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Black Pantera no Rock in Rio (Instagram)

Black Pantera no Rock in Rio (Instagram)

Black Pantera emociona com mães na plateia do Rock in Rio: ‘Transcendeu’

Trio detalhou a história de ‘Tradução’ e as misturas do álbum 'Continental'

Trash metal também é família! A chuva torrencial que caiu durante o show do Black Pantera no Rock in Rio gerou um momento cheio de ternura quando as câmeras encontraram Dona Guiomar, mãe dos irmãos Charles e Chaene da Gama, acompanhando o show de capa de chuva.

Ela estava no fosso enquanto os filhos cantavam “Tradução”, música inspirada justamente em sua história. O trio se apresentou no Palco Sunset neste sábado (5), em encontro com a Nervosa, na terceira passagem da banda pelo festival.

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Depois da apresentação, Chaene contou à Billboard Brasil que a presença da família tornou a volta à Cidade do Rock ainda mais pessoal.

Além da mãe e do pai, os irmãos, filhos e esposas acompanharam a apresentação. Dona Elvira, mãe do baterista Rodrigo Pancho, também estava no festival.

“Minha mãe está aqui, meu pai, nossos filhos, as esposas, está todo mundo. Ela tinha dois sonhos: viajar de avião e voltar para a praia. A gente conseguiu proporcionar isso. Na primeira viagem, ela morreu de medo, mas deu tudo certo”, contou Chaene.

É essa trajetória que atravessa “Tradução”. Lançada em 2024 no álbum “Perpétuo”, a faixa nasceu de uma composição de Chaene sobre Dona Guiomar e sua rotina de trabalho.

A canção acabou se expandindo para outras histórias de mães trabalhadoras e também aborda os efeitos do racismo estrutural.

“‘Tradução’ é uma música que fiz nesse contexto de trabalho, da minha mãe ter hora para chegar e não ter hora para sair. E ela ganhou o mundo”, disse. “Você vê os comentários no YouTube e tem gente contando a vida das próprias mães: ‘Minha mãe se foi, mas ouvi essa música e me lembrei dela’, ‘comecei a seguir vocês por causa dessa música’. É uma música que transcendeu.”

No palco, o momento também ganhou dimensão política.

Antes de “Tradução”, o grupo defendeu o fim da escala 6×1. O repertório ainda passou por “Hórus”, “Padrão É o Caralho” e “Fogo nos Racistas”.

Com a entrada da Nervosa, Charles pediu uma roda punk formada por mulheres, e as duas bandas ainda homenagearam Rita Lee com “Obrigado, Não”.

Black Pantera amplia caminhos em “Continental”

O show aconteceu duas semanas depois do lançamento de “Continental”, quinto álbum de estúdio do Black Pantera.

Disponibilizado em 21 de agosto pela Deck, o disco tem 13 faixas e reúne Duquesa em “Serotonina”, Sandra Sá em “Quando Canto”, Derrick Green, do Sepultura, em “Obsoleto”, e Chico César em “Banzo”. A faixa-título também utiliza uma gravação do geógrafo Milton Santos.

Para a banda, a variedade de convidados não representa uma ruptura. É consequência de uma postura mantida desde os primeiros discos.

“O Black Pantera tem cinco álbuns e nunca teve medo de arriscar. A gente nunca foi uma banda presa a rótulos. Tem um riff aqui que não é tão metal? Vamos fazer o riff. A gente consegue extrair alguma coisa dali”, afirmou Charles à Billboard Brasil.

As participações foram definidas depois que boa parte do trabalho já estava gravada. Segundo os músicos, a escolha partiu das próprias canções, e não da busca por nomes que representassem gêneros diferentes.

“Quando a gente ouviu ‘Quando Canto’, pensou em uma voz preta, feminina, ancestral. Sandra Sá. Ela ouviu uma vez e quis gravar”, contou Chaene. “Já tem até uma petição para a Sandra fazer um disco de metal. Vamos, Sandra.”

A conexão com Duquesa começou antes mesmo do convite. A rapper já era mencionada na letra de “Serotonina” e, ao receber a música, decidiu acrescentar suas próprias ideias.

“Ela colocou a identidade dela”, resumiu a banda.

A informação sobre a referência prévia à artista também foi detalhada pela gravadora antes do lançamento do disco.

Chico César, segundo o Black Pantera, “colocou a emoção dele lindamente” em “Banzo”. Já Derrick Green ocupa outro lugar na história dos integrantes.

“O Derrick é o Derrick, né? É herói nosso desde moleque”, disse Pancho.

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