Todas as 16 faixas de ‘So Much for Goodbyes’, de Billy Strings, classificadas
Álbum do premiado músico de bluegrass é uma reflexão profunda sobre o luto

Billy Strings (Reprodução_Facebook @billystrings1)
Nos últimos anos, o virtuoso do bluegrass Billy Strings se tornou um artista de arenas graças à palhetada rapidíssima, aos improvisos psicodélicos e a uma base de fãs fiel no estilo dos Deadheads, apelidada de Billy Goats. Ao mesmo tempo, o músico de 33 anos, natural de Michigan, construiu a reputação de um dos compositores jovens mais talentosos da música americana e de um dos artistas de estúdio mais completos da cena.
Os cinco álbuns mais recentes dele foram indicados ao Grammy de Melhor Álbum de Bluegrass, e três deles (“Home”, de 2019, e “Live Vol. 1” e “Highway Prayers”, ambos de 2024) venceram na categoria.
Em resumo, Billy Strings, que levou o prêmio de Artista do Ano no International Bluegrass Music Awards por três anos seguidos no início desta década, é o pacote completo. Ainda assim, o talento dele como compositor segue subestimado, mas isso deve mudar com “So Much for Goodbyes”, quinto álbum de estúdio do músico, extenso e emotivo.
Dias depois de lançar “Renewal”, em setembro de 2024, Billy Strings teve o primeiro filho. Menos de um ano depois, a mãe dele morreu de overdose. Os dois acontecimentos atravessam o disco, que lida com luto e tristeza, mas carrega por baixo uma ideia de renascimento e prosperidade. A capa do álbum foi criada pela mãe do músico.
“Fiz este disco para homenagear a minha mãe”, disse Billy Strings no anúncio do álbum. “Para perceber e acolher esse período muito significativo de luto na minha vida e transformá-lo em arte. Para transformar o meu coração partido em músicas, usando o violão como forma de enfrentar a dor, como sempre fiz. Ele sempre esteve ali para eu me apoiar nos momentos difíceis, e imagino que sempre estará… até chegar a minha hora de dizer adeus.”
Billy Strings é a estrela do show, mas conta com um elenco de apoio impressionante. A banda que o acompanha há anos, formada por Billy Failing (banjo), Royal Masat (baixo), Jarrod Walker (bandolim) e Alex Hargreaves (violino), toca na maior parte do disco, e lendas como Del McCoury, Alison Krauss e Bryan Sutton fazem participações especiais. Coproduzido pelo aclamado T Bone Burnett ao lado do próprio Billy Strings, o álbum ainda tem uma participação vocal de Jack White.
Quem gosta das viagens psicodélicas de Billy Strings ao vivo não vai encontrar muitas jams longas entre as 16 faixas, e nenhuma delas passa de sete minutos. Para isso, existem “Live Vol. 1” e uma coleção de gravações oficiais de shows. Em vez disso, Billy criou algo ainda mais impressionante: um disco que já entra para o cânone dos grandes álbuns de música americana nascidos de uma reviravolta pessoal.
Confira o ranking da Billboard com todas as faixas de “So Much for Goodbyes”, de Billy Strings.

16. ‘Bluewater Breakdown’
Uma das duas faixas instrumentais do disco, “Bluewater Breakdown” é o tipo de jam de bluegrass acelerada e dentro da tradição que Billy Strings, Failing, Royal, Jarrod e Alex conseguem tocar de olhos fechados. Isso não diminui a habilidade dos músicos, mas a faixa funciona principalmente como uma ponte para a segunda metade do álbum e como uma breve pausa no peso das letras.
15. ‘Light the Way’
O bandolim de Jarrod conduz “Light the Way”, o hino suave que é a faixa mais curta do disco. É uma música especialmente tradicional para Billy Strings, com harmonias vocais escalonadas a três vozes e um tema já bem explorado: ao longo da canção, ele repete o pedido para que alguém ilumine o caminho dele lá do céu.
14. ‘Mill Town Flood’
Uma canção folk direta e narrativa, “Mill Town Flood” conta uma história conhecida: um homem trabalhador se apaixona por uma mulher, se casa com ela e acaba na sarjeta sem ela, vencido pela bebida. É uma música bonita, reforçada pelos vocais de apoio de Lindsay Lou e pelo harmônio de P.J. George III, ainda que seja das mais convencionais para os padrões de Billy Strings.
