‘Minha carreira é outra depois do Tomorrowland’, diz Alok
DJ e produtor brasileiro fala sobre o festival à Billboard Brasil

Alok no palco Freedom do Tomorrowland com o projeto Rave the World (Divulgação)
Alok conversou com a Billboard Brasil durante o primeiro fim de semana deste ano do Tomorrowland, na Bélgica, realizado entre os dias 17 e 19 de julho. No domingo, o DJ se apresentou no palco Freedom com o projeto “Rave The World”, que resume sua fase atual como artista e reflete um movimento de reconexão com a nova geração da música eletrônica.
Alok também falou sobre os 22 anos de trajetória dentro do festival. Segundo ele, a primeira apresentação no Tomorrowland aconteceu em 2015, em um palco pequeno, com problemas de som.
“O primeiro Tomorrowland eu toquei num palco minúsculo, o som até rachava. No ano seguinte, já abri o Mainstage, mas quase não tinha ninguém. Aos poucos, a galera foi chegando”, contou.
Para Alok, o festival foi decisivo em sua carreira internacional. “O Tomorrowland abriu portas para mim de um jeito que nenhum outro festival abriu. Minha carreira tem um antes e um depois desse festival”, afirmou.
Ele destacou também a importância do retorno do evento ao Brasil como um momento de reconexão pessoal com a cena eletrônica. “Eu estava muito mainstream e tinha perdido a oportunidade de tocar para esse público. Quando voltei para o Tomorrowland, foi o momento em que a cena eletrônica se reconectou comigo.”
A origem do “Rave The World”
O projeto “Rave The World” nasceu de uma inquietação pessoal do DJ. “Ano passado eu fiz 34 anos, e foi a primeira vez que caí na real de que não faço mais parte da nova geração”, disse. Segundo ele, a Geração Z vem mudando completamente a forma como a música é consumida e produzida, e o incômodo de se sentir distante desse movimento o levou a buscar uma aproximação.
A ideia inicial surgiu em conversa com o produtor Fabão, que sugeriu resgatar a essência de Alok dentro da cultura rave, onde ele começou a carreira. O conceito, porém, ganhou outro rumo após uma conversa com Luana, filha de Fabão e representante da Geração Z, convidada a opinar sobre a proposta. “Ela foi direta: achou muito cringe. Disse que a nossa geração destruiu o mundo e agora quer que a Geração Z salve ele, e que ninguém mais acredita em soluções simples para resolver os problemas do mundo”, contou Alok.
Foi dessa provocação que surgiu o nome do projeto, batizado quase por acaso durante uma pesquisa no Google. “Eu digitei ‘rave the world’ pra ver o que aparecia. A busca sugeriu: você quis dizer ‘save the world’? Eu disse: não, quis dizer ‘rave it’. Talvez a única forma de salvar o mundo seja essa: rave it”, explicou.
Alok também comentou sobre o conceito de PLUR, sigla que resume os valores de paz, amor, união e respeito dentro da cultura rave, e é a base do “Rave The World”. “Não precisa saber o que é para entender, dá para sentir. Estou andando pelo festival desde sexta-feira e não vi uma briga sequer, só uma comunidade muito unida”, disse.
Para ele, esse lado da cultura eletrônica costuma ser mal representado. “Por muito tempo, as raves foram vistas de um jeito ligado só ao uso de drogas. Existem vários tabus que precisam ser quebrados.”
+Leia mais: Alok lança EP ‘Rave The World’ e estreia novo selo
Mainstream e a comunicação com o público
Durante a conversa, Alok também explicou como equilibra as diferentes fases da carreira. Segundo ele, o “Rave The World” serve justamente para separar seu lado mais pop do trabalho voltado à cena eletrônica. “A comunicação que eu quero ter com meus fãs é essa: Alok é mainstream, acabei de lançar uma música com a Jennifer Lopez. Mas o ‘Rave The World’ é o lugar para quem é fã de música eletrônica de verdade”, disse, citando shows recentes como o São João e a apresentação em Copacabana.
Sobre a apresentação deste ano no festival, Alok explicou a diferença entre os sets que fez no palco Freedom e no Mainstage. “O Freedom é um galpão pra até 30 mil pessoas, mas não é o mainstage, são dinâmicas diferentes. No Freedom, eu me apoio mais no meu time e na produção. No mainstage o set é mais dinâmico, porque a gente não tem controle sobre o visual nem sobre a luz”, contou.
Confira a entrevista com Alok no Tomorrowland
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