Olodrill deixa de ser experimento e se firma como marca própria dentro do rap nacional.

Ouça Adriel Bicho Solto