
Rael (divulgação)
Rael prepara show ‘só pancada’ para o Rock in Rio: ‘É uma oportunidade’
Setlist mistura sucessos da carreira com músicas de ‘Nas Profundezas da Onda’
Rael sabe que um show de festival exige outra lógica. Neste domingo (6), quando subir ao Espaço Favela do Rock in Rio 2026, às 16h50, o rapper terá pela frente um público formado tanto por quem acompanha seus mais de 20 anos de carreira quanto por gente que pode estar diante de seu trabalho pela primeira vez.
É essa segunda parcela que tem ocupado a cabeça do músico durante a preparação da apresentação.
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Em entrevista à Billboard Brasil antes do festival, Rael contou que pretende condensar sucessos da carreira e faixas recentes em um espetáculo mais direto, com poucas interrupções.
“Quando é um show meu, as pessoas estão indo lá para me ver. Quando é um Rock in Rio, tem muitas pessoas e a grande maioria não conhece o seu trabalho. Então é uma oportunidade de mostrar para essas pessoas pela primeira vez”, explica.
“A gente pensa em alguma coisa diferente, mais dinâmica, para não ficar parando muito, exatamente por causa do tempo. A introdução tem que ser mais agitada. A gente está com esse pensamento de aproveitar o máximo do tempo, ser dinâmico e ter só pancada.”
A apresentação marca a primeira passagem de Rael pelo Espaço Favela, mas está longe de ser seu primeiro encontro com o Rock in Rio.
Em 2017, ele dividiu o Palco Sunset com Elza Soares. Dois anos depois, integrou o Hip Hop Hurricane com Nova Orquestra, Agir, Baco Exu do Blues e Rincon Sapiência. Em 2024, voltou ao Sunset para o “Pra Sempre Rap”, ao lado de Criolo, Djonga, Karol Conká, Marcelo D2, Rincon, Xamã e outros nomes.
Rael identifica justamente nessa capacidade de colocar artistas e públicos diferentes no mesmo espaço uma das forças do festival. Ele lembra que a apresentação com Elza, em sua estreia no evento, ampliou o alcance de seu trabalho.
“Foi onde eu pude mostrar para as pessoas quem era o Rael ao vivo. As pessoas sabiam quem era o Rael, mas nunca tinham visto o meu show. Foi uma plataforma em que consegui expandir um pouco mais a minha carreira”, diz.
Rael, Xamã e Budah no Espaço Favela
No domingo, essa troca de gerações estará concentrada no próprio Espaço Favela. Budah abre a programação às 15h. Rael toca às 16h50 e, às 19h10, Xamã encerra as apresentações do palco.
Rael já dividiu apresentações com os dois e vê sua posição entre diferentes gerações do hip-hop brasileiro como parte de sua trajetória.
Com 27 anos de caminhada, contando o período no grupo Pentágono, ele diz manter contato frequente com artistas que começaram suas carreiras durante a consolidação das plataformas digitais.
“Eu aprendo com as novas gerações também. Faço um pouco essa diplomacia na rua, sou um pouco esse cara que transita entre as novas gerações e também tem o respeito dos mais velhos”, afirma.
Rael lembra que, no início de sua trajetória, não havia a estrutura de shows, festivais e negócios que cerca o gênero atualmente. Artistas precisavam vender CDs, camisetas e organizar as próprias festas para manter uma cena em funcionamento.
“A gente acreditava que um dia ia chegar esse momento, e acho que esse momento chegou. Hoje ele é uma realidade. Dentro de um festival, o rap faz diferença. Principalmente as novas gerações têm consumido bastante as ramificações do rap, como o trap e o próprio funk.”
‘Nas Profundezas da Onda’ entra no repertório
Entre os desafios do show está encontrar espaço para “Nas Profundezas da Onda”, álbum lançado por Rael em março.
O trabalho tem 11 faixas e sucede “Onda”, de 2025.
Embora os dois projetos compartilhem melodias e instrumentais que o músico define como “solares”, o novo disco parte para assuntos mais densos. Rael aborda indústria musical, saúde mental, ecocídio, feminicídio e os bastidores de uma carreira que, segundo ele, não pode ser reduzida a números ou sucessos.
“O ‘Onda’ era um disco para você tirar uma onda literalmente: apertar o play, fazer uma faxina, colocar uma roupa da hora para sair, dirigir, pegar a estrada. ‘Nas Profundezas’ vem da profundidade das ideias. É um disco que você ouve, mas ele exige um pouquinho mais de reflexão.”
No Rock in Rio, porém, a intenção não é simplesmente reproduzir a estrutura dos shows da turnê do álbum.
O repertório deve aproximar as músicas recentes dos hits acumulados desde a fase do Pentágono e do início da carreira solo, que começou em 2010 com “MP3: Música Popular do Terceiro Mundo”.
É uma equação que inclui músicas como “Envolvidão”, “Aurora Boreal”, “Rouxinol” e “Flor de Aruanda” ao lado da fase iniciada por “Onda” e aprofundada no disco deste ano.
“Estou quebrando a cabeça para inserir os meus hits, os discos mais novos, fazer essa conexão entre as músicas, entrelaçar isso, fazer essa teia de aranha para captar as pessoas no show.”
Que horas é o show de Rael no Rock in Rio 2026?
Rael se apresenta neste domingo, 6 de setembro, às 16h50, no Espaço Favela. No mesmo palco, Budah canta às 15h e Xamã sobe às 19h10.
O dia ainda reúne Calvin Harris, Black Eyed Peas e Nelly no Palco Mundo; Ne-Yo, Jota Quest, BaianaSystem e Calema no Sunset.
Para Rael, a medida do sucesso da apresentação será mais simples do que qualquer número. Ele quer deixar a Cidade do Rock com novos ouvintes.
“Se a pessoa sair pensando: ‘Não sabia quem é esse cara, quero saber mais. Vou ver a agenda dele, quero ir no próximo show’, está entregue. Festival é uma oportunidade. Existe a preocupação de tocar o coração das pessoas, de fazer uma boa entrega.”