
Pericles canta Motown no Palco Sunset do Rock in Rio (Daniel Pinheiro/BrazilNews)
Péricles transforma clássicos da Motown à sua maneira no Rock in Rio
Cantor revisitou clássicos de Marvin Gaye, Stevie Wonder e The Jackson 5
Há músicas que parecem encontrar uma nova casa quando chegam à voz de Péricles. No Rock in Rio 2026, o cantor deixou temporariamente de lado o repertório que o transformou em uma das principais vozes do samba e do pagode para voltar a algumas das referências que ajudaram a formá-lo.
Nesta segunda-feira (7), o Palco Sunset recebeu “Péricles Canta Motown”, espetáculo dedicado ao legado da histórica gravadora norte-americana e aos artistas que ajudaram a construir a música negra mundial.
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Entre soul, R&B e romantismo, clássicos associados a Marvin Gaye, Stevie Wonder, The Jackson 5 e The Temptations ganharam o peso, a suavidade e, principalmente, o carisma que acompanham o cantor brasileiro há décadas.
Antes de subir ao palco, em entrevista à Billboard Brasil, Péricles explicou que essa relação começou muito antes da ideia de um espetáculo dedicado à gravadora. Para ele, a música da Motown ocupa na sua formação um espaço que convive com uma das escolas fundamentais do samba brasileiro.
“A minha responsabilidade é grande, porque a Motown me formou, né? O som da Motown me formou, assim como o som do Fundo de Quintal me ajudou a me formar. O som da Motown ajudou a me formar, a mim e a vários dos meus — o olhar de respeito pela música, o que fazer, o que não fazer, são grandes exemplos aí”, contou.
Essa conexão ficou evidente quando músicas como “I Heard It Through the Grapevine”, “My Girl”, “I’ll Be There” e “Ain’t No Mountain High Enough” passaram pelo repertório.
Em vez de buscar reproduzir as gravações originais, Péricles colocou nelas uma interpretação própria. A banda e os backing vocals tiveram papel fundamental nessa construção, dando corpo aos arranjos enquanto a voz grave do cantor transitava com naturalidade pelo soul.
E, quando o assunto é Péricles, romance dificilmente ficaria de fora.
O lado romântico ganhou ainda mais espaço com “Cruisin’”. Antes de começar a música, Péricles resolveu envolver a plateia na interpretação e fez um pedido para quem estava acompanhado.
“Uma declaração de amor agora, tá? Olhe para o seu amor e cante para ele. Se ele não estiver aqui, ligue para ele agora!”, brincou.
Não sabia que precisava ver Pericles cantando Cruisin até vê-lo agora no #RockinRio. Lindíssimo, Periclão #PericlesNoMultishow pic.twitter.com/ahDcSugAeb
— Josiley Rafael (@josileyrafael) September 7, 2026
O pedido encontrou resposta imediata na plateia. Casais se abraçaram, beijaram e diferentes demonstrações de carinho se espalharam pelo público enquanto o cantor conduzia a música.
Péricles surgiu de terno de risca de giz, óculos escuros e um manto estampado nas costas com rostos de referências da música negra norte-americana.
Mais do que acompanhar o repertório, o figurino ajudava a colocar o cantor dentro do imaginário de elegância associado às grandes estrelas do soul das décadas de 1960 e 1970.

A homenagem, porém, tinha uma dimensão que ultrapassava a música. Pouco antes da apresentação, a Billboard Brasil perguntou a Péricles o que significava, para um homem negro que cresceu na periferia, ocupar aquele palco cantando artistas que serviram de referência durante sua formação.
“Quando era jovem, negro de periferia, vi esses exemplos e falei: ‘Bicho, isso é legal, esse caminho eu vou seguir; esse caminho eu não posso seguir’”, relembrou.
Ao falar sobre a possibilidade de agora ocupar o outro lado dessa relação e servir de referência para novas gerações, o cantor ampliou a dimensão do tributo.
“A gente faz parte de algo muito maior. E é esse pensamento que a gente tem que guardar no coração e levar sempre pra frente.”
Acompanhe a Billboard Brasil no Rock in Rio 2026
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