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Jamiroquai prova que uma banda impecável transforma música em obra de arte

Debaixo de chuva, a banda aqueceu o Nubank Parque tocando hits com maestria

jamiroquai

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Não teve chuva capaz de desanimar os milhares de fãs do Jamiroquai, que, munidos de capas de chuva, lotaram boa parte do Nubank Parque neste domingo (13). A banda, que não vinha ao Brasil havia oito anos, fez na sexta (11) um show elogiado no Rock in Rio 2026 e chegou a São Paulo com fome de mostrar muito mais do que o reduzido slot do festival permitiu.

Boa parte dos músicos estava voltando ao Brasil com o patrão, o vocalista e líder do Jamiroquai, Jay Kay, e já tinha armado imersões musicais pela cidade antes do show. Paul Turner, o baixista, passou o sábado dando um workshop numa renomada loja de baixos em São Paulo, já o baterista Derrick McKenzie fez um set como DJ na Soho House, tocando soulful house e disco para sorte de quem estava por lá, enquanto o percussionista Fabio de Oliveira levou parte dos colegas a uma roda de samba de raiz no bairro do Tatuapé.

No palco, além de McKenzie, que está na banda desde 1994, Oliveira e Turner, a tecladista Sara De Santis, titular também dos efeitos sonoros, um conjunto de sopros poderoso, formado por Malcolm Strachan (trompete), James Russell (saxofone e flauta), Jim Corry (saxofone), o guitarrista Rob Harris, o tecladista Matt Johnson e o trio poderoso de backing vocals, Valerie Etienne, Hazel Fernandez e Romina Johnson completaram o time de altíssimo gabarito responsável por criar a ambiência perfeita para Jay Kay brilhar. E já que estamos dando nome a cada peça na engrenagem sonora do show, aplausos também ao Rick Pope, engenheiro de som responsável pelo groove presente na caixas de som da banda há mais de três décadas. 

Jamiroquai forever

Jamiroquai
Jamiroquai subiu ao palco do Nubank com uma jaqueta de Space Cowboy. Foto: Divulgação.

 

Numa noite chuvosa, de final de domingo, a chance de um show ter boa parte do público trocando a presença num estádio descoberto por uma sessão de TV no sofá é enorme. Mas o que vimos no Nubank Parque foi uma demonstração de altíssima fidelidade do público paulistano ao Jamiroquai, banda que já esteve na cidade outras seis vezes, algumas delas com apresentações históricas como a estreia da banda por aqui, em 1997, no Free Jazz Festival, como parte da turnê do álbum “Travelling Without Moving” e estouro de faixas como “Virtual Insanity”, “High Times” e “Cosmic Girl”.

E quando o assunto é tomar chuva no palco no Brasil, outra visita da banda ao país foi marcada por um toró bem pior do que o deste domingo: em 2010, o festival Natura Nós, que além de Jamiroquai tinha Air e Bajofondo entre os internacionais, deixou a Chácara do Jóckey parecendo o Woodstock.

“Virtual Insanity é o que estamos vivendo”

Simpático, Jay Kay foi até o público e assinou várias capas de discos de vinil levadas pelos fãs. Foto: Divulgação

No ano em que um dos hinos do Jamiroquai completa 30 anos, claro que a música não poderia faltar no setlist. Antes de tocá-la, antes do encerramento do show, Jay Kay fez um discurso contextualizando a letra: “Infelizmente essa letra está mais atual do que nunca, com tantos crimes de guerra acontecendo, homens matando mulheres e crianças todos os dias. Eu não quero saber do que esses caras têm a dizer”, disse, antes de atacar a faixa que fala de uma distopia tecnológica que, 30 anos atrás, parecia algo distante.

No palco, graças ao entrosamento e competência dos músicos que o cercavam, Jay Kay estava livre para fazer o que faz melhor: cantar e fazer os passinhos que são sua marca registrada. Visivelmente mais ágil nas coreografias do que anos atrás e com a voz afinada e cristalina, Kay entregou os hits, os lookinhos coordenados da Adidas e os chapéus, que incluíram um cocar de led.

Em versões ora mais intimistas e desconstruídas em longos mergulhos musicais da banda, em que o vocalista participava dançando e cantando, ora mais aceleradas e dançantes, o palco parecia um encontro entre velhos amigos, entrosados, se divertindo em primeiro lugar.

Jazz funk e letras apocalípticas

Uma superbanda, projeções lindas e um engenheiro de som que entregou sonoridade perfeita. A chuva não conseguiu estragar o show do Jamiroquai em São Paulo. Divulgação

Quando surgiu no cenário, em 1992, o Jamiroquai já chegou com “When You Gonna Learn”, uma fusão inovadora de jazz-funk e letras apocalípticas. Sua habilidade de cantar arranjos complexos como se fosse “Atirei o Pau no Gato” trouxe a sofisticação dos arranjos para um público que queria dançar. O encontro ideal para a fusão de groove, dance music, funk e jazz ganhar as pistas de dança do mundo todo.

O impacto comercial do Jamiroquai foi gigante: “Emergency on Planet Earth”, de 1993, estreou em primeiro lugar, seguido de “Travelling Without Moving” (1996), que se tornou o álbum de funk mais vendido da história, impulsionado pela premiada “Virtual Insanity”, vencedora do Grammy e fenômeno da MTV. Na virada do milênio, o Jamiroquai já era a terceira maior responsável pela exportação musical do Reino Unido, atrás apenas de Oasis e Spice Girls, e acabaria sobrevivendo artisticamente a ambos.

Ao longo dos anos, Jay Kay se envolveu em causos e fofocas com excessos de todos os tipos. Uma coisa que ficou, aparentemente intacta, é a paixão e o respeito de Kay pela boa música. Em quase duas horas de show, mesmo embaixo de chuva, o público entendeu e não arredou pé. Dançou, aplaudiou, gritou e deixou claro que, apesar de algumas trapalhadas de seu band leader, o Jamiroquai é rei no país do groove. Quem foi entendeu que a música fala mais alto, sempre.

Setlist 

(Don’t) Give Hate a Chance

Little L

Seven Days in Sunny June

Space Cowboy

Alright

High Times

Disco Stays the Same

Travelling Without Moving

Canned Heat

Cosmic Girl

Love Foolosophy

Virtual Insanity