13. ‘I Like Train Songs’
Às vezes Billy Strings parece um viajante do tempo vindo da época da Grande Depressão, mas ele também encontra jeitos de encaixar uma sensibilidade moderna e millennial. “I Like Train Songs” é, pelo menos em parte, uma piada metalinguística sobre o conhecido amor do músico por, bem, canções sobre locomotivas (em um show em Tampa, em 2024, ele fez um set inteiro só com elas). Aqui, ele meio que explica o motivo com um verso que soa muito 2026, embora pudesse valer para qualquer época: todo mundo tem uma canção de protesto sobre “você sabe quem”, mas a única coisa que tira da cabeça dele essas músicas de bar grudentas são as canções sobre trem.
12. ‘I Wish I Wanted To’
É uma história com a qual qualquer um se identifica: ficar em casa ou sair? Billy Strings canta que é difícil se importar quando não se tem nada a perder, enquanto pensa se vai ou não ver os Rolling Stones com os amigos (se sair agora, ele diz que provavelmente ainda pega a maior parte do show!). Deixando de lado o fundo nada sutil de depressão, a relativamente leve “I Wish I Wanted To” é um respiro bem-vindo depois do peso de “Still I Crash” e traz um dos versos mais engraçados do disco, em que ele brinca com o título de “Jumpin’ Jack Flash” e diz que levantaria do sofá num piscar de olhos se conseguisse largar o violão por tempo suficiente. Também são engraçados os improvisos no fim da faixa, em que Billy elogia o conforto do sofá e avisa que vai colocar tudo no modo “não perturbe”.
11. ‘Live to Tell’
Viver o luto é difícil; viver o luto durante um inverno implacável em Michigan é ainda mais. Esse parece ser o cenário de “Live to Tell”, em que Billy Strings descreve a neve caindo sem parar lá fora e uma corrente de ar gelado que entra pela parede, sobe pela cadeira e o envolve, lembrando a ausência na casa. Mas, por mais gélido que seja o tema, a faixa, de andamento cadenciado, não é fria, graças a Alison Krauss nos vocais de apoio e a Paul Franklin na pedal steel. Paul já recebeu 16 vezes o prêmio de Steel Guitar Player of the Year da Academy of Country Music e traz o calor de que a música precisava.
10. ‘I’m One of Those’
Na melancólica faixa de abertura, Billy Strings canta que não está em casa, mas ainda consegue fingir, uma espécie de declaração de princípios do álbum. Afinal, o que é casa para um músico que passa metade da vida na estrada e viveu mudanças pessoais tão profundas? Sobre um instrumental dedilhado e animado, ele fala de rodar por uma estrada tentando recuperar memórias que deixou para trás e se pergunta se vai acenar para os fantasmas que voltam a vagar pelo caminho.
9. ‘10,000 Miles From a Friend’
Billy Strings está sóbrio há uma década, mas, como muitas pessoas em recuperação do alcoolismo, ainda sabe exatamente o que o vício o fazia sentir. Nesta crônica cansada da vida na estrada, ele descreve uma rotina de Adderall e álcool para se animar e depois apagar, de Albany a Omaha, em que o abuso de substâncias é uma muleta diária que acaba ampliando o isolamento em relação às pessoas que ele ama. O respeitado gaitista Mickey Raphael, músico de estúdio prolífico, mais conhecido por integrar a banda de Willie Nelson desde o início da década de 1970, acrescenta um tempero sonoro com a gaita baixo.
8. ‘Debra’s Waltz’
A melhor das duas faixas instrumentais, “Debra’s Waltz”, que encerra o álbum, é mais do que música de créditos finais. Ela mostra como o violão de Billy Strings (e o do quarteto de confiança que o acompanha) pode ser evocativo mesmo sem palavras. É uma bela elegia à mãe dele; no encarte do disco, o título e os créditos da faixa vêm acompanhados apenas de um retrato dela. Não por acaso, foi a primeira música que Billy gravou para o álbum, nas sessões realizadas em janeiro e fevereiro.
