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Fatboy Slim, que estreia no Rock in Rio, diz que o Brasil é sua família

O britânico se apresenta em 7 de setembro, mesmo dia que Gil e Elton John

Fatboy Slim (divulgação)

Fatboy Slim (divulgação)

30 anos depois de mudar os rumos da música eletrônica, Fatboy Slim segue provando por que é considerado uma lenda viva do gênero.

Na próxima segunda-feira (7), o britânico faz sua estreia no Rock in Rio e antes mesmo de pisar no palco brasileiro, já falava do país com um carinho fora do comum.

Caso de família entre Fatboy Slim e o Brasil

Em entrevista à Billboard Brasil, o astro conversava em casa, em Brighton, na Inglaterra, pouco antes de embarcar para mais um show, e revelou uma teoria bem-humorada para explicar a conexão com o Brasil.

“Honestamente, não sei o que explica essa conexão. Acho que minha mãe dormiu com um brasileiro e nunca contou pra ninguém”, brincou.

Para ele, a sensação de chegar ao país foi quase familiar.

“Quando cheguei ao Brasil, foi como conhecer o resto da sua família que você não sabia que existia. Aqui está sua meia-irmã e seu meio-irmão, que parecem exatamente com você e parecem se comportar exatamente como você”, contou Fatboy Slim.

“Não sei o que é. Só sei que estou muito feliz com essa relação. Minha mãe já morreu, então nunca vamos descobrir a verdade.”

Apesar da longa relação de shows e viagens ao país, o dia 7 de setembro marca a primeira vez do DJ e produtor no Rock in Rio.

O line-up do dia é formado por grandes lendas da música, como Elton John, Gilberto Gil e, claro, o próprio Fatboy Slim.

“É maravilhoso, porque conheço os dois artistas e tenho um grande respeito por ambos. Então, estar no mesmo line-up é uma honra”, disse.

“Quando você toca em um festival realmente grande, com o Elton John, o melhor cantor e compositor, ao lado de uma lenda brasileira como Gil, eu sinto que estou representando a música eletrônica da Inglaterra.”

“É uma posição de grande honra, mas com ela vem grande responsabilidade”, completou.

Quando o assunto é o público brasileiro, Fatboy Slim não mede palavras.

“Foi como encontrar uma família há muito perdida que você não sabia que tinha, que curte música e dança do mesmo jeito que eu”, disse.

“Para mim, a música sempre foi sobre conectar seres humanos. À medida que você se conecta com outras pessoas, você consegue se perder e esquecer daquele trabalho chato que você tem que fazer durante a semana”.

“E você consegue escapar, mas também fazer novos amigos. É algo muito poderoso, e é algo que os seres humanos sempre fizeram: adoramos nos reunir e celebrar por meio de um ritmo, de uma melodia ou de uma letra. E os brasileiros simplesmente parecem abraçar isso do mesmo jeito que eu.”

Segundo Fatboy Slim, em outros países o público às vezes vai aos shows “só para se perder, sem se conectar com outras pessoas, ou só para adorar quem está no palco”, enquanto no Brasil é diferente: “os brasileiros não precisam de muito estímulo para fazer isso, não é preciso empurrar muito forte”.

O britânico também compartilhou uma teoria pessoal sobre a herança musical do país.

“Foi alguns anos depois do início da minha aventura brasileira que eu descobri essa teoria: quando os escravizados foram levados para os Estados Unidos, os donos de escravos não queriam que eles se rebelassem e se organizassem, e perceberam que a música era uma força muito poderosa. Então tiraram deles todos os instrumentos de percussão, todos os tambores, que eram muito importantes para a música africana”.

“O que sobrou foi basicamente o violão, então a música americana ficou mais como o blues e o gospel, bem mais melancólica. Já os escravizados que foram para o Brasil puderam manter seus tambores e continuaram usando os tambores para celebrar”.

“É essa a diferença entre como a música americana e a música brasileira se desenvolveram: a música brasileira sempre usou percussão e ritmos para celebrar a vida”, disse, deixando claro se tratar de uma interpretação própria.

Sobre a essência da música em geral, resumiu: “Se você tem um ritmo que faz seu quadril se mexer e uma melodia que faz seu coração e depois sua cabeça sorrirem, isso é tudo que você precisa da música”.

A ligação com o Brasil também aparece no estúdio, através da parceria com Carola. Em 2025, ela já havia assinado um remix para o clássico “Ya Mama”, do produtor britânico. E neste ano, a DJ e produtora lançou “Funk Drunk (feat. 7KY)”, uma parceria com Fatboy Slim e Felix Da Housecat.

“A gente já é amigo há um tempo. Ela me mandou um remix de uma das minhas músicas há uns três ou quatro anos, e eu gostei muito. Então começamos a conversar e, depois, lançamos o remix dela no meu selo. Na vez seguinte em que fui a São Paulo, ela apareceu para dizer oi, e viramos amigos”, contou.

“É bem bacana, porque tenho meu caso de amor com o Brasil, mas o Felix também é um velho amigo meu. O ritmo vem do Felix, a melodia vem da Carola, e eu só junto tudo”, resumiu Fatboy Slim.

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