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O retorno do Winamp: o que está por trás da aposta no streaming

Ícone da era do MP3 terá assinatura a partir de 2027 com catálogo da Deezer

Winamp

O icônico loguinho do Winamp.

Quem ligava o computador no fim dos anos 1990 lembra do raio laranja, das skins e da lhama. Quase três décadas depois, o Winamp quer voltar ao centro da forma como se ouve música. Agora, porém, o plano tem o modelo de negócio da era do streaming.

No fim de julho, o Winamp Group anunciou uma parceria estratégica com a Deezer. Pelo acordo, a plataforma francesa vai fornecer sua tecnologia de streaming em modelo white-label (quando uma empresa fabrica um produto ou serviço e outra o vende com o próprio nome) e seu catálogo global. Com isso, o Winamp poderá lançar um serviço de assinatura premium com marca própria, integrado ao novo player. O assinante não será mandado para o aplicativo da Deezer: tudo acontece dentro do Winamp.

O novo Winamp Player está previsto para o primeiro semestre de 2027. A proposta é híbrida: o mesmo aplicativo deve reunir o catálogo em streaming, a biblioteca local de arquivos do usuário, rádios online, podcasts e coleções guardadas na nuvem. Segundo a empresa, o player clássico para desktop ainda é usado ativamente por mais de 40 milhões de pessoas no mundo. Esse público também vai receber a nova assinatura.

Preço, mercados atendidos e dispositivos ainda não foram divulgados. Também não se sabe se o Brasil estará entre os primeiros países do lançamento.

Uma marca forte, uma empresa pequena

A divisão de papéis faz sentido para os dois lados. A Deezer ganha mais uma porta de entrada para seu catálogo e sua infraestrutura. O Winamp, que não precisa construir do zero uma operação de licenciamento e entrega de áudio, entra com o que tem de mais valioso: uma marca reconhecida no mundo inteiro e uma base instalada fiel. Há ainda um detalhe curioso: as duas empresas são europeias, com o Winamp sediado em Bruxelas e a Deezer em Paris.

Os números ajudam a dimensionar o desafio. O Winamp Group, listado na Euronext Growth de Paris e Bruxelas, teve receita consolidada de 1,04 milhão de euros no primeiro semestre de 2026, abaixo dos 1,13 milhão de euros do mesmo período de 2025. Em 2025, ainda com o nome de Llama Group, a companhia registrou prejuízo líquido de cerca de 6,9 milhões de euros. Ao longo de 2026, passou por uma reestruturação de dívidas e por aumentos de capital.

A empresa adotou o nome atual em outubro de 2025, quando os acionistas aprovaram a troca para alinhar o grupo à sua marca mais conhecida.

Winamp, o retorno

O retorno do Winamp não se resume ao player. Há anos o grupo vem tentando se tornar uma infraestrutura de negócios para artistas independentes. No primeiro semestre, a plataforma Winamp for Artists ganhou criador de sites, a Fanzone (um espaço de apoio direto de fãs a artistas) e uma operação global de merchandising. Essas ferramentas se somam à distribuição, ao licenciamento e à gestão de direitos que a plataforma já oferecia. Até o fim de 2025, a plataforma havia ultrapassado 75 mil artistas cadastrados.

Outra frente é a Bridger, empresa de gestão de direitos autorais do grupo. Ela assinou dezenas de acordos com sociedades de gestão coletiva pelo mundo e começou a receber as primeiras receitas desses contratos.

O grupo também entrou na discussão sobre inteligência artificial. Em junho, a Jamendo, plataforma de licenciamento musical do grupo, abriu processos na Justiça federal americana contra a Nvidia e contra a Suno, uma das principais empresas de música gerada por IA.

A pergunta que fica

O ceticismo tem motivo. Esta não é a primeira tentativa de retorno do Winamp, e um plano parecido anunciado em 2018 não chegou a se concretizar. A dúvida agora é se o público está disposto a pagar mais uma assinatura, num mercado já dominado por Spotify, Apple Music, YouTube Music e pela própria Deezer.

A aposta do Winamp está em juntar num só lugar o que hoje fica separado: o catálogo em streaming e os arquivos de cada usuário. Se a nostalgia vai virar assinante pagante, só a partir de 2027 será possível saber. Os próximos resultados financeiros do grupo devem ser publicados em 30 de outubro de 2026.