Ed Sheeran terá show no Brasil com turnê polêmica; o que vem a seguir?
Billboard explica os bastidores da polêmica e o que vem a seguir

Ed Sheeran traz turnê polêmica ao Brasil em 2026 (The Grosby Group)
A turnê “Loop Tour”, de Ed Sheeran, chega ao Brasil no dia 5 de dezembro, com show no Nubank Parque, em São Paulo — mas o trajeto até aqui vem sendo marcado por polêmica.
Depois da expulsão do rapper Macklemore por seus comentários em apoio a uma “Palestina livre”, a Billboard investiga o que o futuro reserva para a turnê de estádios de Ed Sheeran.
Na segunda-feira (14), o rapper de Seattle Macklemore foi removido do posto de abertura da turnê, apenas uma semana após se apresentar em dois shows no MetLife Stadium, em Nova Jersey, onde executou o hino de protesto “Hind’s Hall” e disse “Palestina livre” no palco.
As apresentações, que geraram críticas nas redes sociais de nomes como P!nk e Boy George, aconteceram em meio às críticas de Macklemore ao governo israelense pela guerra em Gaza. “Hind’s Hall” foi originalmente lançada em maio de 2024.
Macklemore estava originalmente escalado para se apresentar em dez shows da turnê de Sheeran, mas fez apenas as duas aparições no MetLife antes de ser removido da turnê.
+Leia mais: Ed Sheeran e Macklemore: veja a linha do tempo de controvérsia em turnê
Macklemore escreveu no Instagram: “Na última segunda-feira, em meio a toda a atenção da mídia em torno da Pink e do que eu disse no MetLife, o Ed me contou que Robert Kraft ligou para ele. Estávamos programados para tocar no Gillette Stadium ainda este mês, que pertence ao Kraft Group. O Ed me disse que o Kraft afirmou que eu não seria autorizado a me apresentar no estádio dele. O Ed também me contou que o Kraft reuniu outros donos de estádios e, juntos, deram um ultimato: “Se o Macklemore continuar na turnê, vocês não poderão se apresentar em nossos locais.”

