‘Pode ser em Marte, eu não vou’: ANNA fala sobre limites na rotina de turnês
À Billboard Brasil, artista de 'Bloom' discute saúde mental e bastidores

ANNA (divulgação)
Por trás do glamour dos grandes palcos de festivais como Coachella e Tomorrowland, existe uma engrenagem que cobra caro da saúde física e mental dos artistas. Em entrevista para a Billboard Brasil, ANNA jogou luz sobre o malabarismo invisível que os DJs e produtores vivem. Diferente de bandas que gravam um álbum e saem em turnê por um período delimitado, eles precisam se desdobrar para manter a criatividade em dia em um fluxo contínuo de viagens e apresentações semanais.
ANNA revelou como o desapego às métricas e o cuidado com a mente redefiniram seu conceito de sucesso. Essa nova postura reflete diretamente em seu lançamento mais recente, a faixa “Bloom”, em colaboração com Freedom Fighters. Lançada pela gigante francesa Cercle Records, a música carrega uma atmosfera profunda e tocante, fruto de um processo de criação que foi um dos mais fluidos de sua carreira.
O sucesso foi tão imediato que o público abraçou a faixa de forma inteiramente orgânica nas redes e nas pistas. “Eu encontrei com o pessoal da Cercle em um festival, eles adoraram a música e já querem fazer outro EP”, adianta.
No entanto, o grande triunfo de “Bloom” na vida de ANNA foi exercitar o desapego em uma era controlada por algoritmos de vaidade. A artista confessa que sequer parou para monitorar o desempenho comercial do single. “Eu não estava nem olhando quantos plays tinha, se estava no topo ou não, porque eu estava tão satisfeita de ter lançado que o resultado não importava. Com essa música em particular, eu até esquecia de olhar. Foi um sucesso pessoal”, explica.
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Esse desapego com os números só foi possível porque ela decidiu desacelerar e priorizar sua saúde mental, impondo limites rígidos a uma rotina de estrada que costumava ser sufocante. Essa blindagem de agenda é o que permite à DJ retornar ao país para um projeto tão exigente e exclusivo quanto o seu primeiro “All Night Long” no Brasil, que acontece no Ame Club, em Valinhos (SP), no dia 25 de julho.
Para entregar a energia necessária em uma noite onde tocará sozinha do início ao fim, o descanso tornou-se lei. “Hoje em dia eu pego muito mais time off. Eu me protejo. Se o meu time me manda uma oferta no meu período de descanso, pode ser em Marte, eu não vou. Eu não quero nem ver”, revela à Billboard Brasil.
Para ela, aprender a dizer “não” para propostas financeiramente tentadoras tornou-se uma questão de sobrevivência artística e uma forma de blindar sua própria energia. “Você tem que decidir pelo seu momento de reenergizar. Eu preciso desse tempo para mim, para carregar as baterias e oferecer o meu som a partir de um outro ponto. Do jeito que a minha energia funciona, se eu não fizer isso, eu esgoto”, conclui.
Ouça ‘Bloom’, de ANNA e Freedom Fighters
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