DJ EME: ‘IA é importante para auxiliar, mas não resolve tudo’
DJ que fez remix de 'Sina de Ofélia' fala sobre uso da tecnologia na música

DJ EME (Reprodução/Instagram)
O cenário da música eletrônica brasileira foi impactado recentemente por um fenômeno que une a tecnologia generativa à cultura pop: o sucesso de “Sina de Ofélia”.
A faixa é uma versão criada por inteligência artificial (IA) baseada em “The Fate of Ophelia”, da cantora norte-americana Taylor Swift, mas com uma letra inédita em português com a voz de Taylor Swift e Dilsinho.
O responsável por um dos remixes de maior sucesso da canção brasileira foi o DJ EME. A versão do produtor viralizou de forma orgânica, acumulando milhões de visualizações e compartilhamentos nas redes sociais.
Em entrevista à Billboard Brasil, DJ EME defendeu que, embora a voz tenha sido gerada sinteticamente, o sucesso da faixa reside na intenção humana por trás da obra.
“‘Sina de Ofélia’ conectou porque tem intenção e sentimento humanos por trás. A inteligência artificial é um meio, ela não é o sentimento. Ela está vindo para ampliar o que nós, humanos, podemos fazer”.
O artista ressaltou que a letra não foi gerada por algoritmos, mas escrita por um compositor que utilizou a ferramenta para dar voz ao texto, escolhendo deliberadamente timbres que remetessem a grandes nomes da música brasileira, o que gerou confusão no público sobre quem estaria cantando.
O papel da tecnologia no processo criativo
Para EME, a resistência ao uso de novas tecnologias pode limitar as possibilidades de produção no mercado atual. Ele argumenta que a IA já está inserida no cotidiano dos produtores por meio de sintetizadores e “samples”.
“Eu acho que quem não se adaptar vai realmente aplaudir o fracasso, porque as coisas continuarão evoluindo. Como tudo na vida, o segredo é saber usar. Se você deixar de fazer o processo criativo humanizado e sentimental, com intenção, a música não vai conectar”, afirmou o DJ.
O artista reforçou que a ferramenta serve para otimizar o tempo e facilitar a produção, mas não substitui a figura do intérprete ou do criador.
“A inteligência artificial é uma ferramenta que amplia o poder criativo do humano, mas ela não substitui o artista. É possível continuar fazendo música sem IA, mas com certeza as possibilidades diminuem”, ponderou.
Segundo ele, o sucesso de uma obra hoje depende da combinação entre qualidade e o “timing” correto de lançamento.
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