Em seu próprio comunicado, Kraft disse: “Com base nas ações recentes de Macklemore, no material compartilhado do palco durante os shows de Ed Sheeran em Nova Jersey, e em um histórico mais amplo de retórica e imagens antissemitas que acreditamos terem sido profundamente ofensivas e dolorosas para a comunidade judaica, determinamos que sua participação nos shows de 25 e 26 de setembro no Gillette Stadium ultrapassaria esse limite.”
Na terça-feira (15), Sheeran se pronunciou, afirmando que “a saída de Macklemore da turnê foi decisão do promotor, não minha. O contrato de Macklemore para a turnê era com o promotor, não comigo.”
O promotor, Messina Touring, também divulgou um comunicado, compartilhado inicialmente com a “Rolling Stone”, no qual afirmou ter “sido notificado por locais das próximas datas da turnê nos Estados Unidos de que eles não permitirão que um show aconteça com Macklemore no line-up, o que resultaria no cancelamento da turnê e afetaria centenas de milhares de fãs.”
Além de Macklemore, os artistas de abertura Finneas, Lukas Graham e Aaron Rowe anunciaram que também deixariam de abrir a turnê de Ed Sheeran, todos afirmando que não apoiam o silenciamento de artistas e que estão ao lado da Palestina. A banda Beoga, que serve como banda de apoio em partes da apresentação do próprio Sheeran, também deixou a turnê.
A seguir, a Billboard detalha a logística que pode ter sido necessária para retirar um artista de abertura de uma turnê maior, e o que vem a seguir. A Messina Touring, a agência de contratação norte-americana de Sheeran, a THE•TEAM, e a agência de contratação norte-americana de Macklemore, a WME, não responderam a pedidos de comentário.
+Leia mais: Ed Sheeran diz que decisão de remover Macklemore de turnê ‘não foi minha’
Quem tomou a decisão de retirar Macklemore do show de Ed Sheeran?
Isso ficou um pouco confuso. Inicialmente, Macklemore disse que Kraft e os donos dos locais se uniram para forçar a mão do britânico. O próprio Ed Sheeran afirmou, em seu comunicado, que foram os donos dos locais que exigiram a saída de Macklemore, sob risco de cancelarem os shows, mas também disse que o promotor estava envolvido nessas discussões.
O comunicado de Kraft afirmou que a ameaça de cancelar os shows começou com ele. Mas a declaração de Sheeran também disse: “A decisão do local e do promotor foi final.” A Messina Touring não respondeu a um pedido de esclarecimento adicional. As decisões dos demais artistas de abertura foram próprias.
Veja o comunicado de Ed Sheeran na íntegra
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Algum dono de local já cancelou um show por discordar politicamente de um artista?
Não nessa escala. Em clubes e teatros, houve casos — como em 2024, quando Matisyahu teve diversas datas canceladas, também relacionadas a Israel e Palestina. No entanto, um grupo de donos de estádios se reunir para pedir a retirada de um artista de abertura por causa de uma declaração política — e ameaçar que, caso contrário, o artista principal não poderia se apresentar — não havia acontecido antes, até onde se sabe.
Matisyahu teve shows cancelados no Meow Wolf, em Santa Fe (Novo México), e no Rialto Theater, em Tucson (Arizona), em 2024, devido a preocupações de segurança relacionadas a manifestantes pró-Palestina reunidos do lado de fora dos shows.
Os locais cancelaram as apresentações citando falta de funcionários, com o Meow Wolf divulgando um comunicado que dizia: “Duas horas antes do início programado do show, nos encontramos sem funcionários suficientes para gerenciar com segurança o público, que estava esgotado. O Meow Wolf sempre priorizará a segurança de nossos funcionários e convidados.”
Como costuma acontecer a retirada de um artista de um show?
Normalmente, se um local ou promotor decide não trabalhar com um artista, essa decisão é tomada muito antes de o show ser anunciado; se um local ou promotor não quer apoiar um artista controverso, simplesmente não estende a ele um convite para se apresentar. Cancelamentos de shows ou datas perdidas costumam acontecer por clima, atrasos de voo ou doença; nesses dois últimos casos, geralmente é o próprio artista quem precisa arcar com os custos.
Se o cancelamento é por causa do clima, o seguro costuma cobrir. Em alguns festivais, se um artista já está no local quando o show é cancelado, ele pode manter parte do cachê garantido, mas não o valor total combinado (já que ainda assim não teve a chance de se apresentar).
Essa não é a primeira vez que um artista é retirado de um show por causa de declarações políticas — no ano passado, Kehlani foi removida de datas em Cornell e no Central Park SummerStage, em Nova York, por suas próprias declarações em apoio à Palestina. No caso dela, os organizadores cancelaram o show alegando “motivos de segurança”.
Os contratos permitem legalmente que um artista seja retirado de um show por causa de seu discurso político?
M.I.A. foi recentemente removida da turnê de Kid Cudi por causa de seus próprios comentários políticos, incluindo aqueles sobre a Palestina. Em junho, ela respondeu processando Kid Cudi pela remoção, alegando que ele “conhecia sua postura política” e que ela tinha o direito legal de se expressar.
O contrato de cada artista é diferente, e qualquer disputa entre Macklemore e o promotor da turnê de Sheeran estaria sujeita aos termos específicos assinados quando ele entrou na turnê. Mas, no caso de M.I.A., ela afirma que seu contrato com a Live Nation lhe dava “controle criativo exclusivo e total” sobre o conteúdo de suas apresentações, sem restrições quanto a mensagens políticas: “A Live Nation concordou em pagar a M.I.A. mais de US$ 2,8 milhões independentemente do que ela dissesse no palco. Esse era o acordo.”
O que acontece com Macklemore? Ele será pago?
Depende do contrato dele. Artistas de abertura em turnês costumam receber cachês fixos, em vez de porcentagens conforme o número de ingressos vendidos. A remuneração de artistas de abertura costuma ser negociada como um valor garantido, mas isso nem sempre significa que serão pagos se cancelarem.
Se o show for cancelado por decisão do promotor ou do artista principal, o cancelamento pode depender das circunstâncias e das cláusulas de força maior previstas no contrato original. Dependendo do que estiver no contrato, Macklemore pode ter direito à parte ou à totalidade do cachê referente às datas restantes nas quais estava originalmente escalado para se apresentar.
Os outros artistas que saíram da turnê serão pagos?
Novamente, dependeria dos contratos deles. No entanto, como foram eles mesmos que tomaram a decisão de não permanecer na turnê, provavelmente estão abrindo mão dos cachês e, portanto, não receberão pagamento.
Será necessário outro artista de abertura?
Com todos os artistas de abertura e a banda de apoio de Ed Sheeran deixando a turnê como resultado da saída de Macklemore, Sheeran teria bastante espaço para preencher; de fato, é possível que a turnê ainda resulte em cancelamento. Se os horários não forem preenchidos, Sheeran tem a opção de se apresentar sem artistas de abertura.
Quando isso já aconteceu antes?
É raro, mas opiniões políticas de artistas já geraram controvérsia em shows ao vivo no passado. Quando o fundador da Messina Touring, Louis Messina, deixou a promotora Clear Channel (hoje Live Nation) para promover por conta própria em 2001, o trio The Chicks foi um dos cinco artistas que ele levou consigo.
O grupo de country iniciou sua turnê de 2003 dias antes do início da Guerra do Iraque, e sofreu forte reação após comentários de Natalie Maines criticando o presidente George W. Bush. Messina continuou a promover o The Chicks tanto na “Top of the World Tour” quanto na “Accidents & Accusations Tour”, de 2006, embora vendas lentas de ingressos e datas canceladas tenham afetado o grupo depois que ele se posicionou publicamente.
Mais recentemente, Kehlani e Matisyahu mostraram que locais e promotores podem cancelar uma apresentação por causa de declarações ou posicionamentos de artistas sobre temas controversos.
Além disso, Ye (o artista anteriormente conhecido como Kanye West) já enfrentou situação semelhante várias vezes nos últimos anos. Depois de ser anunciado como headliner do Wireless Festival em março, os patrocinadores do evento começaram a se retirar. A Pepsi foi a primeira a sair, seguida por Rockstar Energy, Diageo, Anheuser-Busch InBev e PayPal. Ainda assim, o evento tentou seguir como planejado — até que o Reino Unido negou um visto de viagem a Ye. Os patrocinadores permaneceram em silêncio até o momento sobre a turnê de Ed Sheeran.
O que vem a seguir?
Ainda não está claro se Ed Sheeran fará novos pronunciamentos, se os patrocinadores vão se manifestar, se os próximos locais — todos estádios da NFL nos Estados Unidos — vão se posicionar, ou se a turnê seguirá em frente diante de toda a polêmica.
A próxima data está marcada para 19 de setembro, na Filadélfia; Ed Sheeran também está programado para se apresentar em 25 e 26 de setembro no Gillette Stadium, em Massachusetts, o local de propriedade de Kraft que inicialmente baniu Macklemore.
No Brasil, o show está confirmado para 5 de dezembro, no Nubank Parque, em São Paulo. Finneas, que seria o ato de abertura, não vai mais se apresentar.

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