7. ‘Wrestling an Angel’
Há uma simplicidade elegante na penúltima faixa do disco, a última com letra. Com uma formação enxuta, com Billy Strings no violão, Jarrod no bandolim e vocais de apoio de Jarrod, Royal e Dan Tyminski, vencedor de 14 Grammys, Billy usa uma metáfora poderosa e vívida: lutar com um anjo, uma briga em que vencer é perder.
6. ‘Remember to Cry’
Billy Strings compõe com Aaron Allen em todos os álbuns de estúdio desde 2019, incluindo algumas das músicas que ele mais toca, como “Must Be Seven” e “Fire on My Tongue”. Em “Remember to Cry”, uma das quatro parcerias com Aaron no disco, a dupla mais uma vez captura a magia do bluegrass. O banjo de Failing conduz a canção rápida e pesarosa, enquanto Billy reflete sobre como a morte chega de repente e como lidar com ela: ele canta que não dá para apagar o que aconteceu nem voltar no tempo, mas que, se soubesse que seria deixado sozinho, teria se lembrado de chorar.
5. ‘Carry Us Home’
Quando tocava pelo norte de Michigan no início da carreira, Billy Strings costumava se apresentar em duo, inclusive com o bandolinista Don Julin e com o padrasto, Terry Barber (“Me/And/Dad”, álbum de 2022 com Terry, foi indicado ao Grammy de Melhor Álbum de Bluegrass). O formato de duo combina com Billy, já que um segundo violonista dá suporte, mas também abre espaço para um contraponto interessante. Aqui, ele se reencontra com Bryan Sutton, outro parceiro de longa data, com quem lançou “Live at the Legion” em 2025. Uma descida tranquila depois da acelerada “Burn the Other End”, a faixa tem imagens evocativas, como o vento na porta soltando um rugido quase humano, mas elas ficam em segundo plano diante do diálogo entre os violões de Billy e Bryan.
4. ‘Lucid Daydream’
Uma das apenas quatro faixas do disco com somente Billy Strings e o quarteto que o acompanha, “Lucid Daydream” é tão febril quanto o título sugere. É uma odisseia de seis minutos e meio, sem um refrão de verdade, que alterna entre versos densos (a imagem de viver todo dia um devaneio lúcido como um arpão atravessando o peito está entre as mais assombrosas do álbum) e passagens instrumentais velozes, com destaque para o violino de Alex. A parte mais intrigante talvez seja o começo e o fim da música, com trechos jazzísticos e intrincados que lembram “Slipknot!”, do Grateful Dead.
3. ‘Burn the Other End’
Nenhuma faixa do disco é tão intensa quanto o primeiro single, “Burn the Other End”, que captura o fogo dos momentos mais viajantes dos shows de Billy Strings e o condensa em uma pancada sombria de quatro minutos e meio. Sobre um instrumental ameaçador, ele abre a faixa dizendo que está vazio, que já foi embora e que não há motivo para voltar. Composta com Paul Hoffman, bandolinista do Greensky Bluegrass e também natural de Michigan, a música assustadora traz vocais em coro inquietantes da banda de Billy, de T Bone e de um certo Jack White. Billy só a tocou ao vivo três vezes desde a estreia, em julho, mas ela parece destinada a virar um dos pontos altos dos shows daqui para a frente.
2. ‘Lay Me Down’
O álbum não se afasta muito do universo do bluegrass, mas “Lay Me Down” talvez seja a faixa mais tradicional do gênero, em grande parte graças aos inconfundíveis vocais de apoio do lendário Del McCoury. E a letra de Billy Strings é tão atemporal quanto muitos clássicos do estilo: ele pede para ser deitado na encosta de um morro e deixado ali, sem rosas na lápide e sem pegadas no barro.
1. ‘Still I Crash’
A música mais íntima que Billy Strings já gravou, na melodia e na letra, “Still I Crash” é o coração emocional do disco. A faixa começa apenas com o violão dedilhado lentamente e Billy perguntando à mãe para onde ela foi e como ele deve seguir sem ela. Conforme a canção sombria avança, ele repete o quanto se sente perdido desde que ela partiu e sonha em reencontrá-la um dia, na esperança de que aquilo não seja o fim e de que ele continue sendo o verdadeiro amigo dela.
Ouça ‘So Much for Goodbyes, de Billy Strings
[Este conteúdo foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui]
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