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A diretora criativa brasileira por trás de Carol Biazin e Cruz Beckham

Gabriela Grafolin também trabalhou com Jão e Budah

Gabriela Grafolin (Reprodução/@ggrafolin)

Gabriela Grafolin (Reprodução/@ggrafolin)

Antes de uma música ganhar um videoclipe, uma capa ou chegar ao palco, existe uma série de decisões que determina como aquele trabalho será visto pelo público.

Para Gabriela Grafolin, diretora criativa brasileira que já trabalhou com nomes como Carol Biazin, Jão e Budah, esse processo começa antes da imagem: começa na sensação provocada pela própria música.

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“Eu começo pela sensação que a música provoca, converso com o artista e me detenho na letra, nas suas sacadas e na relação entre o que ela diz e o que a produção faz sentir. Uma tensão nessa relação já pode sugerir uma imagem”, conta Gabriela à Billboard Brasil.

Com quase uma década de atuação, a diretora vem construindo uma trajetória que passa por videoclipes, capas, shows e projetos musicais completos.

Formada em Design Gráfico e Publicidade, Gabriela nasceu em Porto Alegre e acumulou experiências em cidades como São Paulo, Nova York e Assunção, no Paraguai.

Atualmente em Los Angeles, ela começa a levar esse trabalho também para projetos internacionais.

Entre os mais recentes está a parceria com Cruz Beckham. Gabriela assinou a direção criativa do EP “Wear & Tear”, além da direção e edição da faixa-título e da direção criativa e fotografia de “Optics” e “Lick The Toad”.

O trabalho coloca a brasileira na construção visual da atual fase musical do artista britânico.

A chegada ao mercado internacional acontece depois de uma trajetória fortemente ligada ao pop brasileiro.

Um dos trabalhos mais extensos de Gabriela foi desenvolvido ao lado de Carol Biazin.

A parceria atravessou diferentes momentos da carreira da cantora e incluiu direção criativa de álbuns, videoclipes, trailers, roteiros e até composições.

Em “REVERSA”, lançado em 2023, a construção não ficou restrita à estética de uma única produção.

A direção criativa foi pensada como uma narrativa dividida em atos, com cores e símbolos ajudando a distinguir diferentes momentos do disco. Gabriela também assinou trabalhos ligados a “No Escuro, Quem É Você?”, álbum de Carol lançado em 2024.

Para ela, encontrar uma identidade visual não significa aplicar uma fórmula que possa ser repetida de artista para artista.

O ponto de partida está justamente nas características particulares de quem conduz aquele trabalho.

“A partir da verdade daquela pessoa, da observação e da pesquisa do contexto em que ela está criando. Procuro particularidades que orientem o projeto: o humor, a maneira de se movimentar, a relação com o público ou um tema recorrente nas músicas”, explica.

“Essas descobertas ajudam a entender a atitude do projeto e a experimentar formas de expressá-la. Nesse processo, me interessa preservar as combinações particulares de cada pessoa. Se você elimina todas as contradições, corre o risco de eliminar justamente a personalidade.”

Com Jão, Gabriela participou da coordenação criativa da audição de “SUPER” e do show do cantor no The Town, ambos em 2023, além de assinar o co-roteiro do clipe de “Me Lambe”.

Mais recentemente, dirigiu os visualizers de “Frequência Lunar”, de Budah, e “O Que Sobrou do Amor?”, parceria de Carol Biazin com Léo Foguete.

Seu currículo recente ainda inclui a direção criativa de “Que Pecado!”, de Carol Biazin e Ebony; direção criativa e direção de “Do U”, de BIJAN; trabalhos com GIANA, Luapsy e KUCZYNSKI; além de projetos em que Gabriela acumula funções de direção, roteiro, fotografia e edição.

A multiplicidade de funções acompanha uma visão mais ampla sobre o que significa dirigir criativamente um trabalho musical.

Para ela, a função não se resume à escolha de referências visuais ou à definição da estética de uma campanha.

“A direção criativa desenvolve o conceito de um projeto musical e conduz suas escolhas de performance e tipos de comunicação, considerando o contexto e o público. O desafio é sustentar uma intenção clara e deixar espaço para os sentidos que surgem no encontro com as pessoas”, afirma.

Essa lógica também ajuda a explicar por que uma única canção pode se desdobrar em diferentes formatos.

Depois da primeira sensação provocada pela música, Gabriela busca a história que existe por trás dela e os detalhes capazes de estabelecer uma linguagem comum entre os materiais.

“Também procuro entender a história por trás da canção e trazer algo dessa verdade para o projeto, mesmo em detalhes quase escondidos. Essas descobertas orientam as escolhas que ampliam a experiência da música e vão definindo uma linguagem que se desdobra nos diferentes materiais, construindo a narrativa do projeto.”

As referências da diretora passam pelo cinema de Yorgos Lanthimos, Lynne Ramsay e Martin Scorsese e pelo trabalho da fotógrafa Petra Collins.

Em vez de reproduzir uma estética específica em todos os projetos, Gabriela diz enxergar sua assinatura na maneira como estabelece o diálogo com cada artista.

“A minha assinatura está na maneira como construo cada projeto em diálogo com o artista. Não preciso repetir uma estética para ter um olhar próprio”.

Veja sua discografia completa de Gabriela Grafolin: