Percussionista filho de brasileiros tempera o show do Jamiroquai neste domingo
Fabio de Oliveira homenageia samba-jazz brasileiro em disco solo, conheça

Babo_Moreno. Divulgação
Foi unanimidade para quem assistiu ao show do Jamiroquai no Rock in Rio, na última sexta (11). Além da voz e do carisma de Jay Kay, a banda que o acompanhava impressionou pela altíssima competência e groove — e quem ficou de olhos e ouvidos na percussão deve ter sacado um tempero extra brasileiro. Não era impressão. Eram, sim, mãos de um percussionista brasileiro.
Rodeado por um paredão de instrumentos percussivos, Fabio de Oliveira tem sido o titular da percussão das turnês de Jamiroquai nos últimos anos, além de tocar com artistas como Jacob Collier, George Ezra, Airto Moreira, Lil Simz, Jamie Cullum entre outros.
Ele nasceu e cresceu em Londres, filho de pais brasileiros, e hoje é um dos percussionistas mais requisitados da cena britânica e carrega consigo a missão de divulgar o molho da percussão brasileira também por meio de seu projeto solo, Babo Moreno.
Filho do renomado percussionista brasileiro Bosco de Oliveira (que tocou com Terry Callier, Sade e Dom Um Romão), Fabio cresceu em Londres imerso em música. “Londres é um lugar incrível para crescer em muitos sentidos, mas sobretudo musicalmente, porque há tantas culturas diferentes em um só lugar”, conta ele. “Isso naturalmente faz da cidade um terreno fértil para novos estilos com um som muito característico, o Jamiroquai sendo um deles”, disse em entrevista à Billboard Brasil.
Essa mistura de culturas moldou não apenas sua técnica, mas sua identidade. Como ele mesmo define, todo imigrante de segunda geração carrega uma mistura única das duas culturas, e é exatamente essa dualidade que ele celebra em sua música.
A tradição da percussão no Jamiroquai
Fabio não esconde o orgulho de vestir a camisa do Jamiroquai, banda que construiu uma linhagem forte de percussionistas. “Cada um traz seu estilo distinto e influências de tradições diferentes”, explica. “Dando continuidade a essa tradição, estou sempre buscando servir à música. Essas canções são lendárias, e o funk é um estilo que sempre amei e toquei muito em Londres”, diz. Mas ele faz questão de ressaltar: “Procuro respeitar aqueles que vieram antes de mim, e, ao mesmo tempo, naturalmente, sempre haverá uma influência brasileira na minha abordagem da percussão”.
Do clube de jazz ao palco pirâmide
Com uma carreira construída ao lado de artistas de peso no jazz mundial, Fabio acumulou experiências que vão de trios em clubes intimistas ao lendário palco pirâmide do Glastonbury. E agora, soma ao currículo, o palco do Rock in Rio.
“Tenho tido muita sorte de trabalhar com muitos artistas incríveis, e dar vida à música de outra pessoa é algo que ainda gosto muito de fazer”, revela. “Essas experiências me permitiram observar e aprender o que é preciso para montar um show”, diz.
Como líder de banda e produtor, ele carrega uma lição que aprendeu na prática: “Sem a banda, o show não acontece, e quanto mais à vontade eles estiverem, melhor meu show vai soar. Vejo meu principal objetivo como o de organizar e capturar a energia da sala, mas nunca tentar controlá-la demais”, resume.
Percussionista brasileiro… de coração
Sob o nome Babo Moreno, Fabio lançou em 2025 seu álbum de estreia, homônimo, que conta a história de um imigrante de segunda geração vivendo entre dois mundos. O disco reflete sua trajetória e traz influências que vão do forró nordestino ao jazz londrino, passando pelo funk e pela música brasileira.

“Todo imigrante de segunda geração carrega uma mistura única das duas culturas. Ao trazer este disco para os ouvidos do povo brasileiro, eu adoraria que eles pudessem ouvir que, mesmo com a maior influência sendo a música brasileira, há algo diferente nele”, diz. “Espero que seja um lugar onde possamos nos encontrar através das nossas similaridades e diferenças”, pontua.
Para ele, a turnê do Jamiroquai no Brasil é uma chance de reconexão: “Eu adoraria trazer o Babo Moreno para cá em um futuro próximo e me conectar com o povo brasileiro, com quem tenho uma conexão tão profunda”, afirma.
“Essa viagem tem sido muito produtiva no sentido de conhecer músicos incríveis, e espero fazer música com eles no futuro. Construir essa ponte entre a segunda geração vivendo no exterior e o povo daqui é algo muito importante para mim”, diz o músico, que mantém um português em dia graças à sua mãe, Vera Martuscelli de Oliveira, (irmã de Lidoka, ex-integrantes das Frenéticas, falecida em 2016), que também vive em Londres.
Ele também vê o disco como uma forma de mostrar um lado diferente do Brasil para seu público londrino. “Em alguns casos, para pessoas próximas a mim por lá que, apesar de me conhecerem há muito tempo, têm agora uma perspectiva totalmente nova de quem eu sou, depois de terem ouvido o disco e visto o show ao vivo”, conta.
Sua última parada no Brasil com o Jamiroquai será neste domingo (13) em São Paulo, quando a banda se apresenta no Nubank Parque, a partir das 21h.
Serviço
Jamiroquai em São Paulo
Data: domingo, 13 de setembro, a partir das 21h
Local: Nubank Parque (Av. Francisco Matarazzo, 1705 – Água Branca, São Paulo – SP)
Ingressos: de R$ 172,50 a R$ 1.495 através do site Eventim
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