Miranda Lambert mergulha na disco e no country clássico em ‘Crisco’
Cantora conta à Billboard como Dolly Parton e Kenny Rogers inspiraram novo álbum

Miranda Lambert (Grosby Group)
Miranda Lambert é conhecida pelas músicas explosivas e pelas baladas de coração partido. Mas, quando gravou o dueto “A Song to Sing” com Chris Stapleton, de 48 anos, no ano passado, a texana de 42 anos só queria uma faixa com o clima sensual, divertido e cheio de brilho das parcerias de Kenny Rogers (1938-2020) e Dolly Parton (1946-2026) que ela adorava.
“Sinceramente, é algo que eu nunca tinha tentado”, contou Miranda à Billboard. “Nunca tinha explorado esse lado do country, apesar de amá-lo.”
No clipe de “A Song to Sing”, Miranda Lambert usou brincos de argola que pertenceram a Dolly, e Chris, um colar que foi de Kenny. “Fomos com tudo nos anos 1970 e gravamos o clipe no Brentwood Skating Center [pista de patinação em Brentwood, no Tennessee]. E quem diria que o Chris patina muito bem? Isso eu não esperava, pode acreditar”, disse.
A parceria despertou em Miranda Lambert a vontade de fazer músicas que misturam, em partes iguais, o brilho da disco e o country clássico. A ideia inicial era um EP curto, mas ela e o produtor Jesse Frasure acabaram construindo um universo inspirado no countrypolitan, vertente orquestrada do country que dominou Nashville nas décadas de 1960 e 1970, e no Studio 54, a lendária boate de Nova York. O resultado é “Crisco”, lançado nesta sexta-feira (2) pela MCA.
Ouça Miranda Lambert
“O Jesse fez para mim uma playlist chamada ‘Miranda-politan'”, contou. A seleção reunia clássicos das décadas de 1960, 1970 e 1980, como “Southern Nights”, de Glen Campbell (1936-2017), “Smoky Mountain Rain”, de Ronnie Milsap, e “Too Much Heaven”, dos Bee Gees. Também entraram músicas de Dolly, Patsy Cline (1932-1963), Elvis Presley (1935-1977) e Louise Mandrell.
Faixas como “Crisco” e “Two Things Can Be True” trazem as marcas do countrypolitan: harmonias vocais exuberantes, piano e camadas de cordas. “Nunca tinha gravado com cordas na carreira, o que é uma loucura”, disse Miranda Lambert. “Quando penso nisso, fico me perguntando o que eu estava esperando. Acho que foi o destino, porque conheci o Jesse, e isso é totalmente a praia dele.”
“Two Things Can Be True” e “Cowgirl Curtsy” remetem ao estilo vocal refinado de Patsy. O disco também tem referências a outras lendas do country que já morreram, como Tammy Wynette (1942-1998), Loretta Lynn (1932-2022) e Dolly, que morreu em agosto, aos 80 anos.
“A Dolly está em tudo aqui, em termos de energia”, disse Miranda. “Sinto que ela é uma dessas pessoas que vão estar aqui para sempre, mesmo que não seja nesta Terra. Ela sempre foi um anjo, de qualquer forma. Acho que ela vai aparecer ainda mais na nossa música e continuar influenciando e abrindo caminhos lá de cima.”
As duas se conheceram quando gravaram juntas “Dumb Blonde”, música de Dolly, para a trilha do filme “Dumplin'” (2018). “Cheguei ao estúdio e havia câmeras e luzes por todo lado. Ela me segurou pelos ombros e disse: ‘Querida, encontre sua luz boa. Sempre encontre sua luz boa’. E me virou para a luz mais bonita. Uso isso todo santo dia quando estou diante das câmeras. Mas ‘encontre sua luz boa’ significa muito mais do que isso. Vivo segundo essa frase. Foram as primeiras palavras dela para mim, então nunca vou esquecer.”
“Sunset Marquis”, que fecha o disco, homenageia o hotel de West Hollywood inaugurado em 1963. Desde então, o lugar é frequentado por músicos, artistas e celebridades, atraídos pelo clima ao ar livre, pelas palmeiras e pela sensação de liberdade. A música também toca no fim de “If These Walls Could Rock”, documentário recém-lançado sobre o hotel.
