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Independência ou rock. Mestre da guitarra homenageia herói americano

Paul Gilbert toca no Brasil disco inspirado em George Washington

Paul Gilbert

Paul Gilbert

Primeira coisa que temos de saber de Paul Gilbert: o Mr. Big acabou. É o fim, não volta mais.

“A gente fez uma turnê de despedida, foi linda e não nos reuniremos de novo”, diz o guitarrista, referindo-se ao grupo no qual ele foi um dos líderes –e que tinha os virtuoses Billy Sheehan (baixo), Pat Torpey (bateria, morto 2018 e f0i substituído pelo brasileiro Edu Cominato) e Eric Martin (vocais) – e ajudou a propagar hits como “To Be With You” e “Green Tinted Sixties Mind”. Segundo, a vida continua. Gilbert, um dos virtuosos da guitarra, se apresenta hoje à noite no Fabrique Club, em São Paulo (confira abaixo o serviço).

O repertório será constituído principalmente pelo disco “WROC”. Ele é levemente baseado num manual de comportamento consultado por  George Washington (1732-1799), figura de ponta na luta dos Estados Unidos por sua independência e que se tornou o primeiro presidente do país. Como explicar a importância dele para alguém que nasceu em Marte (ou mesmo nós, brasileiros), que não conhecemos a história americana?

“Bem, ele viveu centenas de anos atrás e montava um cavalo como poucos”, diz o músico. “Ele lutou muito para conquistar a independência e iniciar algo que teve grande influência no mundo; e, claro, há quem discuta o que foi bom e o que não foi, mas, sabe, tendo crescido nos Estados Unidos, sou grato a George Washington.”

Paul Gilbert
Paul Gilbert

A ideia do disco é baseada num livro de etiquetas que o general e político americano não escreveu, mas que o músico pensou que poderia casar como poucos com as normas do rock. “Achei que foi um contraste muito interessante, porque, muitas vezes, o rock and roll pode ser um tipo de música rebelde. Sabe, aquela coisa de ‘botar tudo abaixo’, de ‘derrubar o teto’…esse tipo de sentimento.” E o que Mr. Gilbert pensa do atual administrador dos Estados Unidos, o senhor Donald Trump?

“Eu estou sendo um pouco cauteloso com as minhas próprias ideias, porque não quero estragar uma amizade por algo que eu teria ignorado completamente há 20 anos. De certa forma, se eu tenho uma opinião ou… quer dizer, você sabe, o álbum de rock – obviamente, ele é meio que pró-América, porque está associado a George Washington. Em relação à atual administração, o que eu mais gosto é, provavelmente, o fato de ser engraçada. Sabe, às vezes eu simplesmente dou risada, acho hilário.”

“Quanto às questões mais sérias, muitas delas estão realmente além da minha alçada. Não sou um líder mundial e, se tenho alguma opinião, é provável que eu esteja errado. Por isso, prefiro não me envolver muito com isso”, despista o músico. “Minha posição atual é subir no palco e tocar guitarra”, conclui.

“WROC”, o mais recente disco de Paul Gilbert, é baseado em história. Nos últimos tempos, os musicais têm se utilizado do hip hop e de clássicos do rock local para contar uma história –caso de “Hamilton”, em cartaz na Broadway, e “Invasiones”, espetáculo argentino cujo roteiro se utilizou de canções do roqueiro Charly Garcia. Mr. Gilbert gosta dessas referências? “Na verdade, letras estão entre as últimas coisas que presto atenção na música. Gosto do grupo japonês Loudness, embora não faça ideia do que eles estão cantando. O mesmo acontece com o Led Zeppelin. Sou um cara da melodia.”

Paul Gilbert tem uma variedade de discos tributo. Um deles, por exemplo, homenageia o grande Ronnie James Dio (1942-2010), o maior cantor da era do heavy metal. Outro presta tributo ao mestre da guitarra Jimi Hendrix (1942-1970) –este, por sinal, nasceu por acidente.

Jimi Hendrix (Pinterest)
Jimi Hendrix (Pinterest)

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“Cheguei para um show e o organizador disse: ‘Ah, a atração principal ficou doente. Então, agora você vai ser a atração principal.’ E eu fiquei tipo: ‘O quê?’ Sabe, eu só ia fazer uma participação, não estava preparado para ser a atração principal”, comenta. A música de Hendrix foi escolhida porque ela funciona como poucas na hora da improvisação.

“‘Purple Haze’ provavelmente é uma música de três minutos e meio, mas eu podia estender o solo e transformá-la em uma faixa de oito minutos. Então dava para preencher todo o repertório e fazer a coisa funcionar. Foi uma questão de sobrevivência, sabe? Tentar montar um repertório com o mínimo de preparo”, comenta o guitarrista, que avisa o público brasileiro. “Eu adoro tocar aqui, a platéia é sempre calorosa.”

Paul Gilbert em São Paulo

Data: 8 de setembro de 2026
Local: Fabrique Club (rua Barra Funda, 1071, Barra Funda – São Paulo, SP)
Abertura da casa : 20h
Ingressos em 1° Lote: Pista Meia-entrada e Promocional – doe 1kg de alimento não perecível) – R$ 250,00; Pista Inteira: R$ 500,00
Venda: clubedoingresso.com/evento/paulgilbert-saopaulo
Realização: IDL Entertainment