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Pesquisa revela que um terço das pessoas contrai dívida para ir a shows

Levantameto do Serasa com o Mapa dos Festivais mostra o impacto no bolso do fã

Pesquisa

Público vibra no show do Oasis em São Paulo (@JOSHUAHALLING)

Os fanáticos por shows e festivais sentem na pele o impacto financeiro de frequentar esses eventos com assíduidade. Mais do que justo, então, ter mais detalhes sobre esse mercado. Foi pensando nisso que a Serasa em parceria com o Mapa dos Festivais encomendou ao Instituto Opinion Box uma pesquisa para entender melhor como são gastos os suados reais dos frequentadores de eventos de música no Brasil.

A Serasa é velha conhecida do público, pois reúne informações sobre dívidas vencidas, protestos e histórico de pagamentos, além de coletar dados financeiros que funcionam como uma espécie de órgão de proteção ao crédito no Brasil. O Mapa dos Festivais é uma plataforma digital brasileira que reúne e organiza informações sobre centenas de festivais de música realizados em todo o país.

A pesquisa mostra que 83% dos frequentadores dos eventos musicais se planejam financeiramente para viver a experiência e 45% começam esse processo de um a três meses antes da data. Por outro lado, 33% já contraíram dívidas por causa de shows e festivais, outros 33% recorreram à reserva de emergência e 14% deixaram de pagar uma conta básica para conseguir participar dos eventos.

Pesquisa
Evento do Mapa dos Festivais com participação da Billboard em 2025 na Bona Casa de Música. Foto: Claudia Assef

Esse impacto no orçamento pode ser explicado com os próprios dados levantados: o planejamento tende a se concentrar no ingresso, enquanto o restante da experiência é subestimado. Quando questionados sobre o que mais pesa, 32% apontam alimentação e bebidas, à frente dos ingressos, citados por 29%. Hospedagem corresponde a 18% e transporte, a 13%.

Ou seja, os gastos que são feitos no impulso, como compra de merchandise, transportes inflacionados, como preço dinâmico de carros de aplicativo e rodadas extras de drinques, pedidas na empolgação do momento, não são lembradas como parte importante no pacote inicial de gastos relacionados à experiência de um show.

Dinheiro invisível

“Quando o planejamento se concentra no ingresso, o custo real deixa de ser contabilizado”, explica Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira. “O deslocamento, a alimentação e a hospedagem devem ser somados, pois representam parte significativa de toda essa experiência”, enfatiza a especialista, que fez a leitura dos dados da pesquisa.

Ainda de acordo com a pesquisa, 52% dos frequentadores afirmam terem gastado mais de R$ 600 em seu último evento musical, enquanto 33% desembolsaram mais de R$ 1 mil.

Quando a conta continua depois do show

Apesar do planejamento, o custo também pode vir acompanhado de frustração: 39% dos entrevistados já se arrependeram de algum gasto relacionado a esses eventos. Segundo a pesquisa, 40% afirmam que a experiência não correspondeu às expectativas e 27% gastaram mais do que haviam planejado.

“A possibilidade de parcelar pode ajudar na organização, mas é preciso lembrar que as prestações continuam fazendo parte do orçamento mesmo depois que o evento termina. Se a compra exigir deixar uma conta básica em aberto ou comprometer a reserva de emergência, o consumidor deve reavaliar se aquele gasto cabe, de fato, em sua realidade financeira”, complementa Vieira.

Para ajudar nesse cálculo, a Serasa disponibiliza uma planilha financeira gratuita voltada especificamente para shows e festivais, que pode ser baixada em neste link.

Metodologia

A pesquisa foi realizada pelo Instituto Opinion Box entre os dias 7 e 17 de agosto de 2026. Ao todo, foram entrevistadas 930 pessoas que frequentam shows e festivais de música, ainda que eventualmente. A margem de erro geral é de 3,2 pontos percentuais.