
Rise Against no palco em Londres (Instagram)
Rise Against: de fãs de ‘Rock in Rio’ do Iron Maiden a headliners do festival
Tim McIlrath explica como encontrou no punk uma forma de canalizar a raiva
O Rise Against costumava ouvir “Rock in Rio”, álbum ao vivo do Iron Maiden, dentro da van a caminho de shows.
Nesta sexta-feira (4), a história ganha outro capítulo: a banda norte-americana sobe ao Palco Mundo do próprio festival, às 21h20, depois do The Hives e antes do Foo Fighters.
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A dimensão da apresentação contrasta com a primeira passagem do grupo pelo Brasil, há 15 anos.
Em fevereiro de 2011, o Rise Against estreou no país com apresentações no Curitiba Master Hall e no Carioca Club, em São Paulo.
“Quando viemos ao Brasil pela primeira vez, tocamos em um show pequeno. Ficamos em um hotelzinho fora da cidade. Tudo tinha aquele clima de: ‘Será que isso vai mesmo acontecer?’. Era um show punk”, relembra Tim McIlrath, vocalista e guitarrista da banda, em entrevista à Billboard Brasil antes da apresentação no Rock in Rio.
Naquela altura, o futuro da relação com o público brasileiro estava longe de parecer garantido.
“A gente não sabia se algum dia conseguiria voltar ao Brasil. Não sabíamos nem se tínhamos fãs aqui.”
A resposta veio nos anos seguintes. O Rise Against retornou ao país, dividiu programação com o Prophets of Rage em 2017, participou do Lollapalooza Brasil em 2023 e voltou em 2025 na turnê brasileira do The Offspring, com datas que incluíram Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba.
Para McIlrath, chegar ao Rock in Rio amplia a distância entre aquele primeiro contato com o país e o momento atual.
“Nós ouvíamos o álbum ‘Rock in Rio’, do Iron Maiden, dentro da van, no caminho para os shows. Então pensar que um dia a nossa banda estaria tocando no mesmo festival é uma loucura. Tem sido uma viagem bem maluca.”
Rise Against transforma raiva em música
A estreia no Rock in Rio acontece pouco mais de um ano depois do lançamento de “Ricochet”, décimo álbum de estúdio do Rise Against, disponibilizado em 15 de agosto de 2025.
O disco parte da ideia de que ações individuais produzem consequências coletivas — um efeito de ricochete em que a raiva, o conflito e as decisões de uma pessoa atingem outras.
A raiva, porém, não aparece apenas no trabalho recente. Ela atravessa uma discografia construída em torno de confronto, inconformismo e questões políticas e sociais.
Para McIlrath, a música também serviu como ferramenta para dar direção a um sentimento que, na juventude, nem sempre sabia administrar.
“Quando eu era mais novo, era um garoto meio vândalo, fazia muita besteira. Mais tarde percebi que estava com raiva e colocando essa raiva nos lugares errados.”
Foi no punk que ele encontrou outro caminho.
“A música virou uma saída artística, uma maneira de expressar essa raiva que não era apenas saudável para mim, mas que também conseguia se comunicar com outras pessoas. E isso fazia com que todos nós nos sentíssemos menos sozinhos nesse processo.”
McIlrath associa diretamente essa função à própria natureza do gênero que acompanha o Rise Against desde sua formação.
“Para mim, isso é o punk. O punk, por natureza, é muito confrontador. Então a música que fazemos sempre teve esse elemento de confronto”.
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