“Passei muito tempo em Los Angeles em 2010, 2011, e tive que aprender a lidar com isso, porque sou uma garota do interior do Texas. É um mundo muito diferente”, contou. “Mas o Sunset Marquis sempre foi um lugar onde você passa pela porta e se sente segura. Parece que você está num espaço de rock’n’roll em 1971. Já esbarrei lá com todo mundo, de Steven Tyler [do Aerosmith] ao Marlboro Man original, Billie Joe Armstrong [do Green Day] e CeCe Winans. Qualquer pessoa pode aparecer, mas todo mundo consegue ser quem é.”
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Enquanto preparava “Crisco”, Miranda também teve papel central no sucesso de “Choosin’ Texas”, de Ella Langley, de 27 anos, música que bateu recordes no Billboard Hot 100. Miranda compôs a faixa com Ella, Joybeth Taylor e Luke Dick e a coproduziu com Ella e Ben West.
Durante o trabalho em “Dandelion”, álbum de Ella, Miranda escreveu “Snakeskin Boots” com o marido, Brendan McLoughlin, Jesse e Natalie Hemby. A faixa, gravada em dueto com Ella, abre “Crisco”.
“Para ser sincera, escrevemos pensando na Ella”, disse Miranda. “Pensei: e se Thelma e Louise não tivessem caído do penhasco, o que estariam fazendo depois? A gente torcia para ela gostar. Aí, de repente, ‘Choosin’ Texas’ dominou o mundo. Então ter a Ella em ‘Snakeskin Boots’ é ainda mais especial, porque dividimos alguns dos maiores momentos da carreira dela.”
Miranda Lambert diz que passou lições de carreira para Ella, mas que também aprendeu muito com ela.
“Ela é muito inteligente, e é por isso que amo essa amizade. Com a Lainey [Wilson] também. Temos um grupinho próximo, e essas meninas estão ajudando outras mulheres todos os dias, levando artistas para a estrada. É uma rede que fazia muita falta. Eu não tive isso no começo, porque não surgiam muitas mulheres quando eu comecei. Por um bom tempo, éramos basicamente a Carrie [Underwood] e eu. Por isso, acho importante estar junto no bom, no ruim e no feio, porque ninguém te conta que os altos às vezes vêm junto com os baixos. É importante ter alguém com quem desabafar, e ninguém melhor do que quem passou exatamente por isso.”
A cantora diz ter orgulho das conquistas das mulheres no country. “Estou muito feliz pelas meninas. Vejo que elas lutam pelo que acreditam, mas também se apoiam, e isso é importante”, disse. “Hoje existem várias formas de consumir música, e isso abriu muito mais espaço.”
Ela completa: “Amo compor com outros artistas. Isso me traz muita alegria. É divertido ver uma música como ‘Choosin’ Texas’ ganhar o mundo e poder curtir [como compositora], vendo tudo por outros olhos. Estou tentando absorver tudo.”
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Fora da música, Miranda Lambert tem se dedicado aos esportes equestres. Ela começou a montar e competir aos 30 anos e, há alguns anos, no Arizona, passou a praticar o mounted shooting, modalidade de tiro a cavalo em alta velocidade. “Basicamente, você atira com revólveres em balões, em cima do cavalo, o mais rápido que conseguir. Como não amar?”, disse.
Ela quer levar Ella e Lainey para experimentar. “A Ella vai ter uma folga no inverno [do hemisfério norte], e eu falei: ‘Você vai cavalgar comigo. A Lainey também’. Vamos lá extravasar. Elas são ótimas amazonas, sabem montar bem, então essa parte está resolvida. E as duas sabem usar armas, então vão tirar de letra. O que eu também amo é que temos um grupo de mulheres em que a mais nova tem 38 anos e a mais velha, 70. Não importa o que você faz, quantos anos tem ou de onde vem: estamos todas a cavalo, curtindo a experiência.”
Curtir a experiência também é o que Miranda Lambert quer para quem ouvir “Crisco”. “É um daqueles discos que você pode colocar fazendo praticamente qualquer coisa. Meu único objetivo é que as pessoas sintam vontade de fazer algo divertido, seja patinar, seja dar uma volta de carro no domingo.”

[Este conteúdo foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui].
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